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GC nº 78Abril 2017 Matéria 1 de 22
Sumário
  1. EditorialUm futuro solar
  2. Jogo RápidoBNDES e Prefeitura de Porto Alegre oficializam parceria para estruturação de PPP na área de iluminação pública
  3. Jogo RápidoABCIC divulga entrada em vigência de normas relacionadas à cadeia produtiva das estruturas pré-moldadas de concreto
  4. Jogo RápidoChina aposta na solução de casa com painéis cimentícios
  5. Jogo RápidoCompra de materiais e equipamentos da construção civil por meio de leilões on-line
  6. Jogo RápidoFrente Parlamentar da Engenharia discute situação das ferrovias brasileiras
  7. Jogo RápidoPerdas de água compromete abastecimento
  8. Jogo RápidoGoverno de São Paulo promete entregar linha 5-Lilás neste ano
  9. Jogo RápidoVolvo CE adota linha de produção compartilhada
  10. Jogo RápidoConstrutora transmite obra em tempo real
  11. Jogo RápidoR$ 362,3 milhões para saneamento no Paraná
  12. EntrevistaMais do que otimismo, sinais concretos de recuperação
  13. EntrevistaA retomada do setor da construção e as oportunidades globalizadas
  14. Análise SetorialUma pá de cal no pessimismo
  15. Energia SolarPiauí, a nova fronteira da energia limpa
  16. StartupsNo caminho da energia limpa
  17. AgronegócioSafra gigante, infraestrutura anã
  18. Construção IndustrialO piso industrial como diferencial competitivo
  19. Momento ExpoNovidades para a sustentabilidade ambiental
  20. Concreto HojeO que há de concreto no muro de Trump?
  21. ArtigoArquitetura sustentável: mais do que uma opção INTELIGENTE
  22. Agenda 2017Infraestrutura e desenvolvimento
Editorial

Um futuro solar

Exclusivo GC 11 de abril de 2017 · Edição 78

O aumento contínuo da demanda por energia e a preocupação com a preservação do meio ambiente, aliados à redução da oferta dos combustíveis convencionais, têm justificado crescentes investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas de energia limpa e renovável. A energia solar é uma das alternativas naturais para atender a essa demanda, como mostra a principal matéria desta edição.

Esta alternativa é a que tem apresentado maior taxa de crescimento relativo em todo o mundo, a despeito dos custos de produção ainda elevados. Mas esse aspecto negativo já começa a mudar em nível mundial, graças à multiplicação de projetos e consequente ampliação da escala de produção e redução dos custos dos equipamentos.

No Brasil, a conversão da energia solar em energia térmica para o aquecimento já apresenta um desenvolvimento consolidado, como mostra o grande número de painéis de captação instalados em prédios corporativos e até em habitações populares, espalhados pelo País à fora. Mas as perspectivas e oportunidades de aproveitamento do potencial econômico relacionado à exploração comercial da energia solar e sua participação competitiva na matriz energética do País dependem, ainda, de vários fatores. O mais agravante é a falta de fontes de financiamento para viabilizar os projetos das usinas e garantir a criação de um parque nacional de fabricantes de equipamentos e componentes para o setor.

O BNDES se apresenta como a única fonte de capital de longo prazo com taxas de juros compatíveis com a realidade global. No entanto, o ambiente macroeconômico instável obrigou o governo a aumentar a Taxa Selic (taxa básica de juros) a patamares elevadíssimos, fazendo com que a utilização de capital comercial de longo prazo, como se demanda em projetos de usinas solares, torne-se inviável.

O grande desafio para o governo brasileiro está em definir uma política industrial específica, que permita o desenvolvimento de fabricantes nacionais de equipamentos para o setor. Especialistas alertam que será necessário produzir 2 GW em equipamentos, apenas para 61 usinas que entrarão em operação ao longo de 2017. Sem uma política industrial, os fabricantes que querem se estabelecer no Brasil não terão condições de competir, em termos de preço, com o equipamento internacional por causa da excessiva carga tributária incidente sobre os insumos e maquinários.

Vale lembrar que 80% dos componentes para os equipamentos do segmento fotovoltaico sofrem hoje carga tributária a taxas entre 40% e 60% para serem nacionalizados. Com a matéria prima nesse patamar, qual vai ser o preço final do seu equipamento?

Se quiser garantir a existência de uma cadeia produtiva nacional para o segmento de energia solar, o governo precisa adotar medidas estratégicas como a revisão dos impostos incidentes sobre insumos e a produção de materiais semicondutores, incluindo módulos fotovoltaicos e células fotovoltaicas. Também precisa assegurar demanda suficiente nos leilões de energia solar, para tornar atraentes os investimentos no setor.

Se não trabalhar para que essas condições sejam viáveis, o risco que o país corre é de se tornar refém não somente dos produtores de equipamentos importados, como também de uma tecnologia que jamais dominará. E começa a ficar claro que essa será uma das principais fontes de energia nas próximas décadas e séculos.

Ficaremos fora desse futuro?

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema