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GC nº 84Outubro 2017 Matéria 1 de 21
Sumário
  1. EditorialSetor eólico enfrenta ventos contrários
  2. Jogo RápidoObras do Viaduto das Valquírias avançam
  3. Jogo RápidoVolvo entrega compactador de solo para o Exército brasileiro
  4. Jogo RápidoADIT Brasil abre inscrições para o Complan Tech
  5. Jogo RápidoSuez adquire a GE Water & Process Technologies
  6. Jogo RápidoCNH Industrial Parts & Service lança site para a linha de peças Nexpro
  7. Jogo RápidoConcurso Cultural Sobratema 30 anos
  8. EntrevistaRodovias de concreto: o custo da eficiência
  9. EntrevistaPavimento de concreto gera economia de combustível e segurança ao usuário
  10. EntrevistaEm busca do super-pavimento de concreto
  11. RodoviasA meta é ampliar a segurança e o conforto dos usuários
  12. RetrofitPalácio Tangará, um hotel para “cabeças coroadas”
  13. Tecnologia ConstrutivaArranha-céu de madeira
  14. Planejamento UrbanoResgatando a qualidade de vida do lodo
  15. AeroportosFora da rota
  16. SaneamentoBrasil vive aparteid do saneamento
  17. SaneamentoObra quase pronta vai garantir abastecimento da capital paulista
  18. Momento ExpoGRANDES EXPECTATIVAS
  19. Concreto HojeEsgoto rende voto sim
  20. ArtigoImpacto dos pássaros nas edificações, como diminuir?
  21. Agenda 2017Tendências no Mercado da Construção 2017
Editorial

Setor eólico enfrenta ventos contrários

Exclusivo GC 3 de novembro de 2017 · Edição 84

O Brasil está colhendo uma excelente “safra” de ventos. No mês de agosto, a geração de energia eólica atingiu a participação de 10% na matriz elétrica brasileira, com 5.825 MWmédios. Foi a primeira vez que esta fonte alternativa atingiu dois dígitos de representação na matriz, segundo o Boletim de Dados Mensais da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), de outubro de 2017.

Este marco emblemático é consequência da instalação de 400 parques eólicos, somando um total de 5.200 aerogeradores, o que resulta em 10 GW de capacidade instalada. E confirma a expectativa de que o Brasil possui umas das melhores condições de vento do mundo, além de uma enorme vocação para desenvolvimento de energia sustentável.

Os números, que representam um novo patamar para o setor, inserem o Nordeste brasileiro no mapa mundial dos ventos. É de lá que sai a grande força de produção para o País. O Rio Grande do Norte é o maior produtor nacional, com 1.227 MW médios em 2017, aumento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida vem a Bahia, com 819 MW médios produzidos (+30%). O Ceará ocupa a quarta posição, com 494 MW médios (1,3%), ficando atrás do Rio Grande do Sul, que alcançou 565,6 MW médios (16,3%).

O cenário é muito promissor, com grande potencial de crescimento e geração de negócios. Mas o setor enfrenta ventos contrários que vêm justamente de quem deveria criar as condições necessárias para o seu desenvolvimento: o governo federal.

As empresas de energia eólica estão apreensivas com a falta de definição das datas dos leilões e a ausência de regularidade nos pleitos tem desanimado investidores internacionais. Em dezembro do ano passado, o Leilão de Reserva (2º LER 2016), para contratação de energia eólica e solar, foi cancelado poucos dias antes de sua realização causando grande frustração e desconforto no mercado. Este pleito representava uma grande sustentação para a cadeia, com previsão de injetar mais R$ 8 bilhões em investimentos e gerar pelo menos 15 mil empregos.

Sem novas contratações de energia, o setor não se sustenta. Desde a suspensão do leilão de dezembro, empresas do setor de energia eólica e solar congelaram seus planos de investimento. A chinesa BYD, por exemplo, aguarda um novo certame para investir entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões na expansão de sua fábrica de painéis solares em Campinas (SP).

No Ceará, onde toda uma cadeia produtiva de equipamentos e insumos está envolvida no atendimento aos projetos já em execução, a perspectiva é de que faltarão encomendas, causando o fechamento de várias empresas a partir do próximo ano. A Bahia, por sua vez, corre o risco de deixar de atrair até R$ 2 bilhões em investimentos, em cada um dos 164 projetos de energia eólica e solar, previstos para serem executados nos próximos anos. Cada novo parque gera, pelo menos, 3 mil empregos na fase de construção.

Não podemos esquecer que novas fronteiras eólicas estão surgindo no mundo todos os dias. E que há bons ventos também em outros países, aptos a atrair o interesse dos investidores internacionais.

A falta de uma agenda de governo para o setor tem repercussão internacional e compromete a atratividade do país. É preciso segurança e confiabilidade no planejamento do setor, bem como a definição de uma política de governo de longo prazo, para que todos os atores deste mercado consigam desenvolver os melhores projetos para o Brasil.