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GC nº 58Abril 2015 Matéria 13 de 24
Sumário
  1. EditorialEficiência operacional, um desafio para os aeroportos regionais
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoPorto de Santos I
  4. Jogo RápidoEstudo prevê a abertura de 54 hotéis no Brasil em 2015
  5. Jogo RápidoPorto de Santos II
  6. Jogo RápidoGoverno de SP lança licitação para interligar o Sistema Cantareira à bacia do Paraíba
  7. Jogo RápidoDesenvolve SP: R$ 1,8 bi em 6 anos
  8. Jogo RápidoLiuGong investe em fábrica no Brasil
  9. Jogo RápidoRebaixamento de lençol freático com redução de tempo e energia
  10. Jogo RápidoInfraestrutura para rede 4G deve aquecer demanda por equipamentos
  11. Jogo RápidoTatuzão chega a Ipanema
  12. EntrevistaEngenharia nacional no olho do furacão
  13. Matéria De Capa - RodoviasQualidade das rodovias brasileiras melhora, mas cenário geral ainda é ruim
  14. Matéria De Capa - RodoviasSerra do Cafezal: Engenharia supera desafios e reduz impactos ambientais
  15. Matéria De Capa - RodoviasDNIT lança aplicativo que monitora rodovias federais
  16. Matéria De Capa - RodoviasFoco na tecnologia de ponta e na sustentabilidade
  17. Mão De Obra - CertificaçãoCertificação acreditada ganha espaço no mercado
  18. Personalidade Da ConstruçãoRuy Ohtake, em sintonia com seu tempo
  19. Excelência Operacional & Lean ConstructionProjeto Igarapés utiliza metodologias Lean Construction para alcançar resultados
  20. Momento M&T ExpoM&T EXPO Congresso: informações para quem quer conhecer o setor de perto
  21. Momento Construction Expo 2016Crise abre espaço para bons projetos de obras municipais
  22. Concreto HojeAlta tecnologia na produção de cimento reduz a emissão de CO2
  23. ArtigoComo melhorar os resultados nos canteiros de obras
  24. Agenda 2015Feira mostra novidades da indústria metalmecânica
Matéria De Capa - Rodovias

Qualidade das rodovias brasileiras melhora, mas cenário geral ainda é ruim

Cerca de 37% das estradas brasileiras pavimentadas estão em estado ótimo ou bom, 38,2% são regulares e 23,9% estão ruins ou péssimas

Exclusivo GC 18 de abril de 2015 · Edição 58

Após vários anos de quedas sucessivas no padrão de qualidade, as estradas pavimentadas brasileiras finalmente apresentaram uma melhora em seu estado geral no ano de 2014, em relação a 2013.  Isso foi o que revelou a pesquisa que há 18 anos é realizada em boa parte da malha rodoviária nacional, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). O estudo, que permite a realização de um ranking identificando as melhores e as piores rodovias do País, mostrou, por exemplo, que 37,2% das estradas brasileiras analisadas estão em estado ótimo ou bom. Já as regulares alcançam 38,2% e as ruins e péssimas são 23,9%. No ano passado, esses números estavam em 36,2%, 34,4% e 29,4%, respectivamente. Com a evolução, os números voltam aos níveis de 2012. Foram inspecionados 99 mil km de rodovias, quase metade da malha asfaltada e a pesquisa foi divulgada em outubro de 2014.

O cenário melhora significativamente quando são consideradas apenas as rodovias concedidas à iniciativa privada. De acordo com a CNT, 74,1% dessas vias tiveram seu estado de conservação considerado "ótimo" ou "bom" em 2014. Foram avaliados como "regular" 21,8% das estradas concedidas e apenas 4,1% receberam nota "ruim" ou "péssimo". Apesar disso, o resultado das rodovias concedidas piorou em relação a 2013, quando 84,4% foram consideradas em "ótimas" ou em "boas" condições.

Portanto, se no conjunto das rodovias concedidas não houve avanços significativos no padrão de qualidade, é possível concluir que isso se deu de fato porque houve melhora nas rodovias administradas pelos governos federal e estaduais, no período analisado. Segundo o trabalho, as estradas públicas consideradas ótimas e boas passaram de 26,7% para 29,3%. As regulares evoluíram de 38,4% para 42,1%. Já as péssimas, caíram de 34,9% para 28,6%.

Segundo Bruno Batista, coordenador da pesquisa, apesar da pequena evolução verificada em 2014, o cenário geral das rodovias brasileiras ainda não é satisfatório ou compatível com as necessidades de crescimento da economia do País. Há muitos problemas a serem solucionados, alguns dos quais em caráter emergencial. Segundo ele, apenas 12% da malha brasileira é asfaltada, sendo que 87% dela é de pistas simples.

Para Batista, ao longo desses últimos anos, não houve um salto qualitativo e nem um grande aumento no volume de obras de pavimentação, modernização ou duplicação de rodovias que compõem a malha nacional. Ele lembra que a falta de qualidade das estradas onera em 26% o custo dos transportes para as empresas no Brasil em média, elevando assim o preço dos produtos nacionais e o Custo Brasil.

Ainda segundo a Pesquisa realizada pela CNT, houve um avanço de 15,6% no número de pontos críticos, que são aqueles que comprometem severamente o transporte rodoviário no País, como buracos nas pistas e pontes caídas. Entre 2013 e 2014, o número de pontos críticos passou de 250 para 289. No mesmo período, o investimento federal autorizado para as estradas registrou queda de 0,4%, para R$ 11,93 bilhões. O recuo é mais acentuado (21,7%) quando são considerados os investimentos efetivamente pagos pela União, que até a publicação do estudo somavam R$ 6,54 bilhões.

Na avaliação de Bruno Batista, o país teria que investir algo em torno de R$ 300 bilhões para que as estradas brasileiras passassem a ter boas condições operacionais e de segurança. No ritmo atual dos investimentos governamentais, isso levaria 30 anos.

Pedagiadas pioram

A melhora das estradas não foi maior porque as estradas concedidas pioraram. A análise do órgão apontou que, das estradas pedagiadas analisadas, 74,1% estavam em estado ótimo ou bom. No ano passado, esse número alcançou 84,4%.

Os trechos regulares passaram de 14,3% para 21,8% no mesmo período e os classificados como ruins e péssimos passaram de 1,3% para 4,1%. As rodovias pedagiadas no país arrecadaram no ano passado R$ 15 bilhões.

Segundo Batista, a explicação para a piora é que 4,4 mil quilômetros de estradas federais foram concedidos em 2013 e passaram no início do ano para a iniciativa privada. Para ele, não houve tempo suficiente para que essas rodovias, que antes eram administradas pelo governo federal, passassem por melhoras e, por isso, o nível das estradas pedagiadas piorou.

"Os novos trechos públicos concessionados puxaram pra baixo a qualidade das rodovias concedidas", disse Batista lembrando que das 10 melhores estradas do país, todas são concedidas e no estado de São Paulo. Já as 10 piores são todas federais ou estaduais e ficam principalmente no Norte e Nordeste do país.

Pontos críticos

Outra piora no ranking foram os chamados pontos críticos, que são quedas de barreiras, pontes e buracos grandes. No ano passado, foram encontrados 250 pontos críticos e em 2014 foram 289. Segundo Batista, estradas no Rio Grande do Sul que eram concedidas e voltaram a ser administradas pelo governo, também pioraram.

Pelos cálculos da Confederação, seriam necessários R$ 300 bilhões em investimentos nas estradas do país para que elas chegassem a um nível adequado de qualidade. Mas, atualmente, o país tem investido cerca de R$ 10 bilhões no setor ao ano. "Nesse ritmo, vamos demorar 30 anos", afirmou Batista.