Newsletter
Início› Exclusivo› Edição 53 ← Voltar à edição
GC nº 53Outubro 2014 Matéria 20 de 21
Sumário
  1. EditorialNadando, nadando e morrendo na praia
  2. Jogo RápidoNova miniescavadeira da Caterpillar
  3. Jogo RápidoAutorizado o início das obras da hidrelétrica de São Manoel
  4. Jogo RápidoSão Paulo terá fábrica de componentes em fibra de vidro para geradores eólicos
  5. Jogo RápidoE-Social em discussão pelo setor da construção
  6. Jogo RápidoPesquisa mostra avanço da obesidade entre os operários da construção civil
  7. Jogo RápidoNovidades em contenção e reforço de solos e encostas
  8. Jogo RápidoDuplicação da rodovia BR-163 é licitada
  9. Jogo RápidoLivro registra casos de construções híbridas e mistas em aço e concreto
  10. Jogo RápidoRandon apresenta inovações em sua linha de Retroescavadeiras
  11. EntrevistaSegurança, um objetivo comum
  12. Matéria De Capa - RodoviasNovos leilões de rodovias devem sair até junho de 2015
  13. Matéria De Capa - RodoviasANTT vê atrasos nas obras de concessionárias
  14. Matéria De Capa - RodoviasRobôs trabalham nas obras do Trecho Norte do Rodoanel
  15. Matéria De Capa - RodoviasConcessionárias rodoviárias
  16. Análise SetorialEncarando desafios estratégicos
  17. Máquinas E EquipamentosExpectativas para o mercado off road
  18. Momento M&T ExpoM&T EXPO: RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
  19. Concreto HojeO substituto do aço estrutural pode estar nas florestas tropicais
  20. ArtigoContratação: o "menor preço" nem sempre é o "melhor preço"
  21. Agenda 2014Brasil vai sediar maior evento de fundações do Hemisfério Sul
Artigo

Contratação: o "menor preço" nem sempre é o "melhor preço"

Exclusivo GC 7 de outubro de 2014 · Edição 53

São frequentes as lamentações da administração para justificar fracassos na execução de obras públicas: “culpa de projetos de engenharia deficientes”, afirmam. Assim, os gestores procuram isentar-se de responsabilidade em paralisações e necessidade de revisões de contratos para corrigir as falhas na execução das obras, sempre atrasadas, como vemos nestes dias de Copa do Mundo.

A origem desses problemas reais é conhecida: a forma perversa de contratação de engenharia de projetos. São serviços de natureza técnica profissional especializada que não podem ser contratados por licitações baseadas em competição de preços. Pior ainda o que se pratica atualmente, com a utilização de pregão e disputa nos preços propostos pelos concorrentes, com lances de descontos sucessivos que afetarão necessariamente a qualidade dos trabalhos a contratar.

Nessa questão, não há milagres. O melhor projeto resulta em obras melhores, cumprimento de prazos e reduções significativas de custos na sua execução. O projeto contratado por melhor técnica pode custar um pouco mais, mas conduz a economia muitas vezes superior ao seu custo. O que vemos, entretanto, é a negação dessa realidade. Contrata-se o projeto com a empresa menos qualificada tecnicamente para economizar na disputa absurda de no máximo um por cento do valor final do empreendimento a ser projetado e perde-se a possibilidade de redução dez vezes maior na execução das obras, contratadas com projetos de melhor engenharia.

Essa equação é inquestionável, mas alguns contratantes insistem nessa prática de má aplicação de recursos públicos, festejando a enganosa e irrelevante economia que afetará os custos, qualidade e prazos dos investimentos, especialmente de infraestrutura – rodoferroviária e de saneamento básico, de sistemas elétricos e instalações de petróleo e gás, portos e aeroportos, planejamento urbano e urbanização...

Além da condenação vigorosa da prática predatória de pregões e disputas por lances de descontos de preços propostos, a engenharia brasileira exige mais nessa questão. Requer a adoção generalizada de licitações do tipo “de melhor técnica” ou “de técnica e preço” para a contratação de estudos de viabilidade técnica e ambiental, projetos básicos e executivos, supervisão e gerenciamento da execução das obras, como indicado no Artigo 46 da Lei 8666/93, vigente e sempre atualizada há mais de vinte anos. Com efeito, repetimos: os serviços de consultoria de engenharia, por sua natureza, conduzirão à otimização do investimento que concretizará o empreendimento projetado. Da qualidade técnica desses serviços resultará a minimização dos custos da execução, operação e manutenção das obras e instalações do empreendimento, e a maximização da qualidade dos serviços oferecidos aos seus usuários.

As entidades da engenharia, especialmente a ABCE que congrega as empresas de engenharia de projetos, condenam a utilização de qualquer alternativa, ainda que legal, que se substitua à lógica da pura e saudável contratação com base na qualidade, mantendo em segundo plano a consideração de preços nas licitações públicas.

(*) Mauro Viegas Filho é Presidente do Conselho Diretor Associação Brasileira de Consultores de Engenharia e da Concremat