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GC nº 53Outubro 2014 Matéria 1 de 21
Sumário
  1. EditorialNadando, nadando e morrendo na praia
  2. Jogo RápidoNova miniescavadeira da Caterpillar
  3. Jogo RápidoAutorizado o início das obras da hidrelétrica de São Manoel
  4. Jogo RápidoSão Paulo terá fábrica de componentes em fibra de vidro para geradores eólicos
  5. Jogo RápidoE-Social em discussão pelo setor da construção
  6. Jogo RápidoPesquisa mostra avanço da obesidade entre os operários da construção civil
  7. Jogo RápidoNovidades em contenção e reforço de solos e encostas
  8. Jogo RápidoDuplicação da rodovia BR-163 é licitada
  9. Jogo RápidoLivro registra casos de construções híbridas e mistas em aço e concreto
  10. Jogo RápidoRandon apresenta inovações em sua linha de Retroescavadeiras
  11. EntrevistaSegurança, um objetivo comum
  12. Matéria De Capa - RodoviasNovos leilões de rodovias devem sair até junho de 2015
  13. Matéria De Capa - RodoviasANTT vê atrasos nas obras de concessionárias
  14. Matéria De Capa - RodoviasRobôs trabalham nas obras do Trecho Norte do Rodoanel
  15. Matéria De Capa - RodoviasConcessionárias rodoviárias
  16. Análise SetorialEncarando desafios estratégicos
  17. Máquinas E EquipamentosExpectativas para o mercado off road
  18. Momento M&T ExpoM&T EXPO: RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
  19. Concreto HojeO substituto do aço estrutural pode estar nas florestas tropicais
  20. ArtigoContratação: o "menor preço" nem sempre é o "melhor preço"
  21. Agenda 2014Brasil vai sediar maior evento de fundações do Hemisfério Sul
Editorial

Nadando, nadando e morrendo na praia

Exclusivo GC 6 de outubro de 2014 · Edição 53

Nessa edição, abrimos um espaço especial para avaliar as principais concessões rodoviárias existentes e discutir as futuras concessões, que fazem parte do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado em agosto de 2012, pelo governo federal. Um programa que, aliás, está um ano atrasado, em relação às próprias expectativas do Palácio do Planalto. Esse atraso se deve, em parte, às mudanças que se fizeram necessárias para atrair o interesse da iniciativa privada. Isso incluiu desde a revisão das taxas de retorno até as condições de financiamento e o prazo das concessões.

Mas o tímido avanço do PIL e dos seus impactos positivos na economia do País e na cadeia produtiva podem ser explicado, ainda, pelo impasse na modelagem de concessões dos portos junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Para as novas concessões ferroviárias, só agora os entraves começam a ser dissipados, com o governo aguardando a manifestação dos interessados da iniciativa privada para a elaboração de estudos de engenharia e preparação dos editais.

O fato é que é grande o atraso. Quando o programa foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff, previa-se uma injeção de R$ 79,5 bilhões na economia no prazo de cinco anos, a partir de uma primeira rodada de concessões de estradas e ferrovias.  No entanto, levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo, junto às concessionárias vencedoras dos leilões já realizados, indica que o impulso econômico gerado pelas concessões, até o fim de 2014, será de pouco mais de R$ 2 bilhões, o que representa apenas 2,5% do previsto. Os recursos se concentraram em seis lotes rodoviários e em dois aeroportos - Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Minas Gerais.

Aparentemente não faltam recursos para investir em infraestrutura. É o que mostra recente boletim publicado pelo do BNDES, indicando que R$ 21,6 bilhões foram liberados de janeiro e abril, 48% mais do que em igual período de 2013. O Banco tem um total de R$ 118,6 bilhões em projetos de logística em carteira para conclusão até 2017, de acordo com a posição em junho deste ano. Desse total, a participação do BNDES será de R$ 61,1 bilhões. Os 40 projetos envolvendo rodovias, em um total de R$ 53,2 bilhões (R$ 32,1 bilhões do banco), fazem parte dos programas federal e estaduais de concessões rodoviárias.

Então, se não faltam recursos, o que falta é capacidade gerencial e planejamento. Esse é o grande desafio que o Brasil terá que enfrentar, no seu caminho em direção ao desenvolvimento pleno: a falta de gestão, perpetuada por décadas e por inúmeros governos. O poder público não faz planejamento, e isso impede a uma visão sistêmica a respeito dos grandes problemas e das melhores soluções. Enquanto não mudarmos esta história, continuaremos nadando, nadando, e morrendo na praia.

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema