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GC nº 13Março 2011 Matéria 43 de 51
Sumário
  1. EditorialTransporte público e desenvolvimento sustentável
  2. Jogo RápidoBioenergy compra R$ 1,4 bilhão em turbinas eólicas da GE
  3. Jogo RápidoSkids Case são premiadas nos EUA
  4. Jogo RápidoPromon recebe o Engineering & Schematics Excellence Award 2010
  5. Jogo RápidoBMC reforça estrutura para trazer fábrica da Hyundai para o Brasil
  6. Jogo RápidoSany comemora crescimento de mais de 200% no Brasil
  7. Jogo RápidoAutobetoneira Piccini
  8. Jogo RápidoEternit terá fábrica em Pecém
  9. Jogo RápidoTerex envia máquinas para ajudar na recuperação de Franco da Rocha
  10. Jogo RápidoPetrobras terá novo terminal privado no litoral capixaba
  11. Jogo RápidoMaquesonda aumenta fábrica no Rio para atender o mercado da construção
  12. Jogo RápidoTuper apresenta soluções construtivas em aço
  13. Jogo RápidoVolvo distribui R$ 30 milhões em lucros para funcionários no Brasil
  14. EntrevistaO paulista que conhece a dança dos ventos do Nordeste
  15. Especial NordesteUm país emergente chamado Nordeste
  16. Especial Nordeste / Construção IndustrialIndústrias apostam no Nordeste para continuar crescendo
  17. Especial Nordeste / LogísticaPecém, um complexo portuário em expansão
  18. Especial Nordeste / LogísticaR$ 3 bilhões para aumentar a capacidade de Suape
  19. Especial Nordeste / LogísticaNovas subestações vão atender o aumento de demanda por energia
  20. Especial Nordeste / LogísticaAcesso rodoferroviário para Suape custará R$ 88,1 milhões
  21. Especial Nordeste / LogísticaAvançam as obras do Píer de minério de ferro em Ponta da Madeira
  22. Especial Nordeste / LogísticaAmpliação do Porto de Salvador tem projeto pronto, mas processo é lento
  23. Especial Nordeste / FerroviasTransnordestina finalmente deslancha
  24. Especial Nordeste / FerroviasExpansão da Estrada de Ferro Carajás
  25. Especial Nordeste / FerroviasProjetos de Infraestrutura proporcionam desenvolvimento econômico à Bahia
  26. Especial Nordeste / RodoviasBR-101, um velho gargalo finalmente em obras
  27. Especial Nordeste / RodoviasAnel viário vai racionalizar transporte de carga em Fortaleza
  28. Especial Nordeste / Energia EólicaEnergias limpas ganham maior espaço no Nordeste
  29. Especial Nordeste / Energia EólicaInaugurado Parque eólico Alegria I
  30. Especial Nordeste / Energia EólicaParque Eólico de Casa Nova
  31. Especial Nordeste / Energia TermelétricaObras de termelétricas em Pecém com mais de 80% de avanço físico
  32. Especial Nordeste / Petróleo E GásPetrobras fecha contratos para obras da refinaria Abreu e Lima
  33. Especial Nordeste / Petróleo E GásConstrução de plataformas de petróleo revitaliza indústria naval na Bahia
  34. Especial Nordeste / Petróleo E GásRefinaria Premium II, em Pecém: obras começam no terceiro trimestre de 2011
  35. Especial Nordeste / Petróleo E GásConcluída a primeira fase da ampliação da Refinaria Clara Camarão
  36. Especial Nordeste / PetroquímicaPetroquímica Suape exigirá investimentos de R$ 4 bilhões
  37. Especial Nordeste / Copa 2014Copa de 2014 poderá permitir salto de desenvolvimento na região
  38. Especial Nordeste / Copa 2014Obras do estádio em Salvador dentro do cronograma
  39. Especial Nordeste / Copa 2014Obras do Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, entram na fase final
  40. Especial Nordeste / Copa 2014OAS sozinha na concorrência para construir o estádio da Copa em Natal
  41. Especial Nordeste / Mobilidade UrbanaTransfor mudando a cara do transporte urbano de Fortaleza
  42. Especial Nordeste / Mobilidade UrbanaNatal inicia primeira etapa de obras para mobilidade
  43. Especial Nordeste / IrrigaçãoTransposição do São Francisco prossegue sertão adentro
  44. Especial Nordeste / IrrigaçãoYes, nós temos bananas
  45. Especial Nordeste / TurismoTurismo levado a sério
  46. Especial Nordeste / TurismoRequalificação da Praia de Iracema
  47. Máquinas E EquipamentosIveco importa o Trakker 8x4 para os segmentos da construção e mineração
  48. Máquinas E EquipamentosComingersoll traz ao Brasil a retroescavadeira Moviter
  49. Construção SustentávelEmpresa promove reciclagem de resíduos de construção e demolição
  50. ArtigoPlanejamento para um legado sustentável da Copa de 2014
  51. Métrica Industrial - Tecnologia Da Informação Na ConstruçãoCelular
Especial Nordeste / Irrigação

Transposição do São Francisco prossegue sertão adentro

Governo assegura que obra não sofrerá com os cortes do orçamento e estará concluída até o final de 2013

Exclusivo GC 31 de março de 2011 · Edição 13

Em discurso proferido no 12.º Fórum dos Governadores do Nordeste, realizado no final de fevereiro, a presidente Dilma Rousseff garantiu que o corte de gastos de R$ 50 bilhões do governo não afetará os investimentos que a Região Nordeste receberá nos próximos quatro anos. Entre eles, estão assegurados os R$ 5 bilhões a mais reservados para a transposição do Rio São Francisco. Para este ano, o Ministério da Integração Nacional (MIN) tem preservado cerca de R$ 1,1 bilhão para a obra. Até dezembro de 2010, já foram aplicados R$ 2,1 bilhões no projeto, valor efetivamente pago, segundo o MIN. A transposição foi orçada originalmente em R$ 5 bilhões, garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foram acrescentados ao projeto R$ 2,4 bilhões para a implementação dos programas ambientais e ações de revitalização do Rio São Francisco. Se o cronograma for mantido, a obra estará concluída até o final de 2013, prevê o MIN.

A transposição do Rio São Francisco foi concebida para interligar diversas bacias hidrográficas do Nordeste, levando água aos estados que mais sofrem com a seca na região do semi-árido. O projeto prevê a construção de dois canais, com 12 m de largura por 4 de profundidade cada um, que totalizam cerca de 700 km de extensão. Um deles, o Eixo Norte, com 426 km de extensão, vai de Cabrobó (PE) a Cajazeiras (PB), cruzando os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Já o Eixo Leste, com 220 km, começa na represa da Usina de Itaparica, no município de Floresta (PE), e termina em Monteiro (PB). Do Eixo Leste sairá o ramal Agreste, de cerca de 70 km, para atender a bacia do Rio Ipojuca, em Pernambuco. Segundo o MIN, baseando-se nos dados do PAC de dezembro de 2010, o Eixo Leste, que vai levar água aos estados de Pernambuco e Paraíba, tem 80% das obras dos canais realizadas e deverá iniciar suas operações no final de 2012. Já o Eixo Norte, que beneficiará localidades de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, tem 52% de avanço e sua conclusão está prevista para dezembro de 2013.

Projeto centenário e polêmico
Desde o reinado de Dom Pedro II (século XIX) já se falava da transposição das águas do Rio São Francisco como solução para a seca do Nordeste. Na época, o projeto não seguiu adiante por falta de recursos da engenharia. Ao longo do século XX, a transposição continuou sendo vista como solução para o acesso à água pela população nordestina, mas faltavam projetos viáveis. Após a maior estiagem da história (1979-1983), surgiu o primeiro projeto mais consistente sobre o tema, mas também não avançou. Em 1999, com o agravamento da crise do abastecimento hídrico na região, a transposição do rio São Francisco passou novamente a ser vista como a única alternativa para resolver o problema. O governo Fernando Henrique Cardoso propôs a revitalização do rio e a construção dos canais de transposição, mas a ideia não foi adiante. Já no governo Lula, por empenho pessoal do presidente, o projeto tomou corpo e começou a sair do papel em 2007.

Mas a transposição do São Francisco ainda gera muita polêmica. Uma corrente de estudiosos critica os elevados custos da obra que abrangem somente 5% do território e 0,3% da população do semi-árido brasileiro. O principal argumento contrário diz respeito à utilização da água, que será retirada de regiões onde sua demanda para uso humano e dessedentação animal é maior do que a da região de destino e que o projeto beneficiaria mais a agroindústria e os grandes latifundiários do que a população.

Também os impactos ambientais e sociais que a transposição provocará na região são alvos de opiniões contrárias, como risco à biodiversidade, modificação dos ecossistemas dos rios da região receptora e desmatamento de grandes quantidades de terra com flora nativa. Isso sem contar os impactos nos sítios arqueológicos da região e a desapropriação de terras. Outros estudiosos, mais cautelosos, defendem a revitalização do rio antes da transferência de parte de suas águas para outras regiões.

O governo rebate as críticas e diz que a finalidade do Projeto São Francisco é assegurar oferta de água aos habitantes de todas as cidades do semi-árido nordestino, levando água a cerca de 12 milhões de pessoas. “A transposição é a mais importante ação estruturante, no âmbito da política nacional de recursos hídricos, tendo por objetivo a garantia de água para o desenvolvimento socioeconômico dos estados mais vulneráveis às secas, como Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco”, afirma Augusto Wagner Padilha Martins, secretário de Infraestrutura Hídrica do MIN, que indica outra vantagem do projeto. “Ao mesmo tempo em que garante o abastecimento por longo prazo de grandes centros urbanos, como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Mossoró, Campina Grande, Caruaru e João Pessoa, além de centenas de pequenas e médias cidades, a transposição beneficia áreas do interior do Nordeste com razoável potencial econômico, estimulando a política de desconcentração do desenvolvimento, polarizado até hoje pelas capitais dos estados.” Além disso, cerca de 7 mil empregos serão gerados durante a fase de construção do projeto – a cargo do 2º. Batalhão de Engenharia do Exército, em parceria com as construtoras Mendes Júnior, OAS, Ecar, Construcap, entre outras.

Segundo o secretário, a transposição do Rio São Francisco é um dos projetos do PAC que apresenta o maior número de condicionantes ambientais (36), implementados durante a fase atual de construção e que continuarão durante a etapa de operação do empreendimento. A integração do São Francisco às bacias dos rios temporários do semi-árido será possível com a retirada contínua de 26,4 m³/s de água, o equivalente a apenas 1,42% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1.850 m³/s), sendo que 16,4 m³/s (0,88%) seguirão para o Eixo Norte e 10 m³/s (0,54%) para o Eixo Leste.

Sendo assim, de acordo com Martins, o Rio São Francisco seguirá seu curso com a vazão mínima de 1.823,6 m³/s, o que representa 98,58% da capacidade atual. A diversidade animal e vegetal do bioma caatinga vem sendo desvendada e conservada por técnicos e ambientalistas a partir do avanço do Programa de Conservação da Fauna e da Flora.

O secretário lembra também que existe uma equipe de arqueologia responsável pela identificação e salvamento dos sítios arqueológicos que possam existir nas regiões diretamente afetadas pelas obras do Projeto São Francisco. O processo de indenização fundiária abrange mais de 2 mil propriedades, com área total de 34,9 mil hectares. Segundo Martins, a Jornada de Conciliação, promovida pelo MIN entre 8 e 12 de novembro de 2010, conseguiu solucionar cerca de 90% dos processos de indenizações de imóveis. Também foi iniciado o processo de reassentamento de aproximadamente 800 famílias em 18 Vilas Produtivas Rurais.