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GC nº 42Outubro 2013 Matéria 17 de 22
Sumário
  1. EditorialPetróleo, gás e excelência tecnológica
  2. Jogo RápidoRandon entrega 71 retroescavadeiras em Minas Gerais
  3. Jogo RápidoSão Paulo analisa os trens regionais
  4. Jogo RápidoP-55 finaliza obras e inicia testes de inclinação
  5. Jogo RápidoCamargo Corrêa lança Desafio Universitário
  6. Jogo RápidoAvançam as obras do Anel Viário de Fortaleza
  7. Jogo RápidoSabesp testa asfalto verde
  8. Jogo RápidoEntregue última fase do multiuso em Alpha Square
  9. Jogo RápidoSobe o teto do financiamento imobiliário com recursos do FGTS
  10. EntrevistaOs novos desbravadores
  11. Matéria De Capa - EnergiaUHE Teles Pires Uma nova fronteira na geração de energia no País
  12. LogísticaBrasil tenta romper as fronteiras da estagnação
  13. LogísticaFerroanel vence primeiro obstáculo
  14. Prévia Nt ExpoFeira reunirá provedores de tecnologia para o setor ferroviário de 20 países
  15. Petróleo E GásPetrobras, aos 60 anos, define seus planos para o futuro
  16. Petróleo E GásUma história de sucesso
  17. Cenário AcadêmicoSemana de Engenharia da Unicamp
  18. Momento ConstructionDrywall: solução oferece rapidez e qualidade
  19. Momento ConstructionDepoimentos comprovam sucesso da Construction Expo
  20. Concreto HojeÉ para cima que se olha
  21. ArtigoComunicação socioambiental: uma aliada da engenharia civil
  22. Enquete OnlineEnergia Eólica. Que os ventos nos sejam a favor
Cenário Acadêmico

Semana de Engenharia da Unicamp

Mundo acadêmico debate setor de infraestrutura

Exclusivo GC 28 de outubro de 2013 · Edição 42

Evento tradicional e já na décima sétima edição, a Semana de Engenharia Civil da Unicamp teve como slogan principal o tema “Do papel ao Concreto”. O assunto fez bastante sentido considerando apresentações como a da Petrobras, com detalhamento dos investimentos bilionários nos próximos quatro anos, e as visitas técnicas ao campo, incluindo obras como a duplicação da Rodovia dos Tamoios, em São Paulo, do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e da ampliação do aeroporto de Viracopos, em Campinas. Organizado pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, o evento aconteceu de 23 a 27 de setembro e contou com painéis, minicursos, visitas técnicas, feira de recrutamento e exposição científica.

A Semana começou com o painel “Sustentabilidade na Engenharia Civil”, em que foram abordadas as formas viáveis de se colocar em prática esse conceito e a importância do engenheiro desde a concepção dos projetos até a realização da obra. Participaram dessa discussão o presidente da CPEA (Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais), Eugênio Singer e o professor Marcelo de Andrade Romero, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

No segundo dia, a infraestrutura nacional foi para o centro dos debates, com destaque para o plano de investimentos da Petrobras no período de 2013-17, que prevê a soma de US$ 236,7 bilhões. Além da multinacional brasileira, duas outras instituições fizeram parte do painel: a Engecorps, com a participação do sócio-diretor Danny Dalberson Oliveira, e o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, com o agente de fiscalização Marcos Vicente Arrivabene Sanches.

Do lado da Petrobras o tema foi coordenado por Deborah Martinez de Mattos, gerente geral de projetos de engenharia, do setor voltado para empreendimentos de abastecimento. Ela detalhou o plano de negócios da companhia para os próximos quatro anos, destacando a meta da Petrobras de aumentar a produção de óleo e líquido de gás natural (LGN), dos 2 milhões de barris por dia em 2012 para 4,2 milhões em 2020. Deborah adiantou o valor de exploração e produção no bolo de investimentos: nada menos do que 62% do valor anunciado para o período. O segmento de abastecimento, por sua vez, terá US$ 64,8 bilhões à disposição ou 27,4% do total. O restante será dividido entre diversas outras áreas, incluindo a internacional e a de biocombustíveis. O pré-sal, carro-chefe da empresa para tempos futuros, representa um quarto dos investimentos de exploração e 43% dos valores alocados em desenvolvimento da produção para os próximos quatro anos.

Para garantir os resultados, 25 novas unidades estacionárias de produção (UEPs) entrarão em operação no período citado. Se considerarmos o universo de tempo até 2020, o total de UEPs sobe para 38 unidades em funcionamento. O foco de repasse dos recursos no setor de abastecimento é a ampliação de diversos parques de refino, como a RNEST, em Pernambuco, e o Comperj, no Rio de Janeiro. Para essa operação serão alocados 51% dos investimentos para a área, superando os 15% para a melhoria operacional e os 13% destinados para o atendimento do mercado interno. Dos US$ 9,9 bilhões alocados para o setor de gás e energia, quase metade será encaminhada às plantas de gás-química. Um quarto ficará para o setor de energia elétrica, enquanto 20% serão repassados para as malhas de distribuição e 8% para o departamento de gás natural liquefeito (GNL).

Para atestar a viabilidade financeira do projeto, Deborah destacou que a Petrobras não deve emitir novas ações, mantendo a classificação de grau de investimento, convergindo os preços dos derivados do Brasil com o exterior e deixando de investir US$ 9,9 bilhões em projetos menos ou não rentáveis. A executiva também destacou a descoberta de 53 novas reservas, 25 em mar e 28 em terra, incluindo 15 relacionadas ao pré-sal. Quanto à produção de derivados, a empresa procura aumentar o atual montante de 2 milhões de barris por dia para 3 milhões, em 2020.

Com várias obras públicas impulsionando o incremento da infraestrutura nacional, a complexidade das licitações também foi tema do painel da Semana. Os palestrantes Danny Oliveira, da Engecorps, e Marcos Sanches, do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, detalharam os processos que envolvem essas concorrências e licitações. Oliveira recomendou aos futuros engenheiros alguns passos importantes desses processos, incluindo desde as fases de anteprojeto até a publicação do edital.

Sanches, por sua vez, detalhou o caminho percorrido para realizar um projeto consistente para a prefeitura da cidade São Paulo. No caso das empresas públicas ou estatais, as empresas de engenharia devem seguir às diretrizes das leis 8.666/93 e 12.462/11, que regem os detalhes de cada licitação. Os órgãos do governo emitem o Certificado de Registro Cadastral (CRC), documento necessário para a participação de licitações conseguido depois de atestada a regularização jurídica, fiscal, trabalhista, financeira e técnica da empresa de engenharia.

Sanches acrescentou que as obras governamentais são feitas com recursos pré-determinados pelo Plano Diretor Estratégico (PDE) dos municípios, documento que dirige o planejamento da cidade no período de uma década. A partir do PDE, é criado o Plano Plurianual, legislação que define as metas a serem cumpridas, dentro do que foi especificado no plano maior, nos três últimos anos de mandato de um prefeito, e no primeiro ano do próximo. Todas essas diretrizes obedecem a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que especifica a quantidade dos recursos disponíveis. Ele lembrou ainda que, no caso das empresas de economia mista, alguns nomes do mercado de engenharia são convidados para uma concorrência. Os possíveis prestadores de serviço não têm acesso ao orçamento disponível e oferecem uma proposta técnica e financeira para o cliente. Grandes empresas, por outro lado, utilizam sistemática similar para suas contratações, enquanto as pequenas não costumam ter tantas exigências, buscando no mercado os possíveis parceiros.

O painel Hidrologia e Urbanização, realizado no dia 24, trouxe os palestrantes Mário Thadeu Leme de Barros, professor da Escola Politécnica da USP, Antônio Carlos Zuffo, pós-doutor em engenharia civil na área de engenharia ambiental pela Universidade de Toronto, e Edison Favero, professor aposentado da Unicamp. Os palestrantes abordaram os problemas causados pela retificação dos rios na cidade de São Paulo, cujo registro das primeiras enchentes decorrentes desse processo data da década de 1890. Já naquele ano o rio Tietê começou a ser encolhido em extensão (de 46 km para 26 km). As primeiras pavimentações, iniciadas em 1900, pioraram a situação. Ou seja, nesse caso, o concreto que saiu do papel (ainda que betuminoso) teve um lado não tão positivo como os projetos de infraestrutura nacional recém anunciados.