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GC nº 18Agosto 2011 Matéria 22 de 22
Sumário
  1. EditorialÉ preciso repensar as nossas cidades
  2. Jogo RápidoMills amplia investimentos para R$ 432,7 milhões em 2011
  3. Jogo RápidoComplexo hoteleiro será erguido em Barueri (SP)
  4. Jogo RápidoOAB ajuizará ação contra Angra 3
  5. Jogo RápidoGeradora está entre as 100 maiores do mundo
  6. Jogo RápidoProtótipo da Caterpillar
  7. Jogo RápidoAeroporto de Brasília recebe Licença Ambiental Prévia para obras de ampliação
  8. Jogo RápidoDefinido sistema de transmissão para complexo de hidrelétricas do Mato Grosso
  9. Jogo RápidoConcessões de 114 hidrelétricas serão revistas
  10. Jogo RápidoMerlo é a mais nova marca representada pela BMC
  11. Jogo RápidoBombardier fornecerá trens para o monotrilho de São Paulo
  12. EntrevistaFuturo no presente
  13. Especial - Usina Hidrelétrica De Belo MonteChegam as primeiras máquinas a Belo Monte e obras iniciam em ritmo acelerado
  14. Especial - Usina Hidrelétrica De Belo MonteRedução dos impactos socioambientais
  15. Especial - Usina Hidrelétrica De Belo MonteEquipamentos e montagem eletromecânica de Belo Monte vão gerar 11 mil empregos diretos
  16. Construction Expo 2011Construction Expo celebra maturidade da indústria da construção no Brasil
  17. Construction Expo 2011Congresso promove discussões de temas atuais e inquietantes
  18. Construction Expo 2011Construção industrializada em concreto é solução rápida, eficiente e limpa
  19. Petróleo E GásPetrobras fecha novos contratos para obras e serviços do Comperj
  20. TecnologiaSoluções rápidas em curto prazo
  21. Métrica IndustrialMercado de tintas: mercado deve manter tendência de crescimento, mas em menor grau
  22. ArtigoAlô, Rio, ainda dá tempo
Artigo

Alô, Rio, ainda dá tempo

Trem adquirido pela Supervia, com parte mecânica da coreana Rotem e parte elétrica da japonesa Toshiba

Exclusivo GC 26 de setembro de 2011 · Edição 18

O estado do Rio de Janeiro está diante de uma grande oportunidade para aumentar seu parque industrial: em setembro próximo, a Secretaria de Transporte estará abrindo licitação internacional para a compra de 60 trens de quatro carros para a Supervia. Em seguida, a própria (hoje controlada pela Odebrecht Transport) vai encomendar mais 30 trens, também de quatro carros, somando 90 trens ou 360 carros. Encomenda para fabricante nenhum botar defeito.

Poderíamos perfeitamente fabricar os trens no estado do Rio de Janeiro, com mão de obra e insumos brasileiros. O Brasil tem tecnologia, mão de obra e capacidade para fabricar trens elétricos desde a década de 70, como aliás, fazia a extinta Cia. Industrial Santa Matilde, em Três Rios. Se não fabricar tudo, pelo menos parte. O que o estado do Rio de Janeiro não pode – ou melhor, não deve – é continuar comprando trens embrulhados da Coreia, como fez em 2005, ou da China, como em 2008.

Quando o governo de São Paulo fez compra semelhante, em 2008, para a CPTM e o Metrô, optou por criar na licitação margem de preferência de 15% em favor de equipamento fabricado no Brasil. Isso bastou para que o vencedor da concorrência, uma empresa espanhola, até então ausente do país, construísse em Hortolândia , perto de Campinas, uma fábrica novinha em folha, que hoje emprega 1.300 homens e fabrica 65% do valor dos trens. De espanhóis trabalhando na fábrica há, ainda,

20 técnicos para treinar os brasileiros. Todos voltarão à Espanha em pouco tempo.

Tanto em São Paulo como no Rio, a compra é financiada pelo Banco Mundial, que nas suas regras exige concorrência internacional, mas permite a preferência dos 15%. Só que o governo do Rio de Janeiro não quer nem ouvir falar de preferência, apesar dos insistentes pleitos da indústria nacional. Prefere fazer o negócio ao preço mais baixo possível, ou seja, na China, grande fornecedora de trens elétricos, guarda-chuvas e luzinhas de natal, e ficar com o troco do financiamento do Banco Mundial para comprar mais trens adiante.

Nos últimos 30 dias foi anunciada a construção de quatro fábricas de material ferroviário no Brasil: uma de locomotivas em Sete Lagoas (MG), uma de trens elétricos em Araraquara (SP), uma de freios em Itupeva (SP), e até uma de monotrilhos em Campo Grande (RJ). O país está atravessando um verdadeiro renascimento do transporte ferroviário, impulsionado pela saturação dos demais meios de transporte, pela questão ambiental e pelo avanço tecnológico na construção de material ferroviário. Não é só um fenômeno brasileiro, mas está acontecendo nos Estados Unidos e na China.

Os 60 + 30 trens da  Supervia valem perto de 900 milhões de dólares, dinheiro mais do que suficiente para investir numa nova fábrica no estado. Se o governo não fizer nada, todo esse valor e os empregos vão ficar na China mesmo, mais exatamente em Changchun, onde a Changchun Railway Vehicles está fabricando os 34 trens vendidos há dois anos para a mesma Supervia.

Nada contra trens chineses. Ainda não começamos a usá-los no Brasil, mas até provar contrário, são tão bons como qualquer outro (espero). Então, se compramos tanto deles, porque não vêm fabricar aqui? Não foi assim que a indústria automobilística brasileira foi criada?

Não parece haver objeção do lado dos chineses. Eles já estão assinando protocolos de intenção com a indústria brasileira, preparando possíveis joint ventures. Nem haveria objeção do Banco Mundial, que aceitaria a preferência dos 15% para fabricação no Brasil. O governo do estado ainda pode mudar o jogo se perceber a oportunidade.

 

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