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GC nº 68Abril 2016 Matéria 21 de 23
Sumário
  1. EditorialPelo aumento do funding para o crédito imobiliário
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoHidrelétrica Santo Antônio completa quatro anos de geração
  4. Jogo RápidoPorto do Açu já recebeu R$ 10 bilhões em investimentos
  5. Jogo RápidoSão Luiz do Paraitinga tem iluminação pública com gestão inteligente
  6. Jogo RápidoInvestimentos na NovaDutra podem chegar a R$ 3,4 bilhões
  7. Jogo RápidoMetrô RJ: estações do Leblon estão em fase de acabamento
  8. Jogo RápidoCPFL contrata WEG para construção e ampliação de subestações
  9. EntrevistaCeará prioriza investimentos em logística para crescer
  10. Portos - PecémPorto do Pecém: projeto sólido de crescimento
  11. Mobilidade UrbanaA caminho da Brasilândia
  12. Construção Imobiliária - Ranking ItcUm mercado 20% menor
  13. Construção Imobiliária - Centro Paralímpico BrasileiroÀ altura do esporte
  14. SegurosMais proteção para a construção
  15. Mercado - Vitoria Stone FairUm setor que não conhece crise
  16. Ti Na ConstruçãoMonitoramento de obras já é feito por drones
  17. Ti Na ConstruçãoAgilidade nos canteiros de obras
  18. Ti Na ConstruçãoFerramenta de apontamento eletrônico facilita gestão no canteiro de obras
  19. Ti Na ConstruçãoConstrutora desenvolve software próprio para gestão de empreendimentos
  20. Momento ExpoSão Paulo Expo investe em soluções sustentáveis
  21. Concreto HojeWorld of Concrete mostra a força do mercado norte-americano de concreto
  22. ArtigoAfrouxamento de legislação ambiental é retrocesso
  23. Agenda 2016O cimento sob a análise de especialistas
Concreto Hoje

World of Concrete mostra a força do mercado norte-americano de concreto

Setor não para de crescer nos EUA e os players apostam em tecnologias de automação para ampliar produtividade e relação custo/benefício na produção e distribuição de concreto.

Exclusivo GC 22 de abril de 2016 · Edição 68

Em 2015, os EUA consumiram 106,7 milhões de toneladas de cimento. Para 2016 a estimativa é que esse volume cresça 5%. Os dados foram apresentados pela pesquisa “Cement Market 2015 Performance”, realizada anualmente pela America’s Cement Manufacturers (PCA) e onde também está a previsão de mais crescimento para 2017, projetado em 5,7% sobre 2016. Prevendo ainda o avanço desse mercado pelo menos até 2020 nos EUA, a PCA foi um termômetro do clima positivo vivido pelos participantes da World of Concrete (WOC), Feira realizada de 2 a 5 de fevereiro em Las Vegas (EUA).

Nesta última edição, a World of Concrete (WOC) teve mais de 60,1 mil profissionais registrados na edição de 2016. Esse volume é 8% superior aos cerca de 55,7 mil registrados na edição do ano anterior. Parte dessas pessoas representou as mais de 1,5 mil empresas expositoras do evento, que formaram, segundo os organizadores, a maior edição da feira nos últimos sete anos. “Nós estamos muito satisfeitos com o crescimento apresentado em todas as categorias da feira, incluindo número de expositores (que foi de 300 empresas a mais que na edição anterior), número de visitantes (8% superior), o crescimento da quantidade de seminários em 6%, etc.”, avalia Tom Cindric, vice-presidente da Informa Exhibitions, a empresa que organiza a WOC.

“Em 2015, o crescimento do mercado cimenteiro foi menor do que o crescimento da indústria da construção, que chegou a 6,1% nos EUA”, diz Edward Sullivan, vice-presidente e economista-chefe da PCA. “Porém, isso ocorreu principalmente para equilibrar o incremento acima do esperado em 2014, quando o setor cimenteiro avançou 8,4% sobre o ano anterior”, completa.

Segundo Sullivan, há um conjunto de fatores favoráveis nesse mercado atualmente e o primeiro ponto é o crescimento do Produto Interno Bruto, de 2,4% em 2014 e também em 2015. Para este ano, a projeção é que o PIB norte-americano avance 2,6%. “A recessão de 2008 e 2009 atingiu duramente o emprego na construção civil, com 2,9 milhões de trabalhadores demitidos nos EUA, o que também envolveu quase 30% do emprego nesse setor. Hoje, esses números de crescimento são, ainda, uma trajetória de recuperação do mercado”, diz.

Graduando que o ciclo de recuperação da construção é mais longo do que o da economia, o especialista avalia que os EUA estariam 20% abaixo do pico cíclico de crescimento registrado em 2005. “A vantagem desse período é que a recessão geralmente, impulsiona o desenvolvimento tecnológico, mas temos de ponderar que os desempregados não têm acesso a isso”, diz.

Clima otimista

Mesmo com as ponderações da PCA, o clima na World of Concrete foi de otimismo. E isso foi demonstrado principalmente pelos grandes players de tecnologia e equipamento para mercado que expuseram durante a feira. A começar pela Schwing-Stetter, uma das poucas expositoras que tinham um brasileiro no seu corpo de engenheiros dedicados à demonstração de produtos. “Uma das nossas novidades em distribuição de concreto industrializado é o Tremig Boom, que consiste na adaptação em bombas-lança de concreto para realizar concretagem de fundações”, diz Luiz Polachini, gerente comercial para a América Latina.

Nesse equipamento, ele explica, é retirada a última seção da lança para balancear a equação de peso e depois instala-se uma tubulação metálica rígida na vertical, em direção do solo.

Na WOC, a unidade norte-americana da Schwing-Stetter (que é praticamente o dobro da brasileira, com 350 funcionários atualmente) demonstrou uma bomba-lança de 36 toneladas e na qual foi instalada uma tubulação de fundação de 10 metros de extensão. “A operação é muito simples: essa tubulação é introduzida na perfuração, feita previamente no solo. O concreto vai sendo depositado e a tubulação vai erguendo de acordo com a concretagem”, explica ele.

Automação é o futuro

Apesar do destaque ao Tremig Boom, as grandes apostas da feira – inclusive na Schwing-Stetter – estavam relacionadas com sistemas de automação para os equipamentos de produção e distribuição de concreto. No caso da fabricante alemã, a busca por uma forma de atender às normas americanas de produção e mistura de concreto levou a engenharia da empresa a “amarrar sistemicamente” todo o ciclo de mistura do balão da auto-betoneira, uma demanda que gerou a solução SCT.

Ficando entre as finalistas do prêmio de inovação da World of Concrete, a solução necessita apenas de um “play” do operador para começar a controlar tudo que acontece durante a mistura do concreto na betoneira. “Após acionado o SCT, o balão, ainda parado, começa a girar na rotação ideal para a qualidade da mistura do concreto, de acordo com o que rege a normatização norte-americana”, diz Luiz Polachini. “Mas, quando o caminhão começa a andar, a tecnologia ajusta automaticamente essa rotação de acordo com o tempo previsto para a viagem”, completa.

Outro exemplo operacional ocorre quando o caminhão está subindo uma ladeira. Nessa circunstância, não é incomum que o concreto caia para fora do balão, gerando desperdício e todos os problemas de limpeza urbana e ambientais atrelados a isso. “Novamente, o sistema, automaticamente, entra em ação, jogando, nesse caso, a mistura mais para o fundo do balão, a fim de evitar o derramamento”, explana Polachini.

Pelo fato de fazê-los girar somente o necessário, a Schwing-Stetter mediu que os balões podem durar até duas vezes mais ao não sofrerem desgaste excessivo em suas paredes. “Além disso, a homogeneidade da mistura é garantida de acordo com as normas e ainda é possível economizar até 15% de combustível, em comparação à operação tradicional e sem controle”, completa o executivo.

Ainda no que tange automação, a Topcon usou a expertise dos mercados de tecnologia da informação e telecomunicações para melhorar a operação de tratores de esteiras. Sabendo das aplicações de controle operacional, nas quais  mastros posicionados na lâmina do trator emitem informações para um prisma gerenciar o nivelamento da terraplanagem e outros predicados do equipamento, a empresa resolveu tornar esse processo mais wireless. “Então criamos a novidade, que consiste em fazer isso sem a necessidade de mastros e de cabos ligando-os ao equipamento”, diz Jamie Williamson, vice-presidente executivo e gerente geral da Topcon Precision Automation. Segundo ele, isso é melhor para a visibilidade do operador e para a segurança da operação em locais onde os cabeamentos podem, por exemplo, enroscar com objetos externos.

Denominada 3D-MC, a tecnologia utiliza o sinal de GPS para fazer o prisma e as informações são enviadas diretamente de sensores posicionados de forma estratégica embaixo das esteiras e do lado da lâmina.

Os dados são enviados para o display do sistema, que fica na cabine e oferece informações em forma de letras, figuras e gráficos ao operador. “Esse sistema é resultado do nosso entendimento sobre a evolução do mundo da construção e do nosso foco em melhorar os algoritmos inteligentes no firmware e no software para incrementar produtividade”, diz Williamson. “O benefício dela é uma integração clara do operador dentro da cabine, de modo que ele não precise instalar e remover mastros, antena e cabos diariamente”, completa ele.

Já a Eaton, que é parceira de players como a própria Schwing-Stetter no fornecimento de componentes de motorização, também apostou na automação como futuro certo no setor de equipamentos para produção e distribuição de concreto. Ela apresentou, durante a WOC, o Omnex Truested, que consiste na emissão de dados por rádio frequência para operação de máquinas.

O sistema é dotado de transmissores de controle móvel para operação à distância, e de receptores, que vão nos equipamentos e possuem algumas características de proteção para resistir a operações mais pesadas, como as que demandam concreto. Assim, a empresa acredita que há um extenso campo de aplicação em equipamentos como bombas-lança de concreto, com as quais seria possível a operação à distância, provendo segurança e produtividade.

Segundo Moe Dais, gerente de linha de produtos da Eaton, as soluções para controle de operação à distância têm ganho mercado mundialmente por reduzir a exposição dos operadores a riscos de acidentes e por permitir melhor gerenciamento do usuário fora da cabine do equipamento. “O Omnex tem sido bastante usado nos mercados de mineração e construção, principalmente em guindastes móveis, empilhadeiras e máquinas da linha amarela de construção”, diz.

Oportunidades

O clima de otimismo vivido na World of Concrete, de fato, em nada se assemelha aos últimos meses do mercado brasileiro, onde os números de produção, vendas e emprego vêm caindo constantemente. Todavia, há, nesse conjunto de informações, pontos positivos que podem ser aproveitados pela indústria brasileira. E eles vão além do ingresso de empresas e tecnologias para o mercado americano de construção.

O Brasil, que tem uma indústria cimenteira forte e tradicional – não é por menos que o país ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores de cimento do mundo, com 73 milhões de toneladas consumidas em 2015 e imediatamente atrás dos EUA, que são os terceiros maiores consumidores – pode se posicionar como forte exportador para o mercado norte-americano.

Afinal, além do câmbio favorável para exportação, a PCA estima que, até 2020, mais de 20% desse insumo consumido nos EUA será importado. No ano passado, os EUA importaram menos de 10% dos 106 milhões de toneladas de cimento que consumiram e a sua indústria registrou 76,5% de ocupação da capacidade produtiva. “Até 2020, a indústria deve operar com pelo menos 82% de sua capacidade e o crescimento da importação será inevitável, para suprir a demanda do mercado”, conclui Edward Sullivan, da PCA.

Construction Expo terá pavilhão da Woc

A Sobratema e a World of Concrete (WOC) firmaram parceria para a instalação de um pavilhão exclusivo da Feira americana durante a realização da Construction Expo 2016, a ser realizada de 15 a 17 de julho deste ano, no São Paulo Expo, em São Paulo. Com o acordo, o pavilhão capitaneado pela World of Concrete deve apostar na mostra de tecnologia e inovação para o segmento de concreto, com a apresentação de estudos de casos envolvendo a aplicação de concreto em obras de infraestrutura nos Estados Unidos.

Um dos pontos altos do World of Concrete Pavilion será a realização de um ciclo de palestras, integrado ao Construction Congresso, com o objetivo de promover uma nova ponte de intercâmbio entre os profissionais brasileiros e estrangeiros da área de concreto.

Outro reforço do segmento de concreto é a inclusão dos fabricantes dessa categoria no estudo que a Sobratema realiza anualmente, sobre o mercado de equipamentos. As projeções desse ano indicam que também nessa área haverá uma retração nas vendas: 53% para caminhões betoneiras, 37,5% para caminhões bomba/concreto e 21,5% para bombas de concreto.