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GC nº 90Junho 2018 Matéria 12 de 13
Sumário
  1. EditorialReforma tributária tem que ter discussão nacional
  2. Jogo RápidoMinistério das Cidades anuncia 22 mil novas unidades do Minha Casa, Minha Vida
  3. Jogo RápidoObra do maior hospital de Macapá conta com escoramentos versáteis
  4. Jogo RápidoBrasil desperdiça metade da produção de Itaipu em três anos
  5. EnergiaUma nova agenda para o País
  6. Rodovias & ConcessõesUm caminho sem volta
  7. Rodovias & ConcessõesABCR: 20 ANOS DE HISTÓRIA
  8. Construção NavalSanto de casa faz milagre
  9. Especial Sobratema – Belo MonteBelo Monte, uma odisseia ainda longe do fim
  10. SaneamentoPassando o Rio a limpo
  11. Concreto HojeComo tornar o concreto de ultra-alto desempenho mais acessível?
  12. ArtigoPor uma política duradoura de longo prazo para as metrópoles
  13. Agenda 2018Um mercado muito aquecido
Artigo

Por uma política duradoura de longo prazo para as metrópoles

Exclusivo GC 25 de junho de 2018 · Edição 90

Alejandra Devecchi defende a reabilitação de edifícios antigos no centro de São Paulo, como alternativa para o grave déficit de moradias na região

Cidades da magnitude de São Paulo, Rio de Janeiro e outras metrópoles necessitam de uma política urbana pautada no adensamento demográfico das áreas concentradoras de emprego, com controle sobre o crescimento da mancha urbana e promovendo saídas mais inteligentes em relação à infraestrutura básica.

Hoje a mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo cresce o dobro do necessário para abrigar o crescimento populacional, provocando uma constante diminuição das densidades e impedindo investimentos eficientes em infraestrutura.

Para lidar com o atual problema urbano e habitacional em São Paulo, por exemplo, é preciso a formulação de uma política que permita adensamentos demográficos superiores a 400 habitantes/ha nas áreas concentradoras de emprego, por exemplo, enquanto os empregos se manifestam com densidades médias da ordem de 500 empregos/ha a 1000 empregos/ha na Avenida Paulista, as densidades demográficas nesses setores não passam de 150 habitantes/ha.

A população está dispersa por toda a mancha urbana com densidades demográficas médias da ordem de 100 habitantes/ha. Estas densidades menores não permitem investimentos em infraestrutura, havendo sempre necessidade de subsídios.,Hoje, na área central, haveria a possibilidade de aumentar o adensamento populacional de maneira a se ter ao menos um emprego para cada habitante, o que significaria ao menos quadruplicar o contingente populacional.

Além disso, nas metrópoles é imprescindível a criação de uma política pública urbanística que seja independente, ou seja, que não acabe por ser descontinuada e substituída a cada quatro anos no final de um mandato, o que é de praxe no Brasil.

Essa descontinuidade administrativa é um dos piores e mais graves entraves em relação ao planejamento das metrópoles, pois políticas urbanas e habitacionais necessitam de um trabalho em longo prazo, ou seja, são algo demorado e não há como melhorar a situação atual se cada governo eleito desarticula o que foi feito pelo anterior.

Outro ponto a ser lembrado é sobre o desafio na revitalização dos centros históricos, como o de São Paulo, por exemplo. Já houve a tentativa dessa revitalização, mas não há como se trazer vida para as zonas centrais se não houver moradores nessas regiões. Para se qualificar uma área central é necessário investir em habitação e não só em ferramentas culturais, pois o residente faz a cidade funcionar. Assim se ocupa e dá-se vida ao centro das metrópoles.

(*) Alejandra Devecchi é Gerente de Planejamento Urbano na empresa dinamarquesa Ramboll e coordenadora da dimensão de Infraestrutura do Projeto de Avaliação dos Programas Socioambientais e Socioeconômicos no processo de recuperação da Bacia do Rio Doce. Urbanista com sólida experiência na gestão e desenvolvimento de projetos de desenho urbano e planejamento urbano ambiental, além de forte atuação em processos referentes à formulação de políticas públicas, tendo desempenhado cargos públicos na SEHAB, CDHU e SVMA.