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Revista Grandes Construções

Jogo Rápido

Edição 89 · 05/2018 · Maio 2018

Novos parâmetros definem custos de obras públicas

Em contraste com o Brasil, mercados mais maduros privilegiam equipamentos menores, híbridos e elétricos

No início de maio, o Sinaenco Educação Corporativa promoveu o curso Como utilizar o novo SICRO na formação de preços. O SICRO, ou Sistema de Custos Referenciais de Obras, é uma ferramenta de atualização e definição de custos, utilizada para estabelecer parâmetros para referenciar a elaboração dos orçamentos de projetos de transportes e licitação de obras pela Administração Pública.

A nova versão da ferramenta, implantada em 2017 pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), traz inúmeras novidades, como uma nova metodologia para definição dos custos de referência da mão de obra e a inclusão de composições de custos dos modais ferroviário e aquaviário. O curso abordou os conceitos relacionados ao SICRO, detalhou os critérios de preparação de orçamentos exigidos pela nova versão da ferramenta e ofereceu orientações práticas sobre como os orçamentistas e as empresas de projetos devem sincronizar suas ações, de modo a oferecer peças orçamentárias críveis e tecnicamente consistentes. Além do DNIT, utilizam o SICRO órgãos como Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Infraero.

A Sobratema, juntamente com outras entidades nacionais ligadas à cadeia da construção e infraestrutura – como o Instituto de Engenharia, Ministério do Planejamento, Tribunal de Contas da União, Caixa Econômica Federal e Petrobras – participou do grupo de estudos que elaborou a nova versão do SICRO.

Segurança com transparência

A presença do vidro como elemento de destaque na construção não é nenhuma novidade. Basta observar a grande quantidade de prédios residenciais e comerciais que exibem o material fartamente nas suas fachadas. A novidade mesmo são os vidros especiais que apresentam diferenciais em seu processo de fabricação e beneficiamento e são moldados de acordo com cada projeto arquitetônico. Um desses desafios impostos à indústria do setor, e que comprovam a versatilidade do material em grandes dimensões, foi o projeto de reforma do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado no município de Aparecida, interior de São Paulo. Lá, o vidro foi usado nas obras recentemente concluídas do anel da Cúpula  Central, que ganhou um guarda-corpo com quatro observatórios frontais para que os visitantes possam contemplar de cima a magnífica estrutura da construção da Basílica.

O guarda-corpo, de 98 m lineares de diâmetro, foi aplicado com vidros temperados e laminados transparentes de 8+8 mm de espessura, com tamanho de 1m x 1,50 m e fixados por botons distanciadores de aço inox 304, que não enferrujam. Já os observatórios frontais, feitos com o mesmo tipo de vidro, têm espessura de 6+6 mm.

A obra deixou o local mais seguro para a visitação dos fieis depois da aplicação dos vidros, já que a altura equivale a de um prédio de 17 andares, com quase 53 m de altura. “Segurança e beleza são atributos inegáveis em grandes projetos, como esse que fizemos para o Santuário. Além de servirem como proteção, os vidros também são práticos para a limpeza, já que em locais de grande circulação a praticidade na manutenção assume maior importância”, explica Claudio Passi, diretor da Conlumi Indústria e Comércio de Vidros, que atendeu às solicitações do projeto.

Construção verde é um bom negócio

A sustentabilidade vem ganhando espaço no mercado da construção civil. As “edificações verdes” alcançaram um patamar histórico nos últimos 10 anos e deixaram de ser um privilegio das construções de alto padrão. Hoje escolas, creches, lojas de varejo, comércio, residências, hospitais, entre outras edificações, públicas ou privadas, já são consideradas sustentáveis. A construção verde faz parte de um novo olhar sobre o planejamento urbano e vem compor um panorama de inovação, com tecnologia e funcionalidade. Parte desse crescimento está nos benefícios que as edificações verdes trazem às pessoas e ao meio ambiente. Mas, além disso, as construções sustentáveis são consideradas hoje o melhor modelo de negócio no segmento imobiliário, agregando valor ao imóvel.

Estudo da Universidade de Harvard aponta que os ganhos financeiros atrelados às mudanças climáticas e melhoria com saúde e bem estar oferecidos pelas edificações verdes são de 16,05 dólares por metro quadrado. Nesse cenário, de 2007 a 2016, o Brasil gerou uma economia total de 348 milhões de dólares, sendo 251 milhões em economia de energia, 11 milhões em economia por reverter impactos provenientes das mudanças climáticas como, por exemplo, mortes causadas por poluição do ar ou prejuízos causados nas regiões costeiras e 86 milhões em redução de poluição, resultando em menos absenteísmo e redução nos gastos com consulta médica.

Além dos ganhos ligados à qualidade de vida e preservação ambiental, as construções verdes também agregam ganhos financeiros. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que analisou mais de 2.000 prédios comerciais na cidade de São Paulo, entre o 1º trimestre de 2010 e o 3° trimestre de 2014, aponta que as construções verdes são a melhor opção de negócio no mercado imobiliário. Os dados mostram que o reconhecimento de uma construção como sendo sustentável promove uma valorização por metro quadrado no aluguel de 4% a 8%.