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GC nº 37Maio 2013 Matéria 1 de 29
Sumário
  1. EditorialDe onde viemos e para onde vamos
  2. Jogo RápidoMateriais de construção em alta em março
  3. Jogo RápidoMLX Distribuidora inaugura filial em Itajaí-SC
  4. Jogo RápidoBrasil é o 4ª do ranking mundial de green building
  5. Jogo RápidoGuindaste da Locar em operação na Arena Corinthians
  6. Jogo RápidoAmmann inaugura fábrica em Gravataí (RS)
  7. Jogo RápidoCraft investe na locação de equipamentos
  8. Jogo RápidoQualificando o trabalhador da Construção
  9. Jogo RápidoDirigíveis russos de olho no Brasil
  10. Jogo RápidoMiniescavadeira 8026 CTS da JCB chega ao Brasil
  11. Jogo RápidoMoviter expande atividades no Sul e Centro-Oeste do País
  12. Jogo RápidoEmpresários querem VLT de São Vicente maior
  13. Jogo RápidoNovo recorde de processamento de petróleo
  14. Jogo RápidoMais obras rodoviárias em São Paulo
  15. Jogo RápidoFoco no segmento de shopping centers
  16. Jogo RápidoPré-fabricados de concreto feitos no Ceará
  17. Jogo RápidoViracopos já atrai investidores
  18. Matéria De Capa - Porto MaravilhaPorto Maravilha: Engenharia propõe o diálogo entre o passado e futuro
  19. Matéria De Capa - Porto MaravilhaMuseu do Amanhã, uma viagem no tempo
  20. Matéria De Capa - Porto MaravilhaMuseu de Arte do Rio: como uma onda no mar
  21. EntrevistaEstá em jogo o modelo privado de gestão urbana
  22. Momento Construction - RentalRental: meta é ultrapassar barreira dos 30%
  23. Momento Construction - HabitaçãoPBQP-H é tema de palestra no Construction Congresso
  24. Construction Expo 2013 - PréviaConstruction Expo 2013: O Brasil na rota mundial da construção
  25. Mão De ObraAcidentes de trabalho: um Brasil fora da ordem
  26. Copa 2014Estádio Nacional de Brasília na reta final
  27. Concreto HojeConcreto faz história na construção de pontes por balanço sucessivo
  28. Enquete OnlineQualidade. O desafio de conciliar cumprimento de prazos, custos e gestão ambiental
  29. ArtigoPPPs: Como fazer investimentos públicos sem aumentar endividamento
Editorial

De onde viemos e para onde vamos

Exclusivo GC 16 de maio de 2013 · Edição 37
De onde viemos e para onde vamos

Esta edição de Grandes Construções destaca as obras do projeto Porto Maravilha, uma das maiores intervenções urbanas em execução no Brasil, que tem como objetivo revitalizar a Zona Portuária carioca, abandonada por várias décadas, para transformá-la em um novo modelo de gestão do espaço público.

Além dos aspectos técnicos das obras, dos enormes desafios e das soluções de engenharias encontradas, nos chama a atenção um aspecto que nesse empreendimento vem assumindo grande relevância: a descoberta de importantes sítios arqueológicos em diversos pontos do perímetro do projeto, na medida em que as obras avançam.

Foi assim com a descoberta do Cais do Valongo, porta de entrada no Brasil de cerca de meio milhão de africanos, entre 1811 e 1831, durante o período sombrio da escravidão. O ancoradouro de pedra permaneceu soterrado por mais de 168 anos, até ser redescoberto há pouco mais de um ano. Junto com ele foi desenterrado também o Cais da Imperatriz, uma espécie de upgrade realizado sobre o primeiro atracadouro, em 1843, para receber a futura imperatriz Teresa Cristina, que chegava da Itália para casar com D. Pedro II.

As obras permitiram ainda o encontro de vasto acervo, desde canhões de origem inglesa a utensílios domésticos, inteiros ou aos pedaços, objetos pessoais, artefatos e ossadas, tanto dos descendentes dos colonizadores portugueses quanto dos primeiros índios que habitaram a região, de 3 a 4 mil anos atrás. Tudo isso constitui um acervo riquíssimo, capaz de recontar aspectos da vida cotidiana, costumes e mentalidade dos primeiros habitantes da cidade.

Guardadas as devidas proporções, fatos semelhantes aconteceram durante as obras da terceira linha do metrô de Roma, na Itália, que resultaram na descoberta de nada menos que 38 sítios arqueológicos, muitos dos quais localizados sob ruas e avenidas movimentadas. Assim, foram desenterrados: uma fundição de cobre do Século VI; cozinhas medievais ainda equipadas com panelas e potes; restos de um palácio renascentista e até mesmo um auditório do Século II depois de Cristo, na praça Venezzia, a poucos metros do Coliseu.

A cada relíquia encontrada, as obras paravam. Saíam os operários e entravam em cena equipes de arqueólogos, historiadores e antropólogos, catalogando os achados, preservando os sítios históricos, muitas vezes recomendando mudanças no traçado da linha. Tudo isso representou vários meses de atrasos nas obras do metrô, mas os ganhos para a sociedade, e para a humanidade, de uma forma geral, foram extremamente compensatórios.

Tanto aqui como lá, é necessário destacar o papel da indústria da construção como agente de resgate de uma história que havia sido, literalmente, enterrada durante o processo civilizatório. Em vez de “passar o trator” sobre verdadeiros tesouros da humanidade, no esforço para construir cidades mais modernas, confortáveis e funcionais, a cadeia da construção, pode e deve atuar de forma responsável e sustentável, resgatando elementos significativos do patrimônio histórico cultural das regiões onde atua, tendo como referência básica o processo de ocupação da área e a consequente organização do espaço sociocultural.

Assim, a indústria da construção, tantas vezes associada à destruição do passado e à especulação predatória dos espaços urbanos, dá importante contribuição à promoção de diálogo entre o passado e o futuro, incorporando valiosas informações à Memória Nacional, nos ajudando a entender de onde viemos e para onde vamos.