Newsletter
Início› Exclusivo› Edição 6 ← Voltar à edição
GC nº 6Julho 2010 Matéria 1 de 25
Sumário
  1. EditorialPAC Favelas: inclusão social ou “obras para inglês ver”?
  2. Jogo RápidoConsórcio MAG inicia estudo de projeto para a ampliação do Aeroporto de Cumbica
  3. Jogo RápidoEscola LIEBHERR de operadores de gruas
  4. Jogo RápidoLLX contrata obras e equipamento para Porto Sudeste
  5. Jogo RápidoCASE cria serviço de gerenciamento de frota via web
  6. Jogo RápidoNEW HOLLAND fornece 124 máquinas ao governo de Minas
  7. Jogo RápidoSANTA BÁRBARA executará obras de novo hospital em BH
  8. Jogo RápidoEletrobras internacional
  9. Jogo RápidoReconhecimento e Gratidão
  10. Jogo RápidoPerdendo a corrida contra o tempo
  11. Jogo RápidoANDRADE e VIA vencem licitação do Estádio de Brasília
  12. Jogo RápidoPETROBRAS e GE assinam contrato de US$ 160 milhões
  13. Urbanização De FavelasNo céu do Alemão
  14. Urbanização De FavelasEngenharia sobe os morros do Rio para reconstruir cidadania
  15. EntrevistaA inclusão das favelas
  16. PerfilPioneiro do Concreto no Brasil
  17. Concrete Show 2010Novas tecnologias para atender a um mercado aquecido
  18. Métrica Industrial - Pré-Fabricado AbcicPré-fabricado de concreto: um mercado sólido
  19. ArtigoEmpreendedores, sustentabilidade e pré fabricados em concreto
  20. EnergiaHidrelétrica Serra do Facão entra em operação
  21. EnergiaIniciada instalação de turbinas na UH de Estreito
  22. SaneamentoSaneamento em Paranaguá (PR) é exemplo de parceria com setor privado
  23. Saneamento IiPrazo curto e canteiros avançados
  24. Máquinas E EquipamentosNova filial reforça importância de Minas Gerais na estratégia da Trimak e da Terex
  25. AgendaWorldcup Infrastructure Summit 2
Editorial

PAC Favelas: inclusão social ou “obras para inglês ver”?

Exclusivo GC 6 de agosto de 2010 · Edição 6
PAC Favelas: inclusão social ou “obras para inglês ver”?

A reportagem da revista Grandes Construções subiu o Morro do Alemão, parte de um dos maiores complexos de favelas do Rio de Janeiro, para mostrar aos seus leitores como estão sendo executadas as obras do PAC Favelas. Trata-se de um conjunto de obras estruturais, financiadas em grande parte pelo governo federal, com a proposta de urbanizar grandes bolsões de pobreza, abandonados pelo poder público desde sempre, e adotados pelo poder paralelo do tráfico de drogas.

O programa surpreende tanto pelo volume e extensão das obras quanto pelos recursos envolvidos – R$ 1,14 bilhão na primeira fase, com perspectiva de mobilizar mais R$ 1,2 bilhão numa segunda etapa.

A princípio, o PAC Favelas é uma oportunidade rara de derrubar as barreiras que separam, isolam e transformam as favelas cariocas em guetos, tornando o Rio de Janeiro uma cidade partida ao meio. Mas o programa está longe de atingir o consenso – político e técnico. Pelo contrário, ressuscita a velha discussão sobre que destino se dar às favelas em todo o País.

O principal argumento dos críticos do PAC Favelas é que não se trata de uma política de governo de longo prazo para as favelas brasileiras, com o objetivo de promover a reparação de injustiças sociais, mas de um conjunto de obras de caráter paternalista e clientelista, visando principalmente atender às exigências dos comitês internacionais, organizadores da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

De outro lado estão os que reconhecem o que é aparentemente óbvio, mas que nunca virou uma prática dos nossos governantes: favela é parte indivisível da cidade e qualquer programa de urbanização que venha a ser implementado nela não é mais do que o reconhecimento disso. Vários tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, reconhecem a necessidade e firmam compromissos de investimentos em obras estruturantes em favelas, em sua maioria com foco na acessibilidade.

Numa posição mais extrema, ainda, estão os que advogam com veemência a remoção de favelas, por considerá-las um estorvo para as cidades, estigma que, no período sombrio dos anos 60, justificou a retirada compulsória de mais de 175 mil pessoas das suas moradias, sem nenhuma consulta prévia, para locais estabelecidos pelas autoridades militares da época.

No meio dessa polêmica, uma coisa parece certa: transformar esse pacote de intervenções urbanas em um legado real para as próximas gerações, favelados ou não, vai depender acima de tudo da forma como as comunidades carentes vão se apropriar dessa infraestrutura que agora está sendo disponibilizada, como instrumento de reconstrução de cidadania, fortalecimento de auto estima e da vontade coletiva de reescrever suas histórias.

Somente isso, associado a uma estratégia permanente de ocupação social dos territórios de exclusão, hoje dominado pelo tráfico de drogas, vai assegurar que as obras do PAC Favelas não entrem para a história como “obras para inglês ver”, caras e ineficazes. Isso só o tempo dirá.

Mário Humberto Marques
Presidente da Sobratema