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GC nº 56Jan/Fev 2015 Matéria 23 de 25
Sumário
  1. EditorialPor um novo ambiente de negócios para as PPPs
  2. Jogo RápidoESPAÇO SOBRATEMA
  3. Jogo RápidoTecon de Salvador realiza operação especial para receber carga eólica
  4. Jogo RápidoRefinaria Abreu e Lima entrega primeiro carregamento de nafta petroquímica
  5. Jogo RápidoNewton Cavalieri deixa legado para a construção brasileira
  6. Jogo RápidoTuper contribui com a redução de emissão de gases de efeito estufa
  7. Jogo RápidoLançado sistema de gerenciamento online de resíduos da construção civil
  8. Jogo RápidoPorto do Açu recebe carta náutica para iniciar as operações
  9. Jogo RápidoOdebrecht e Logz podem operar no transporte fluvial de cargas
  10. Jogo RápidoQBE lança seguros para máquinas e equipamentos pesados
  11. EntrevistaEngenharia é a estrela do projeto Sirius
  12. EntrevistaNo topo da cadeia da tecnologia
  13. EntrevistaEngineering elaborou projeto para o laboratório do Sirius
  14. Matéria De Capa - Ponte De LagunaPonte Anita Garibaldi
  15. Obras De ArteLinha 4 do Metrô carioca: ponte estaiada sai do papel
  16. Jogos OlímpicosIlha Pura: bairro planejado adota tecnologias de construção de ponta
  17. Jogos OlímpicosObras olímpicas saem do papel
  18. Tecnologia RodoviáriaEncontro reúne especialistas em rodovias de todo o Brasil
  19. Prêmio AbcicConstrução industrializada garante controle técnico e estética apurada
  20. Prêmio AbcicPré-fabricação garante redução de custos e de prazo
  21. Excelência Operacional & Lean ConstructionExcelência Operacional & Lean Construction: Princípios e Conceitos
  22. Momento M&T ExpoInfraestrutura: investimentos de R$ 598 bilhões
  23. Concreto HojeA indústria cimenteira brasileira é sustentável
  24. ArtigoSaneamento: muito a ser feito
  25. Agenda 2015Feicon Batimat chega à sua 21ª edição
Concreto Hoje

A indústria cimenteira brasileira é sustentável

País ocupa posição de destaque global pelas políticas ambientais adotadas e pelo ranking de sexto maior fabricante e quarto maior consumidor mundial do insumo

Exclusivo GC 19 de fevereiro de 2015 · Edição 56

A sustentabilidade está na ordem do dia da indústria brasileira de cimento. Principal matéria prima da produção de concreto, o insumo ganhou mais uma forma de acompanhamento no ano passado, quando foi anunciada a versão brasileira do Cement Technology Roadmap, estudo global criado em 2009 pela International Energy Agency (IEA) em parceria com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). A avaliação de quatro anos atrás projetava o cenário de redução de emissões do setor de cimento até 2050. Com a pesquisa brasileira, os dados locais devem enriquecer as informações mundiais do setor (a Índia também vai ter uma pesquisa própria). Na verdade, a produção nacional de cimento já incorpora vários destaques positivos nesse campo e os avanços podem ser visualizados pelo recente artigo A Indústria do Cimento e o Desenvolvimento do Brasil, escrito por Yushiro Kihara, da Associação Brasileira do Cimento Portland (ABCP) e Gonzalo Visedo, do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), e recém-publicado pela primeira entidade.

Os dois especialistas avaliam que a questão ambiental domina a agenda da indústria nos últimos anos, principalmente pelo fato de aproximadamente 5% das emissões de gás carbônico (CO2) de origem antrópica serem provenientes da produção de cimento. No Brasil, o índice é um pouco maior, chegando a 1,4%, de acordo com o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa (2010). Como somos uma economia emergente, a demanda por cimento deve aumentar nos próximos anos, tornando a gestão do CO2 ainda mais complexa. Kihara e Visedo lembram que a Política Nacional de Mudanças Climáticas, aprovada em 2009, estabeleceu o compromisso de redução voluntária de 36% a 39% das emissões totais brasileiras projetadas para 2020. Em nível estadual, 14 das 26 unidades federativas já tem uma política de mudanças climáticas própria.

Para os dois especialistas, o segmento ocupa uma posição de referência no combate aos gases de efeito estufa. Dois fatores explicariam isso: uma série de características do processo produtivo e diversas ações adotadas pelo setor, algumas alavancadas a partir da transformação industrial durante a crise do petróleo do final da década de 1970 e outras mais recentes. Os dois articulistas apontam três principais direcionadores, incluindo a eficiência energética, a presença de combustíveis alternativos e adições ao clínquer.

No primeiro caso, a existência de um parque industrial moderno e eficiente para a produção de cimento é o destaque. Os fabricantes nacionais já operam com baixo consumo energético, o que leva à emissão menor de CO2 em relação a outros países. “Praticamente todo o cimento brasileiro é produzido por via seca, garantindo significativa diminuição do uso de combustíveis em relação a outros processos menos eficientes”, explicam. “Além disso, pré-aquecedores e pré-calcinadores reaproveitam os gases quentes para pré-aquecer a matéria-prima previamente à entrada do forno, diminuindo ainda mais o consumo de combustíveis”, completam. Kihara e Visedo acrescentam ainda que os fornos via seca com pré-aquecedores e pré-calcinadores são responsáveis por cerca de 99% da produção de cimento brasileira, contra um índice mundial de 87%. Os dados internacionais são do mais recente levantamento da Cement Sustainability Initiative (CSI).

Em relação aos combustíveis alternativos, os dois pesquisadores avaliam que o uso desse tipo de material é cada vez mais crescente no país, com destaque para o coprocessamento de resíduos e da utilização de biomassa. Segundo eles, mais de 1 milhão de toneladas de resíduos por ano são coprocessados pela indústria do cimento no Brasil, o que representaria cerca de 8% da matriz de combustíveis. Kihara e Visedo destacam que o potencial de aproveitamento é de 2,5 milhões de toneladas de resíduos, ou seja, uma vez e meia o que está sendo processado atualmente. No caso da biomassa, a indústria cimenteira nacional também sai na frente, com um índice de 12% na matriz energética do segmento. De acordo com eles, o carvão vegetal (principal) e resíduos de agricultura como palha de arroz, formam o universo de biomassa adotado.

O terceiro destaque em termos de sustentabilidade na produção cimenteira brasileira são as adições do clínquer. Na avaliação dos dois especialistas, essa adição é tradicional e ocorre há décadas e vários materiais tem sido adotados, desde a escória de alto forno até pozonalas artificiais. “Os cimentos com adições representam uma solução ambientalmente correta para subprodutos de outros processos produtivos, como escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas. Tudo isso atendendo, acima de tudo, às especificações das normas técnicas do país”, ressalta o artigo. Com 87 plantas industriais cimenteiras, controladas por 17 grupos industriais, o Brasil seria o sexto maior produtor mundial de cimento e o quarto maior consumidor dessa matéria prima, o que reforça ainda mais a necessidade de manter o perfil sustentável do setor.