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GC nº 91Jul/Ago 2018 Matéria 10 de 19
Sumário
  1. EditorialLei do Saneamento Básico completa dez anos sem motivos para comemorações
  2. Jogo RápidoTabelamento do frete deve causar impacto de R$ 3,3 bi sobre indústria paulista
  3. Jogo RápidoSobratema atualiza Programa Custo Horário, agora com 1.222 modelos de equipamentos
  4. Jogo RápidoTransações imobiliárias superam R$ 472 bi em todo o País
  5. Jogo RápidoCresce o número de empresas interessadas na privatização dos cemitérios paulistas
  6. Jogo RápidoSão Paulo despenca no mercado livre de energia para fontes limpas
  7. EntrevistaMenos política, mais critérios técnicos
  8. EntrevistaTempos de novos ventos ou de fortes tempestades?
  9. InfraestruturaSem destravar a infraestrutura, futuro do Brasil é incerto
  10. InfraestruturaCapital privado com um olho no peixe e outro no gato
  11. InfraestruturaPPI: BALANÇO DAS REALIZAÇÕES
  12. InfraestruturaPPPs: otimismo moderado
  13. SustentabilidadeSelo Verde para obras de infraestrutura
  14. ReciclagemReciclagem reduz impactos nos canteiros de obras
  15. MinerodutoGrandiosidade sob suspeita
  16. MinerodutoLinha do tempo de um desastre ambiental
  17. Concreto HojePropriedades regenerativas
  18. ArtigoMobilidade elétrica e energia solar fotovoltaica: tendências sinérgicas
  19. Agenda 2018Fórum Infraestrutura: por um novo projeto de Nação
Infraestrutura

Capital privado com um olho no peixe e outro no gato

Exclusivo GC 26 de julho de 2018 · Edição 91

O Brasil foi um dos cinco principais destinos de investimento estrangeiro e de fluxos privados nacionais, em 2017. No entanto, os investimentos estrangeiros para o País, por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões, recuaram drasticamente, nos últimos cinco anos: de US$ 59,2 bilhões em 2012, para US$ 7,3 bilhões em 2017. Os números estão no último relatório anual do Banco Mundial sobre o PPI. Segundo o documento, o segmento que mais tem atraído o interesse da iniciativa privada é o da energia renovável, com 58,82%. Na sequência vem Rodovias, com 52,94%. O maior recuo foi no setor de Aeroportos, que caiu de 48,4% para 32,35%. Em parte, esse desinteresse se explica com os impactos negativos causados no mercado pelo pedido de devolução dos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP) e Congonhas (MG).

Apesar dos pequenos avanços observados com a criação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), em maio de 2016, pelo Governo Federal, não foi possível observar um aumento expressivo nesse fluxo de recursos privados. Tampouco o programa se mostrou capaz de perenizar políticas públicas para o setor. Se a ideia era garantir um ambiente propício para a expansão da infraestrutura por meio de parcerias com o setor privado, envolvendo os diversos entes do Estado, faltou, no mínimo, entendimento entre todos os players do poder público.

O novo modelo, tanto no que diz respeito ao marco regulatório quanto ao processo de aprovação dos projetos qualificados, não trouxe a previsibilidade, agilidade e segurança esperados. Até hoje, o governo só pode leiloar 10 dos 40 empreendimentos submetidos ao Tribunal de Contas da União (TCU), garantindo menos de 10% dos investimentos planejados. O restante foi travado pelo Tribunal.

Os 10 projetos liberados garantiram investimentos estimados em R$ 8,2 bilhões, contra os R$ 82,9 bilhões esperados com toda a carteira de projetos.

A equipe econômica do governo, que conta com R$ 22 bilhões em receita de concessões no Orçamento deste ano, assegura que os projetos estão maduros, que há interessados e que o modelo adotado é consistente. Mas teme que o cronograma não seja cumprido devido aos questionamentos do TCU.

Os ministros do Tribunal, por sua vez, afirmam que, como cada concessão tem seus detalhes, cada projeto será analisado isoladamente. Afinal, o diabo mora nos detalhes. Eles lembram que o TCU tem a função, prevista na Constituição Federal, de exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União. Mas que não trabalha para o PPI.

Os planos de renovação de concessões de ferrovias e terminais portuários, que destravariam investimentos da ordem de R$ 55 bilhões, são os que têm encontrado maior resistência por parte do TCU. Um deles, reconhecido como o mais emblemático para o País está prestes a ter seu edital publicado: a Ferrovia Norte-Sul, que depende de análise final no Tribunal de Contas da União (TCU).

Mas o TCU não é a única pedra no caminho do PPI. Recentemente, o Superior Tribunal Federal (STF), através do ministro Ricardo Levandowsky, deferiu uma liminar determinando que a venda de ações de empresas públicas, sociedades de economia mista ou de suas subsidiárias e controladas, sejam submetidas à prévia autorização do Congresso Nacional, sempre que envolver a alienação do controle acionário.

O ministro decidiu que a dispensa de licitação só pode ser aplicada à venda de ações que não importem a perda desse controle.

A liminar atendeu a uma ação direta de inconstitucionalidade movida, em 2016, pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Na prática, a decisão derruba todo o plano de privatização dos ativos estratégicos da Petrobrás, Eletrobrás, Embraer e outras estatais ou empresas de economia mista. Pode, Inclusive, ser usada para reverter concessões já realizadas, como as dos campos de petróleo do pré-sal.

Na última rodada de leilões do pré-sal, realizada no início de junho, quatro blocos foram ofertados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Desses quatro, três foram arrematados e vão gerar investimentos superiores a R$ 700 milhões. O bônus de assinatura ultrapassou os R$ 3 bilhões. A quarta área, de Itaimbezinho, foi a única que não obteve proposta. Uirapuru teve quatro propostas e Três Marias, duas. Dois Irmãos teve apenas uma proposta e foi arrematado pelo consórcio liderado pela Petrobras.

Os consórcios vencedores são formados pelas estrangeiras Statoil, ExxonMobil, Petrogal, BP Energy, Shell e Chevron.

A ANP recebeu 16 inscrições para esta, que foi a quarta rodada de Partilha da Produção, número recorde para rodadas nesse regime. As empresas inscritas estão entre as maiores do setor de petróleo e gás no mundo.

Veja a seguir um balanço da situação do PPI, até o final de junho de 2018.

PRIMEIRO LEILÃO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA EM 2018 TEVE DESÁGIO DE 74%

Em uma seção tumultuada, interrompida por cerca de sete horas, por força de decisão judicial, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promoveu, em 28 de junho, em São Paulo, o primeiro leilão do ano para construção e operação de novas linhas de transmissão de energia no Brasil. Apesar de tenso, o leilão teve resultados surpreendentes. Os investidores ofereceram deságios recordes frente à receita máxima estabelecida para os projetos, que chegaram a 74%. No total, 47 empresas e consórcios se inscreveram para participar da disputa, que envolveu 2,6 mil km de linhas de transmissão e subestações em 16 Estados do País. No total, os empreendimentos vão exigir investimentos de R$ 6 bilhões e gerar aproximadamente 13,6 mil empregos. Há, ainda, a expectativa de que o consumidor venha a pagar menos pelo consumo de energia.

A disputa envolveu algumas das mais conhecidas empresas do setor, como Taesa, Cteep, CPFL e Energisa, além de com outras desconhecidas, como Zapone Engenharia e IG Transmissão e Distribuição – empresa de construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica. A grande vencedora, no entanto, foi a indiana Sterlite, que estreou no Brasil no ano passado. Dos 20 lotes ofertados, a empresa ficou com seis, que deverão exigir investimentos de R$ 3,6 bilhões. Os empreendimentos deverão entrar em operação no prazo de 36 a 63 meses, a partir da assinatura dos contratos de concessão.

A concessão do serviço inclui a construção, montagem, operação e manutenção das instalações de transmissão.

Novos players

Outra estrela do certame foi a Cteep, controlada pela colombiana ISA, que ofertou o maior deságio do leilão: 73,92%, pelo lote 10. Ela se propôs a receber uma receita anual de R$ 38,8 milhões por um lote de empreendimentos com investimento de R$ 237,9 milhões, localizados em São Paulo.

Os lotes leiloados representam 12.230 megavolt-amperes (MVA) de expansão da capacidade de instalações e 2.560 km de linhas de transmissão, distribuídas em 16 estados: Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Sergipe, Alagoas, São Paulo, Tocantins, Goiás, Rio Grande do Sul, Pará, Piauí, Maranhão e Minas Gerais.

Nesse tipo de leilão, vence a disputa a empresa que aceita receber a menor receita anual permitida. Essa receita é paga por todos os consumidores, por meio da conta de luz. O concessionário será remunerado por 30 anos pela prestação do serviço.

Segundo a Aneel, o desconto médio do leilão chegou a 55,26%, o maior dos últimos 20 anos. O diretor da agência, André Pepitone destacou que o deságio resultará em uma economia para o consumidor de R$ 14,17 bilhões. “O sucesso desse leilão reflete a confiança dos investidores no setor elétrico brasileiro”, disse.

GOVERNO INCLUI MAOS 14 PROJETOS NO PPI

Em reunião ocorrida em 2 de junho, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) incluiu mais 14 empreendimentos em seus projetos de concessões: o Ferroanel de São Paulo; a 5ª Rodada de Partilha do Pré-Sal; a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico);dez linhas de transmissão de energia e trechos de rodovias federais em Santa Catarina. Esses projetos respondem por cerca de R$ 100 bilhões de investimentos, segundo o ministro da Secretaria-Geral, Ronaldo Fonseca. Além da inclusão de novos projetos, foram aprovados o Plano Nacional de Logística (PNL) e as definições da reestruturação para o setor ferroviário.

O CPPI também aprovou a modelagem (regras para a concessão) da Ferrovia Norte-Sul e das Rodovias de Integração Sul. De acordo com o PPI, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) deverá proporcionar a ligação do estado do Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul. Inicialmente, vai ligar o município de Água Boa (MT) a Campinorte (GO).

O Ferroanel Norte será um ramal ferroviário de 53 km que vai desviar os trens de carga que hoje dividem os trilhos com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Na 5ª Rodada de Partilha do Pré-Sal, serão ofertadas as áreas chamados Saturno, Titã, Pau-Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde.

A proposta de concessão dos trechos das rodovias federais engloba o trecho que vai de Navegantes à divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, totalizando 515 quilômetros e inclui as estradas BR-470, BR-282 e BR-153.