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GC nº 28Julho 2012 Matéria 1 de 27
Sumário
  1. EditorialO legado da cidadania
  2. Jogo RápidoAsfalto colorido
  3. Jogo RápidoAstec instala fábrica no Brasil de olho no mercado de mineração
  4. Jogo RápidoDuas usinas de asfalto para rodovia colombiana
  5. Jogo RápidoPersonalidade de destaque
  6. Jogo RápidoEstreito com montagem em fase avançada
  7. Jogo RápidoObras de ampliação do Estaleiro Rio Grande ganham fôlego
  8. Jogo RápidoNova plataforma de trabalho suspensa de última geração
  9. Jogo RápidoLiuGong investirá R$ 100 milhões em fábrica no Sudeste
  10. Jogo RápidoNova tecnologia para estaqueamento
  11. EntrevistaJirau supera desafios e entra na etapa final de execução
  12. Matéria De Capa - Usina Hidrelétrica De JirauProgresso nas águas do Rio Madeira
  13. Matéria De Capa - Usina Hidrelétrica De JirauHeróis anônimos
  14. Matéria De Capa - Usina Hidrelétrica De JirauSistema de formas é solução em trecho de grande complexidade
  15. Construção MistaConstruções híbridas, o melhor de dois mundos
  16. Construção MistaPrédio misto e politicamente correto
  17. Construção MistaTorre de cristal, aço e concreto
  18. Construção MistaCentro administrativo da Petrobrás em Macaé
  19. Copa 2014Minas poderá ter Copa com certificado "verde"
  20. AeroportosDando novas asas a Guarulhos
  21. IrrigaçãoTransposição do Rio São Francisco tem primeiras obras inauguradas
  22. Locação EleasingTodas as apostas na qualidade do atendimento
  23. Obras De ArtePonte metálica amplia vão navegável no Rio Tietê
  24. Coluna KhlUma luz no mercado globalizado
  25. Concreto HojePisos de concreto elevam a requisição por alto desempenho
  26. ArtigoSustentabilidade das Estruturas de Concreto
  27. Jogo RápidoLicitação do VLT do Rio já tem data
Editorial

O legado da cidadania

Exclusivo GC 2 de agosto de 2012 · Edição 28
O legado da cidadania

A escolha do Brasil para sediar a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, associada aos compromissos de pesados investimentos para garantir o sucesso desses eventos, tem suscitado discussões sobre os benefícios reais que tais investimentos trarão para a sociedade. É o que se convencionou chamar de legado dos jogos.

Para a maioria das 12 cidades-sede da Copa, inclusive para o Rio de Janeiro, que será a anfitriã das Olimpíadas de 2016, esse legado deverá vir sob a forma de melhorias das condições de mobilidade urbana e infraestrutura de transportes, da requalificação dos setores de hotelaria, gastronomia e demais serviços. Mas muitas outras conquistas estão em jogo.

Cuiabá (MT), por exemplo, conta com o incremento do turismo. Sediar os jogos será a oportunidade de apresentar ao mundo a região que abriga três diferentes biomas e grandes bacias hidrográficas, com enorme potencial para o turismo ecológico.

Em Belo Horizonte (MG) fala-se no “legado verde”. Desde a modernização do estádio Mineirão às demais intervenções na cidade, que incluem a despoluição da Lagoa da Pampulha, tudo foi planejado dentro do conceito de sustentabilidade, de forma a refazer as pazes dos mineiros com o meio ambiente (veja matéria nesta edição).

Para o Rio de Janeiro, talvez o principal legado seja na área da segurança pública. A maior expectativa da sociedade é de que os esforços integrados dos governos estadual e federal possibilitem transformar o Rio em um lugar próspero e seguro, com o controle pelo estado de comunidades antes dominadas pelo crime organizado.

Mais segurança é desejo também dos gaúchos. No Rio Grande do Sul, estão sendo adotadas diversas iniciativas envolvendo as áreas dos governos federal, estadual e municipal, para garantir uma Copa segura e estender esse benefício para depois do apito final. Em Porto Alegre, as forças de segurança trabalham de forma integrada com o Judiciário, para um planejamento exemplar nesse sentido, envolvendo a Interpol, adotando um software para monitorar o "mapa do crime" no estado que tem a maior extensão de fronteiras secas do Brasil.

São conquistas sociais importantíssimas, com graus de abrangência variados, mas que terão de ser assegurados pela sociedade. Além de tudo isso, não podemos perder a oportunidade única de consolidar o que poderá ser o mais importante dos legados: a formação de um pacto nacional pela transparência nos gastos públicos. Em todo o País crescem as pressões para ampliar a transparência exigida para as obras da Copa, tornando isso uma prática comum, de caráter permanente e extensivo a todo empreendimento a ser bancado com recursos públicos.

Uma iniciativa já materializada nesse sentido é a criação, pela ONG Atletas pela Cidadania, liderada pelo ex-jogador Raí Oliveira, e pelo Instituto Ethos, de um fórum de discussão para a apresentação dos fundamentos de um “Pacto pela Transparência Municipal”. O fórum, que está buscando apoio junto aos principais candidatos às prefeituras de várias cidades brasileiras, tenta comprometer os futuros administradores municipais, bem como empresas envolvidas nas obras, com a transparência nos processos de decisão e investimentos nas obras para a Copa do Mundo de 2014.

Esse pacto faz parte das estratégias do “Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios”, que pretende aproveitar a realização da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 no Brasil para criar uma cultura que eleve o nível de transparência nos gastos governamentais, o nível de integridade nas relações público-privadas e o controle social dos investimentos públicos. O projeto empenha-se na criação de ferramentas para oferecer à sociedade instrumentos de vigilância, monitoramento e controle sobre os investimentos destinados aos jogos, criando um modelo a ser adotado após os eventos desportivos.

Uma delas é o site  http://www.jogoslimpos.org.br, que disponibiliza planilhas com os gastos realizados em várias obras, divididas por categorias, bem como relatórios dos auditores independentes. A ideia é ampliar ao máximo o envolvimento nesse projeto das mais diversas esferas do poder.

A questão que fica é: conseguiremos aproveitar esse momento histórico para inaugurar um novo período de transparência nas obras públicas, com ampla participação da sociedade? Sim, nós podemos. Basta que queiramos.