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GC nº 39Julho 2013 Matéria 1 de 21
Sumário
  1. EditorialInfraestrutura: sem projetos básicos prefeituras perdem financiamentos
  2. Jogo RápidoConfusão em Angra 3
  3. Jogo RápidoComeçam as obras do maior residencial da América do Sul
  4. Jogo RápidoProjeto brasileiro é classificado pela ONU como case sustentável
  5. Jogo RápidoR$ 9,75 bi para crédito imobiliário
  6. Jogo RápidoPrefeituras gaúchas recebem 94 retroescavadeiras Randon
  7. Jogo RápidoBritador de mandíbula Terex na construção do Porto Sudeste
  8. Jogo RápidoP-63 sai de estaleiro em Rio Grande
  9. Jogo RápidoWilson Sons Estaleiros vai construir mais três embarcações
  10. EntrevistaFalta de informação dificulta a recuperação da malha rodoviária
  11. Matéria De Capa - Mobilidade UrbanaLinha 5-Lilás: a redenção da Zona Sul
  12. Matéria De Capa - Mobilidade UrbanaMonotrilho: a nova aposta para as metrópoles brasileiras
  13. SaneamentoO maior projeto de saneamento do País
  14. SaneamentoAporte de R$ 508 bilhões até 2033 aquece mercado de saneamento
  15. RodoviasTamoios: um traçado mais "amigável"
  16. InternacionalAmérica Latina: foco na infraestrutura
  17. Momento ConstructionSchwing leva rapidez e economia para obras da vila dos atletas das olimpíadas de 2016
  18. LogísticaTAV deve gerar receita de R$ 244,2 bi para operadora
  19. Concreto HojeTecnologia dá um novo gás para o CO²
  20. ArtigoRefinarias: investimento estratégico para o país
  21. Enquete OnlineO uso do pré-moldado de concreto
Editorial

Infraestrutura: sem projetos básicos prefeituras perdem financiamentos

Exclusivo GC 29 de julho de 2013 · Edição 39
Infraestrutura: sem projetos básicos prefeituras perdem financiamentos

Embora o governo federal tenha anunciado que o período de 2012 a 2014 entraria para a história como marco na recuperação da infraestrutura brasileira, até o momento não vemos motivos para comemorar.  A prioridade do governo era aumentar os investimentos no setor para garantir competitividade e desenvolvimento, reduzindo custos de produção. Mas o que se observa, até então, é que os gastos federais em projetos de infraestrutura não aceleraram, na contramão do discurso oficial.

De acordo com a ONG Contas Abertas, até maio deste ano, o governo só havia conseguido aplicar R$ 16,5 bilhões em infraestrutura, de um total de R$ 140,3 bilhões reservados no Orçamento da União (cerca de 12% do previsto). Mesmo assim, o valor total aplicado, até aquela data, era maior do que o desembolsado em igual período nos anos de 2012 e 2011, quando R$ 14,9 bilhões e R$ 15,1 bilhões foram investidos, respectivamente, e menor do que foi aplicado em 2010 (R$ 17,3 bilhões).

Vários fatores explicam o atraso na liberação dos recursos. Entre eles, a falta de planejamento e o precário gerenciamento dos projetos. Durante o Construction Congresso, realizado pela Sobratema, de 5 a 7 de junho, em paralelo à Construction Expo 2013, a diretora do Departamento de Regulação e Gestão da Secretaria Nacional dos Transportes e Mobilidade, do Ministério das Cidades, Isabel Sales de Melo, fez um comunicado preocupante. Ela disse que parte dos recursos reservados a empreendimentos de mobilidade urbana não são liberados porque muitos municípios não conseguem sequer elaborar o projeto básico e executivo de engenharia. Por falta de estrutura técnico-profissional das prefeituras, o dinheiro fica parado no ministério, e quem sofre é a população.

Para a diretora, a situação é tão grave que o próprio governo tem procurado bancar os custos dos estudos e projetos, na esperança de destravar os processos.

Com a mesma intenção, os Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura (Crea) de diversas regiões estão oferecendo consultorias gratuitas às prefeituras, em empreendimentos para fins sociais. No Espírito Santo, por exemplo, o Crea indica os profissionais, paga as diárias de deslocamento até o município, enquanto as Prefeituras bancam a hora técnica e a hospedagem do profissional que cuidará da elaboração do projeto básico e de engenharia, análises dos impactos ambientais e cronogramas.

É como diz João Alberto Viol, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco): “a melhor contratação de uma obra pública é a realizada com base no projeto executivo, completo. Quando o governo contrata o projeto de um empreendimento público pela proposta que combina a melhor técnica e preço adequado, ele terá em mãos os ingredientes que permitem ter a obra sob seu inteiro controle”.

Países norte-americanos e europeus investem até 5 anos no planejamento e no desenvolvimento de projetos de qualidade. No Brasil, ao contrário, cada vez mais o governo aposta na contratação de projeto e obra num “pacote”, a cargo da construtora ou consórcio vencedor da licitação.

Apoiamos o Sinaenco em uma “campanha nacional” pela mudança da  política de contratação de obras públicas. Entendemos que as várias instâncias de governo devem manter, em seus editais, a exigência da apresentação de propostas com base no projeto executivo completo. Entendemos, também, que é fundamental e urgente a formação de quadros técnicos, junto ao poder público, para a elaboração dos projetos e formulação do planejamento a médio e longo prazos. Mas é necessário, também, dar agilidade aos processos de análise e aprovação, sem abrir mão do rigor e da transparência inerentes à administração dos recursos públicos.

Com isso ganham a engenharia brasileira, a sociedade e o País, que contará com uma infraestrutura de qualidade, sem atrasos, superfaturamento ou corrupção.