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GC nº 66Jan/Fev 2016 Matéria 20 de 21
Sumário
  1. EditorialParceria com a WOC renova a atuação da Sobratema, na Era da Informação
  2. Jogo RápidoEmpresas se unem para avaliar o uso comercial de veículos elétricos no Brasil
  3. Jogo RápidoAeroporto de Viracopos instala tecnologia avançada de controle de fronteiras
  4. Jogo RápidoConstrução brasileira perde patamar de 3 milhões de postos de trabalho
  5. Jogo RápidoSoluções inovadoras nas obras de pontes na Marginal Pinheiros
  6. Jogo RápidoTecnologia Herrenknecht comprovada em Goiania
  7. Jogo RápidoSeconci-SP faz balanço positivo de 2015, com aumento de 9% no nível de atendimento
  8. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  9. EntrevistaPoucos recursos, muitas demandas
  10. Especial Região SulO equilíbrio das forças
  11. Especial Região SulSanta Catarina: o desafio é crescer sem perder a qualidade de vida
  12. Especial Região SulRio Grande do Sul luta para reconquistar a posição de líder
  13. RodoviasRodovias no Sul integram plano de concessões
  14. Mobilidade UrbanaPróxima estação: Sala de Reunião
  15. Energia HidrelétricaPotencial ainda não totalmente explorado
  16. Energia EólicaInvestimentos em escala
  17. Construção IndustrializadaFaculdade em concreto
  18. Momento ExpoConstruction Expo 2016 terá pavilhão inédito do World of Concrete
  19. Concreto HojeSeguindo em bloco para um futuro concreto
  20. ArtigoSenado e Câmara dão salvo-conduto aos Lixões
  21. Agenda 2016Tecnologias e equipamentos para compactação em debate
Artigo

Senado e Câmara dão salvo-conduto aos Lixões

Exclusivo GC 11 de fevereiro de 2016 · Edição 66

A prioritária erradicação dos lixões, que deveria ter ocorrido em agosto de 2014, segue sem dinheiro para a sua execução. Para se entender melhor o problema, é importante lembrar que essas excrecências ambientais — nas quais os resíduos sólidos, principalmente os domiciliares, são depositados a céu aberto e sem proteção do solo e onde pessoas paupérrimas buscam migalhas em meio à imundície — deveriam ser proibidas desde 1981, quando a lei que criou a Politica Nacional do Meio Ambiente vedou sua existência. A lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), fixou agosto de 2014 para sua erradicação.

Lá se vão cinco anos, e mais de três mil municípios continuam com os lixões. Houve, até mesmo, o temor de que os gestores municipais fossem denunciados por não cumprirem a lei. Porém, como já se viu tantas vezes em nosso país, encontram-se alternativas enviesadas para se acomodarem problemas não resolvidos. Foi assim, num desses ímpetos de criatividade dispersiva, que o Senado aprovou, por meio do Projeto de Lei PLS 425/2014, a prorrogação da vigência da validade dos lixões em prazos que vão de 2018 a 2021. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), relatora do projeto, apresentou a seguinte justificativa para referendá-lo: “Por falta de quadros técnicos e gerenciais qualificados e insuficiência de recursos financeiros (dos municípios),  não se conseguiu cumprir a determinação legal".

Concordamos com a justificativa da senadora, aceita pelo plenário. Entretanto, se o problema é a falta de pessoal qualificado e dinheiro, o texto do projeto aprovado repete o erro: alongam-se os prazos, mas nada é dito sobre a incapacidade financeira dos municípios. Assim, pergunta-se: de onde virão os recursos? Dos orçamentos exauridos das prefeituras? A questão é só de interesse local? Estados e União não são parte da solução?

Caberia à Câmara dos Deputados, à qual a matéria seguiu e foi convertida no Projeto de Lei 2289/2015, corrigir o problema em questão, determinando formas de participação da União nos investimentos requeridos, como também instituindo definitivamente aquilo que os municípios não têm coragem de fazer: a criação de instrumentos de cobrança ao usuário desses serviços. Considerando a importância de se rever o texto, é preocupante constatar que a Câmara, além de não corrigir o projeto, ainda incluiu emenda, simplesmente prorrogando o prazo de erradicação dos lixões para 2018, na Medida Provisória 678/2011, votada e aprovada em 13 de agosto de 2015, que institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas, sem qualquer relação com o tema.

Percebe-se, nessa manobra, total falta de preocupação com os 75 milhões de brasileiros que vivem em áreas nas quais os resíduos sólidos continuam sendo depositados em cerca de três mil lixões, com danos à saúde e ao meio ambiente. Pelo menos 1% da população atendida por lixões desenvolve doenças, o que equivale a cerca de 750 mil pessoas, revela estudo da International Solid Waste Association (ISWA), em parceria com o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (Selur) e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe).

A prorrogação dos prazos sem o provisionamento de verbas é um salvo-conduto para que os lixões eternizem-se. Está se pensando somente no conforto de todos os ocupantes de cargos públicos e eletivos responsáveis pela aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Sua preocupação é apenas estar adimplentes com os prazos, pouco importando a saúde pública e o meio ambiente. Caso o Congresso Nacional ratifique tal distorção, Brasília respirará aliviada, a despeito do odor do ar: impunemente, os lixões – dentre os quais o da própria Capital Federal – resistirão impávidos ao bom senso...

*Ariovaldo Caodaglio, cientista social, biólogo, estatístico e pós-graduado em meio ambiente, é presidente do SELUR (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo).