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GC nº 16Junho 2011 Matéria 20 de 23
Sumário
  1. EditorialMercado imobiliário: vigor e "dores do crescimento"
  2. Jogo RápidoWTorre recebe o “Oscar” da Construção Imobiliária
  3. Jogo RápidoVLT de Fortaleza entra em fase de teste
  4. Jogo RápidoNovo semipesado Scania
  5. Jogo RápidoProcura-se engenheiros e técnicos
  6. Jogo RápidoAs maiores plataformas aéreas do mundo
  7. Jogo RápidoLLX obtém licença para parque de tancagem de petróleo
  8. Jogo RápidoConcremat investe R$ 1,5 milhão em laboratório para a construção civil
  9. Jogo RápidoBrasil Máquinas anuncia fábrica da Hyundai no País
  10. Jogo RápidoCase na remoção de cinzas na Argentina
  11. Jogo RápidoVicente Abate é reeleito presidente da ABIFER
  12. Jogo RápidoSalas de aula nos canteiros
  13. EntrevistaMercado registra um salto de R$ 4 bi para R$ 85 bi por ano
  14. Especial Construção ImobiliáriaIndústria a todo o vapor e sem sinal de que vai desacelerar
  15. Especial Construção ImobiliáriaConstrutoras brasileiras entre as 10 maiores das Américas
  16. Especial Construção ImobiliáriaPrograma habitacional do governo federal é revisto e ampliado
  17. Especial Construção ImobiliáriaEmpresa se especializa e cresce com foco no segmento popular
  18. Especial Construção ImobiliáriaShopping Centers se multiplicam no conceito de complexos multiuso
  19. AeroportosAeroportos no Brasil, uma difícil decolagem
  20. Métrica IndustrialAeroportos pensando de forma diferenciada
  21. Questionário OnlinePesquisas online
  22. Máquinas E EquipamentosNew Holland apresenta 14 novos modelos
  23. ArtigoDesafios do Mercado Imobiliário
Métrica Industrial

Aeroportos pensando de forma diferenciada

Brasil tem exemplos positivos, apesar do compasso de espera que predomina no setor aereoportuário

Exclusivo GC 15 de julho de 2011 · Edição 16
Aeroportos pensando de forma diferenciada

Nessa primeira semana de julho o escritor (e também piloto) Ivan Sant’Anna lançou o livro Perda Total, relato dos acidentes com o Fokker 100, da TAM, em 1996, do Gol, em choque com o Legacy sobre o céu da Amazônia, em 2006, e do Airbus, também da TAM, no aeroporto de Congonhas, em 2007. Os dois últimos marcaram, infelizmente, o auge do que ficou conhecido como apagão ou caos aéreo.

Nos dois acontecimentos mais recentes fica patente a realidade deficiente da infraestrutura aeroportuária brasileira, desde a formação e reciclagem dos controladores de vôo à inspeção das obras. No Métrica anterior, trouxemos dados de especialistas indicando que é provável que os aeroportos não “decolem” para a Copa de 2014, com resultados muito além do constrangimento internacional.

Nessa edição, gostaríamos de destacar o recente artigo do consultor José Wilson Massa, palestrante assíduo de eventos especializados, caso dos seminários da Viex Americas, um dos fóruns mais produtivos de discussão a respeito da infraestrutura aeroportuária brasileira.

Publicado em junho de 2011, o artigo de Massa retoma os dados que tínhamos destacado na edição passada, confirmando a enorme concentração de operações nas mãos da Infraero. Segundo ele, dos 742 aeródromos públicos, ou seja, aqueles que podem cobrar tarifas, 20% apresentam operações de vôos regulares, somando 149 instalações. Porém, 67 desse total respondem por 97% da movimentação de passageiros e cargas da aviação civil. Prova da concentração é o fato de que apenas 3% dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros são atendidos por vôos regulares. Para o consultor, a palavra de ordem é desconcentração. Ele não se foca na escolha entre administração pública ou concessão de aeroportos, mas nas iniciativas que tem como meta a desconcentração.

E o Estado de Minas Gerais, quem não tem porto, mas tem aeroportos, é visto como exemplo. O chamado Programa Aeroportuário do Estado de Minas Gerais (ProAero), criado e executado pela Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas, tem uma meta arrojada: conseguir com que 92% dos municípios do Estado estejam distantes em até 80 km – via rodovia pavimentada – de um aeroporto que funcione dia e noite. Os investimentos do ProAero, de acordo com Massa já teriam totalizado R$ 200 milhões, concentrados em 160 aeroportos mineiros.

A mesma tendência de desconcentração pautou a transferência dos vôos do aeroporto de Pampulha, o “Congonhas de Belo Horizonte”, para o de Confins, uma infraestrutura que poderia absorver 5 milhões de passageiros por ano já em 2003, mas que só operava com menos de 10% de sua capacidade naquela data. Com a transferência de vôos e melhoria da infraestrutura de ligação desse aeroporto ao centro da capital mineira, inclusive à Pampulha e ao terminal rodoviário, Confins teria fechado 2010 com uma movimentação superior a 7 milhões de passageiros, além de sediar um projeto arrojado de “aeroporto-indústria”, criando uma estrutura de produção e exportação em seu entorno. Resultado: em meio a tantas críticas e iniciativas questionáveis, o Brasil tem um exemplo que precisa ser seguido.

O que está acontecendo em Minas Gerais tem modalidades ainda mais arrojadas, como é o caso do das chamadas Airport Cities, cujo conceito foi apresentado pela Aport, joint-venture formada pelo Zurich Airport, pela empresa chilena Gestión e Ingeniería IDC e pela brasileira Camargo Corrêa. A Aport já opera aeroportos em cinco países, por meio de concessões, gerenciamento e contratos de operação. Sob sua responsabilidade estão a movimentação de 16 milhões de passageiros por ano e o gerenciamento de uma infraestrutura de estacionamento para 1,1 milhão de veículos/ano.

Na avaliação da joint-venture, as airport cities são um hub ou concentrador, servido por inúmeros modais e base da empresa aérea nacional e atendendo várias cidades no seu entorno.  Além das instalações obrigatórias, uma airport city agregaria hotéis, shopping centers, complexos de escritório e tantas outras iniciativas economicamente possíveis e previamente planejadas.

O projeto The Circle, de Zurich, com uma área construída de 37 mil m2, ao lado do aeroporto da cidade suíça, é apenas a ponta de lança mais sofisticada desse tipo de empreendimento. Atrações culturais e uma infraestrutura de centro de compras e escritórios devem se transformar em âncora para presença e posicionamento de marcas internacionais. Vizinho do aeroporto e ligado sinergicamente a ele, mas não sob sua jurisdição, The Circle ganha com os modais que servem o aeroporto, mas não fica engessada pela regras estritas de segurança que o regem.

Assim como mostra o exemplo de Minas Gerais, o Brasil necessariamente não precisa de um projeto top de linha nesse momento. Mas pode começar com a desconcentração de sua aviação, avançando – com iniciativas públicas e privadas – para projetos arrojados. Basta investir em círculos virtuosos, como os destacados por Massa.