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GC nº 77Março 2017 Matéria 21 de 22
Sumário
  1. EditorialA supersafra e o gargalo logístico
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoSão Paulo abre agenda positiva com nova rodada de concessões
  4. Jogo RápidoSobratema e Messe München anunciam parceria inédita
  5. Jogo RápidoPedro Machado toma posse como presidente da AEAMESP
  6. Jogo RápidoMRV Engenharia já investiu R$ 192 milhões em urbanização
  7. Jogo RápidoConstrutora Passarelli à frente do Cinturão das Águas, no Ceará
  8. Jogo RápidoCase apresenta novas máquinas na Conexpo 2017
  9. Jogo RápidoEngenharia nacional não abre mão de atuar nas obras da Petrobras
  10. Jogo RápidoTamoios iluminada
  11. Memória Da EngenhariaCala-se a voz da construção
  12. EntrevistaPróxima parada: Aeroporto
  13. Mobilidade UrbanaUm trem para o aeroporto
  14. Mobilidade UrbanaLinha 2 do Metrô de Salvador começou a funcionar
  15. ConcessõesIndústria ferroviária aposta na renovação de concessões em 2017
  16. Saneamento20 consórcios disputam seis concessões
  17. SegurosSeguro-garantia em concessão e PPPs
  18. Smart CityA cidade do futuro tem sotaque cearense
  19. Momento ExpoNovidades para o profissional da construção
  20. Concreto HojeTelebelts garantem concretagens complexas em hidrelétrica canadense
  21. ArtigoPara entender as startups
  22. Agenda 2017Sobratema Workshop – Novas Práticas de Manutenção no Cenário Atual
Artigo

Para entender as startups

Exclusivo GC 20 de março de 2017 · Edição 77

Afinal, o que são as tão faladas e aclamadas startups?

Começo descrevendo o que não é uma startup.

Uber não é uma startup.  Foi uma startup há quase uma década, mas, agora é uma corporação.

Aquela ideia maluca do seu vizinho de enviar o homem para a lua usando ondas eletromagnéticas  também não é uma startup.

Aquela nova lojinha de sabonetes orgânicos e sem composição animal na formula também não é uma startup.

Uma startup é, em seu conceito original, essencialmente uma instituição (grupo de pessoas, CNPJ, marca, ou algo que os represente) que opera em ambiente de alta incerteza entregando valor para alguém e que tem a tendência de crescimento acelerado. É uma entidade amorfa que muda o tempo todo de produto, de modelo, e até de mercados, aprendendo durante seu tempo de vida todos os dias a fim de tentar encontrar e atingir a melhor configuração que a permita atender um número gigante de usuários e clientes, atingindo o que chamamos “escala”.

Uma startup pode ser um novo meio de pagamento que funciona através de uma nova forma de encriptar dados da transação financeira, ou uma empresa que vende um novo tipo de motor 30% mais eficiente ou uma rede global de co-workings.

Muitas startups têm como tecnologia seu diferencial competitivo, sua barreira de entrada ou simplesmente sua plataforma de negócios. Nem toda startup se vale de uma nova tecnologia. Nem toda startup tem um modelo de negócio novo. Mas tem que ter, pelo menos, uma dessas duas características ou as duas ao mesmo tempo.  Minha especialidade são as startups (e novos negócios) de base tecnológica, ou seja, aquelas startups que têm uma tecnologia  nova por trás de seus negócios. E, mais especialmente, aquelas que trabalham com tecnologias exponenciais ou tecnologias em aceleração.

Agora irei tomar um minuto do nosso texto para desmistificar a tecnologia, antes de explicar o que são tecnologias exponenciais. Tecnologia não é algo brilhante, que pisca e que vem do exterior. Não é algo misterioso a que não temos acesso. Não é algo fabricado por alguma empresa multinacional e nem algo que venha de um laboratório ultra secreto de um governo qualquer.

Tecnologia é tudo aquilo que foi inventado pelo ser humano como ferramenta e técnica para melhorar a qualidade de vida humana ou atender algum interesse humano. Tecnologia, às vezes, tem todos os componentes acima, mas não é isso que a define. E, a partir da definição de que tecnologia é tudo aquilo que o ser humano inventa para resolver um problema, podemos ter várias soluções que resolvam as questões mais críticas da humanidade, com ferramentas sendo criadas em todos os cantos do mundo, para todas as indústrias, inclusive para a construção civil.

Então, afinal, o que são as tecnologias exponenciais? Tecnologias exponenciais ou em aceleração são todas aquelas que, de alguma forma, seguem a Lei de Moore. A Lei de Moore estabelece que essas tecnologias diminuam custos e melhorem de performance a cada 18 ou 24 meses. Parece que não, mas as conhecemos muito de perto, na forma dos nossos computadores e celulares que convivem conosco todos os dias. Aliás, foi a computação que deu origem ao processo de digitalização das economias - que é, sem dúvida a macro tendência mais forte das últimas décadas – e que serve de base para todas as outras exponenciais. Exemplos de tecnologias exponenciais incluem sensoreamento, impressão 3D, internet das coisas, nanotecnologia, realidade aumentada, realidade virtual, biotecnologia, robótica e inteligência artificial.

Finalmente agora podemos falar do impacto que essas empresas estão trazendo para os setores mais importantes de nossas economias, as chamadas indústrias duras: manufatura, construção civil, óleo e gás, agricultura, logística, estão todas sujeitas a essa onda de transformações causadas por novas tecnologias ou modelos de negócios. E estas transformações estão mais perto do que imaginamos.

Um exemplo para mim que se coloca como um dos mais emblemáticos desta grande onda é a Airbus. Tradicional empresa fabricante de aviões comerciais, tem em seus aviões mais de 65 mil peças fabricadas com manufatura avançada e aditiva, a tal impressão 3D.

As impressoras 3D não são apenas aquelas máquinas que colocam camadas de plástico umas sob as outras para fazer pequenos protótipos e modelos de algo que iremos construir mais adiante com outros processos.

Estamos entrando verdadeiramente na era da manufatura digital.

Aniele Guedes é CEO da Urban3D S/A