Newsletter
Início› Exclusivo› Edição 68 ← Voltar à edição
GC nº 68Abril 2016 Matéria 1 de 23
Sumário
  1. EditorialPelo aumento do funding para o crédito imobiliário
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoHidrelétrica Santo Antônio completa quatro anos de geração
  4. Jogo RápidoPorto do Açu já recebeu R$ 10 bilhões em investimentos
  5. Jogo RápidoSão Luiz do Paraitinga tem iluminação pública com gestão inteligente
  6. Jogo RápidoInvestimentos na NovaDutra podem chegar a R$ 3,4 bilhões
  7. Jogo RápidoMetrô RJ: estações do Leblon estão em fase de acabamento
  8. Jogo RápidoCPFL contrata WEG para construção e ampliação de subestações
  9. EntrevistaCeará prioriza investimentos em logística para crescer
  10. Portos - PecémPorto do Pecém: projeto sólido de crescimento
  11. Mobilidade UrbanaA caminho da Brasilândia
  12. Construção Imobiliária - Ranking ItcUm mercado 20% menor
  13. Construção Imobiliária - Centro Paralímpico BrasileiroÀ altura do esporte
  14. SegurosMais proteção para a construção
  15. Mercado - Vitoria Stone FairUm setor que não conhece crise
  16. Ti Na ConstruçãoMonitoramento de obras já é feito por drones
  17. Ti Na ConstruçãoAgilidade nos canteiros de obras
  18. Ti Na ConstruçãoFerramenta de apontamento eletrônico facilita gestão no canteiro de obras
  19. Ti Na ConstruçãoConstrutora desenvolve software próprio para gestão de empreendimentos
  20. Momento ExpoSão Paulo Expo investe em soluções sustentáveis
  21. Concreto HojeWorld of Concrete mostra a força do mercado norte-americano de concreto
  22. ArtigoAfrouxamento de legislação ambiental é retrocesso
  23. Agenda 2016O cimento sob a análise de especialistas
Editorial

Pelo aumento do funding para o crédito imobiliário

Exclusivo GC 22 de abril de 2016 · Edição 68

Entre os muitos setores afetados pela crise econômica, poucos foram tão duramente atingidos quanto o da Indústria da Construção. Em um cenário marcado pelo desequilíbrio fiscal, crise de confiabilidade política e econômica, queda na produção, desemprego elevado e inflação crescente, o Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil registrou, no ano passado, a maior queda dos últimos 12 anos. Segundo dados divulgados IBGE, a Construção Civil sofreu queda de 7,6% em seu PIB, em 2015, contra uma redução de 3,8% no PIB nacional. Foi a maior queda registrada na nova série histórica do indicador do setor, iniciada em 1996 pelo IBGE.

Ainda no embalo da crise, o Brasil amargou a perda de 1.542.371 postos de trabalho formal em 2015, representando uma redução de 3,74% em relação ao ano anterior. E quais foram os setores que mais sentiram essas perdas? Em primeiro lugar foi a indústria de transformação, com a eliminação de 608.878 vagas formais, seguida da indústria da construção, com o corte de 416.959 empregos.

Todo esse quadro configura a segunda queda consecutiva nos números da Construção Civil no Brasil, e a mais expressiva desde 2003 (-8,9%). Em 2014 o setor já havia registrado redução de 0,9% em suas atividades. Assim, no biênio 2014-2015, o segmento – reconhecido como uma das molas propulsoras da economia nacional, figurando entre os maiores geradores de emprego – amargou a queda de inacreditáveis 8,43%.

Nessa edição, publicamos os resultados da pesquisa anual realizada pela empresa Inteligência Empresarial da Construção (ITC), que revela um cenário pessimista do mercado imobiliário brasileiro. De acordo com a pesquisa, o segmento registrou uma queda de 20% do desempenho em 2015, em comparação a 2014. Os dados referem-se à média no volume de metros quadrados (m2) em construção e do total de obras, resultando também na redução do total de metros quadrados (m2) individual da maioria das construtoras. Em outras palavras, a crise econômica afetou em cheio a expectativa de vendas e de lançamentos das construtoras, cujos números foram os menores desde 2004.

No segmento residencial, o maior problema está na falta de recursos na principal fonte para o financiamento: os depósitos da poupança. Por lei, 65% dos saldos das cadernetas de poupança são direcionados pela Caixa Econômica Federal para o Sistema Financeiro da Habitação, para o financiamento de imóveis de até R$ 750 mil. A escassez de recursos, no entanto, obrigou a Caixa a dificultar o acesso a novos empréstimos. Nos últimos meses de 2015, o banco subiu os juros e cortou drasticamente a parcela máxima financiada em imóveis usados, embora tenha mantido as condições para os programas de moradia de baixa renda.

Diante dos resultados desastrosos, o governo adotou medidas paliativas para estimular o financiamento imobiliário no país. O limite de crédito para a compra de imóveis usados, que havia sido reduzido de 80% para 50% em 2015, subiu este ano para 70% do valor do bem para trabalhadores da iniciativa privada. Para os funcionários do setor público, o limite subiu de 60% para 80% do valor do imóvel. Por outro lado, a Caixa aumentou os juros para financiamento a casa própria com recursos da poupança. Ou seja: o governo deu com uma mão e tirou com a outra.

Com medidas tímidas como essas, o cenário não vai mudar, pois a crônica tendência aos juros altos inviabiliza a formação de um mercado de crédito de longo prazo e mantém a dependência de recursos subsidiados, sempre mais restritos e sujeitos a súbitas interrupções.

A retomada do crescimento no setor depende de ações capazes de atrair a confiança de investidores e consumidores. Uma delas seria a definição de novas fontes de créditos para o financiamento imobiliário, em alternativa à caderneta de poupança. Uma Medida Provisória, que aguarda a aprovação da Presidência da República, refere-se aos títulos de dívida bancária lastreados por créditos imobiliários, que passam a ser objeto de segregação patrimonial. Se a MP fosse aprovada, e com a definição de um conjunto de regras claras, seria possível aumentar o funding para crédito imobiliário, com a atração de capital estrangeiro, por exemplo, além do aumento do mercado de renda fixa e da oferta de crédito em decorrência do surgimento de novos bancos de médio porte.

O mercado cobra, ainda, medidas de combate à informalidade no setor da construção, que subtrai receitas tributárias e previdenciárias do poder público. De acordo com as estimativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), 54% da mão de obra na construção civil estão à margem da legislação trabalhista, numa informalidade que tende a se ampliar, caso o governo não fiscalize e combata essas práticas.

Mas o grande desafio para o Governo, mais eficaz do que qualquer medida paliativa, é promover o equilíbrio das suas contas, derrotar a inflação, diminuir os juros bem abaixo de 10% e reduzir as taxas de desemprego. Somente dessa forma será possível criar um cenário sustentável para a indústria da Construção

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema