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GC nº 66Jan/Fev 2016 Matéria 10 de 21
Sumário
  1. EditorialParceria com a WOC renova a atuação da Sobratema, na Era da Informação
  2. Jogo RápidoEmpresas se unem para avaliar o uso comercial de veículos elétricos no Brasil
  3. Jogo RápidoAeroporto de Viracopos instala tecnologia avançada de controle de fronteiras
  4. Jogo RápidoConstrução brasileira perde patamar de 3 milhões de postos de trabalho
  5. Jogo RápidoSoluções inovadoras nas obras de pontes na Marginal Pinheiros
  6. Jogo RápidoTecnologia Herrenknecht comprovada em Goiania
  7. Jogo RápidoSeconci-SP faz balanço positivo de 2015, com aumento de 9% no nível de atendimento
  8. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  9. EntrevistaPoucos recursos, muitas demandas
  10. Especial Região SulO equilíbrio das forças
  11. Especial Região SulSanta Catarina: o desafio é crescer sem perder a qualidade de vida
  12. Especial Região SulRio Grande do Sul luta para reconquistar a posição de líder
  13. RodoviasRodovias no Sul integram plano de concessões
  14. Mobilidade UrbanaPróxima estação: Sala de Reunião
  15. Energia HidrelétricaPotencial ainda não totalmente explorado
  16. Energia EólicaInvestimentos em escala
  17. Construção IndustrializadaFaculdade em concreto
  18. Momento ExpoConstruction Expo 2016 terá pavilhão inédito do World of Concrete
  19. Concreto HojeSeguindo em bloco para um futuro concreto
  20. ArtigoSenado e Câmara dão salvo-conduto aos Lixões
  21. Agenda 2016Tecnologias e equipamentos para compactação em debate
Especial Região Sul

O equilíbrio das forças

PIB do Paraná supera o do Rio Grande do Sul, em 2013, e ruma para liderança, com projeção de investimentos industriais e na infraestrutura

Exclusivo GC 11 de fevereiro de 2016 · Edição 66

Em meio a um processo de grandes transformações econômicas no País, a Região Sul desponta como uma crescente fronteira de negócios e um novo polo de desenvolvimento econômico, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária e do agronegócio. A perspectiva de continuidade desse crescimento pode representar, em médio prazo, um novo desenho de forças econômicas do Brasil.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), dão conta de que o Produto Interno Bruto (PIB) paranaense cresceu 5,6% em 2013, acima da média nacional de 3%. Com isso, sua participação na geração nacional de riquezas passou de 5,9% em 2012 para 6,3% no ano seguinte e colocou o estado a frente de seu principal rival, o Rio Grande do Sul, que sempre foi o principal líder da região.

Desde a década de 1940, o Paraná detinha a posição de quinta economia do País. A mudança de posição em 2013 resulta de uma combinação de fatores positivos que foram bem aproveitados pelo estado. Uma delas foi a safra agrícola generosa, que se reflete no desempenho da agropecuária, e na produção de energia elétrica, concentrada sobretudo em chuvas abundantes, que alavancaram novamente a Hidrelétrica de Itaipu no Sistema Interligado Nacional. A fatia do Rio Grande do Sul cresceu, mas em ritmo menor, passando de 6%, em 2012, para 6,2% em 2013.

Segundo o IBGE, o Rio Grande do Sul foi o estado com melhor desempenho do país em 2013, com crescimento de 8,2% na comparação com 2012. Muito acima, portanto, da expansão do PIB nacional, de 3% naquele ano. Acima, também, do avanço da economia paranaense, de 5,6%. Da mesma forma, no acumulado de 2010 a 2013 o Rio Grande do Sul cresceu 10,6%, acima do Paraná (10,2%) e do País todo (9,1%).

No entanto, um fator foi fundamental para que o estado cedesse lugar ao Paraná: embora o volume produzido pelo Rio Grande do Sul tenha avançado mais, a produção do Paraná se valorizou mais do que a produção gaúcha.  Em valores, o PIB paranaense somou R$ 332,8 bilhões em 2013, acima dos R$ 331,1 bilhões da economia gaúcha. Três anos antes, o PIB do Rio Grande do Sul somava R$ 241,3 bilhões, acima dos R$ 225,1 bilhões do Paraná.

Em 2013, o Paraná ficou na liderança na participação da produção agrícola, respondendo por 12,5% do total nacional (uma alta de 1,4 ponto porcentual desde 2010). O estado ficou ainda na quarta colocação no ranking da produção industrial, com participação de 6,6% (alta de 0,6 p.p.), e em quinto no do setor de serviços, com uma fatia de 5,7% (alta de 0,3 p.p.).

Até o fechamento desta edição, o IBGE e Ipardes não haviam concluído suas análises em relação aos resultados de 2014. Mas estimativas feitas por analistas permitiam estimar que a conquista paranaense se manteve em alta. É o que afirma, por exemplo, o diretor-presidente do Ipardes, Julio Suzuki Junior, para quem o estado tem boas chances de manter a colocação. “Acredito que o Paraná tem uma condição de recuperação mais rápida quando ocorrer a normalização da economia brasileira. O nosso mercado de trabalho recuou menos que o mercado de trabalho brasileiro, e o Paraná exporta proporcionalmente mais que o Brasil, o que favorece o estado nesse novo contexto do câmbio”, diz o economista, referindo-se à alta do dólar nos últimos meses, teoricamente favorável aos exportadores.

No computo geral, 2013 foi um ano de recuperação para a região Sudeste, com a grande recuperação da agropecuária principalmente no Rio Grande do Sul. A agricultura cresceu 70% no estado, principalmente na produção de grãos.

PARANÁ - Do agronegócio para a industrialização

Um dos fatores que explica o desempenho econômico do Paraná foi a diversificação da indústria paranaense nas últimas décadas. O polo automotivo do Estado é o terceiro maior do Brasil e as empresas paranaenses têm uma posição relevante em outras cadeias produtivas como alimentos, máquinas e equipamentos, energia e petroquímica. O Estado é o maior produtor e exportador de carne de aves e o segundo maior produtor de grãos do País.  Indicadores internacionais apontam que o Paraná tem hoje uma das melhores situações fiscais e financeiras do Brasil. O Estado foi eleito pela revista britânica The Economist como o segundo Estado mais competitivo do País, atrás apenas de São Paulo.

Segundo o governador Beto Richa, os estados poderiam ter maior capacidade de investimento, mas estão sobrecarregados com a queda de arrecadação e com a concentração excessiva de recursos no governo federal. “Os estados não aguentam mais a sobrecarga de responsabilidades que, historicamente, é repassada para eles sem a devida compensação financeira. “É preciso dar condição aos estados de se desenvolver, podendo fazer investimentos em infraestrutura e promovendo a geração de empregos a partir dos investimentos em construção civil, por exemplo”. No início do ano, o governo paranaense enfrentou um dos seus piores momentos, com uma paralisação e protestos violentos de professores da rede estadual e de servidores públicos do Paraná contra as mudanças da Paraná Previdência, com uma reação também violenta por parte da polícia militar. O assunto tomou a mídia e alimentou a polêmica nas redes sociais, demonstrando que os temas regionais rapidamente ganham repercussão nacional.

Ao final do ano, e em meio a um processo de agravamento da recessão econômica do país, o estado prevê para o próximo ano investimento recorde de R$ 6,8 bilhões em obras e ações de governo e comemora a antecipação do ajuste fiscal, que permitiu maior equilíbrio das contas e a recuperação da capacidade de investimentos. Segundo o governador Richa, o processo ainda não acabou. “Continuamos adotando ações administrativas para cortar gastos e economizar. Esse é um processo contínuo, de revisão diária, de racionalização das despesas”.

O Paraná está colocando em prática um programa de duplicação de rodovias considerado o maior dos últimos 25 anos no Estado. No total, são 699,2 km de rodovias em obras, prontas e em projeto, com investimentos de R$ 1,852 bilhão. A previsão é que mais R$ 2,4 bilhões sejam investidos em novas obras.

Atualmente existem no Paraná 13 grandes canteiros de obras, com mais de 36 frentes de serviços. Somente na rodovia do Café (BR-376), entre Ponta Grossa (Campos Gerais) e Apucarana (Norte), há três canteiros. A obra, orçada em R$ 1 bilhão, prevê a duplicação de 231 quilômetros. Estão em andamento também varias duplicações em perímetros urbanos. Desde 2014, foram entregues R$ 313 milhões em obras de duplicação.

Palavra do governador Beto Richa:“O Paraná não vai ficar paralisado pela crise”

Os ajustes fiscais feitos pelo governo, iniciados em 2014, garantiram que o Estado mantivesse seu índice de investimento. O Paraná manteve o crescimento econômico e seus programas estratégicos tiveram continuidade, melhorando o escoamento da produção -  em especial do agronegócio.  Na área de Infraestrutura, não houve paralisias. O Paraná comprou locomotivas, manteve o cronograma de obras nas rodovias e investiu pesado nos portos, com aquisição de novos shiploaders, que ampliaram o escoamento da safra brasileira. Para 2016, os investimentos continuam e vão aumentar diferentemente do restante do Brasil, somando mais de seis bilhões de reais. E apenas na área de infraestrutura serão mais de 2 bilhões, o maior investimento nominal dos últimos 20 anos.

Em 2015, o orçamento do setor de obras públicas (construção e ampliação de imóveis públicos), foi de R$ 459,99 milhões em 329 obras, sendo 67 da área de segurança, 78 da saúde e 45 em prédios para o setor social. No setor rodoviário, foram investidos pelo tesouro estadual R$ 512 milhões em obras de duplicação e pavimentação de rodovias, além da conservação. Também por meio de negociação e revisão de contratos de concessão rodoviária, o Estado incluiu nos contratos das concessionárias novas obras cujos investimentos somam R$ 457 milhões. Para 2016, a previsão é gastar R$ 1,2 bilhão em obras em rodovias.

Atualmente, estão em duplicação no Paraná, 362 quilômetros de rodovias e foram entregues neste ano 68 km. É o maior programa de duplicação rodoviária do Estado dos últimos 25 anos e a meta é abrir mais 280 quilômetros de obras de duplicação em 2016.

No setor ferroviário, a Ferroeste adquiriu sete locomotivas e 400 vagões, ampliando a sua capacidade de escoamento de grãos do Oeste do Estado ao Porto de Paranaguá. Com a aquisição de novos equipamentos, a meta é dobrar a capacidade de escoamento e aumentar em 50% o faturamento da empresa estatal, o que permitirá que a empresa possa ser saneada ainda em 2016, quitando dívidas acumuladas nos últimos 20 anos.

No setor portuário, o Estado investiu R$ 517 milhões no biênio 2014/2015. A previsão é investir quase R$ 500 milhões em 2016. Entre os avanços estão a aquisição de seis shiploaders, a reforma do cais de porto, a ampliação da área de armazenagem. Tudo feito sem recursos federais e sem a autorização do governo federal, necessária em função do marco regulatório. A administração portuária poderá dar autorização ainda em 2016 para investimentos de R$ 5 bilhões nos portos de Antonina e Paranaguá.