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GC nº 52Setembro 2014 Matéria 19 de 32
Sumário
  1. EditorialCrise da água: fenômeno climático ou omissão do poder público?
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoDoze pórticos rolantes Terex para terminal no Rio de Janeiro
  4. Jogo RápidoBrasil atrai grandes players da indústria naval mundial
  5. Jogo RápidoMercado de condomínios logísticos em crescimento
  6. Jogo RápidoVolvo e Lego criam miniatura da carregadeira L350F
  7. Jogo RápidoGypsum investe R$ 200 milhões em fábrica de chapas para drywall
  8. Jogo RápidoNova fábrica da Sany entra em atividade até 2016
  9. Jogo RápidoSolução para tratamento de solos moles
  10. Jogo RápidoArena Pantanal é destaque em congresso mundial de arquitetura
  11. Jogo RápidoR$ 162 milhões para concluir VLT de Fortaleza
  12. Jogo RápidoNota de Falecimento
  13. Jogo RápidoObras da Linha 4 do Metrô-RJ têm certificação de gestão de qualidade
  14. Entrevista"Só melhora a partir de 2016"
  15. PortosPorto do Açu na reta final
  16. Construção NavalConteúdo nacional em discussão
  17. EnergiaEnergias renováveis um bom negócio apesar das incertezas
  18. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaJuventude eterna
  19. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaNo Itaim, retrofit é orientado por requisitos da certificação LEED
  20. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaDois prédios, duas histórias e um case de sucesso
  21. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaVila Itororó, um resgate da memória de São Paulo
  22. LogísticaNovidade para as ferrovias brasileiras
  23. Coluna KhlVisão geral da construção no mundo
  24. Planejamento & GestãoConstrução enxuta
  25. Planejamento & GestãoLean Construction na Arena da Amazônia
  26. Concrete ShowEvento destacou a força do concreto na cadeia da construção brasileira
  27. Momento M&T ExpoM&T EXPO: Apoio dos fabricantes foi decisivo
  28. Concreto HojeNove tecnologias inovadoras para concreto
  29. RentalAurabrasil inicia operação na Região Sul
  30. Máquinas E EquipamentosFeito na hora e com controle de qualidade
  31. ArtigoO irreversível crescimento de São Paulo pode ser ordenado
  32. Agenda 201465º Congresso Brasileiro do Concreto
Matéria De Capa - Construção Imobiliária

No Itaim, retrofit é orientado por requisitos da certificação LEED

Prédio abandonado em área nobre de São Paulo é modernizado a partir de intervenções orçadas em R$ 25 milhões

Exclusivo GC 11 de setembro de 2014 · Edição 52

Modernizar um antigo edifício para adaptá-lo a uma nova ocupação. Esse modelo de negócio é um dos nichos explorados pela São Carlos.  Em 2010, a empreendedora adquiriu o Edifício Barros Loureiro, localizado na Avenida 9  de Julho, no bairro do Itaim Bibi, uma das mais  movimentadas e nobres regiões de São Paulo. O edifício, que estava desativado havia três anos, foi comprado por R$ 39 milhões e recebeu investimento da ordem de R$ 25 milhões para adaptar-se às novas demandas físicas das áreas comerciais, garantindo maior conforto ao ocupante, economia de manutenção e acesso às novas tecnologias.

A São Carlos é uma das principais empresas de investimentos e administração de imóveis comerciais do Brasil. Seu objetivo é maximizar a receita de aluguel dos imóveis e o valor do seu portfólio. A sua estratégia de negócios inclui: investir em imóveis comerciais inserindo melhorias que atendam a demanda dos novos ocupantes. A empresa tem atualmente um portfólio que inclui principalmente edifícios de escritórios padrão classe A e lojas de varejo, localizados nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Começou a operar em 1999 a partir da cisão dos ativos imobiliários das Lojas Americanas, e hoje é uma companhia de capital aberto com ações listadas no Novo Mercado da BM&F Bovespa.

O retrofit do Barros Loureiro reativou o imóvel, que estava sem uso desde 2007. A premissa básica do retrofit é orientada pelos requisitos da certificação Leadership in Energy and Environmental Design – Leed de sustentabilidade, incluindo itens para redução do impacto ambiental, tornando mais eficientes o uso de recursos como energia elétrica, iluminação e ar condicionado, transformando-o em imóvel padrão AAA. Além do retrofit, o empreendimento inclui um edifício garagem em terreno contíguo, que já pertencia à São Carlos, elevando de 92 para 271 o  número de vagas.

A região do Itaim e Vila Olímpia agrega um dos principais polos empresariais da cidade, onde há forte demanda pela locação de lajes corporativas. Atualmente, o valor de locação para imóveis como este na região, de acordo com a consultoria CB Richard Ellis, pode alcançar R$ 150/m2 por mês.

Alterações cirúrgicas e uso de pré-moldados

Após adquirir o edifício, o investidor contratou a construtora Matec para ficar à frente do retrofit.  “A partir disso fizemos alterações para adaptar o prédio às atuais necessidades de mercado e legislação vigente. Também fizemos adaptações pensando nos requisitos da certificação Leed de sustentabilidade, destaca Marcelo Pulcinelli, diretor de Engenharia da Matec.

O desenvolvimento do retrofit teve início em 2011, quando a empresa convidou a participar do projeto os principais projetistas da concepção original – fundações, estrutura e arquitetura – no intuito de garantir a integridade das informações para o início das obras. Segundo Pulcinelli, a Matec trabalhou em conjunto com esses profissionais para garantir a aplicação de soluções industrializadas e racionalizadas.

Segundo ele, a dificuldade principal, em caso de retrofit, é sempre adaptar a legislação antiga à vigente. Outro ponto crítico fica por conta do encaixe de instalações modernas em um pé direito projetado para estruturas da época.

Uma das principais preocupações da Matec consistiu em garantir a estabilidade da estrutura existente. “Para isso, fizemos o estudo do projeto e contratamos consultores especializados em desempenho de concreto para averiguação, e garantia dos processos de recuperação estrutural”. Com os processos construtivos e ciclos de demolições definidos, e consultores tendo identificado todas as recuperações estruturais necessárias, a empresa partiu para as próximas etapas.

“Fizemos o reforço estrutural e a reconstituição da estrutura existente em fibra de carbono, material que garante alta resistência, baixo peso próprio, grande durabilidade e capacidade de assumir formas complexas’, destacou Pulcinelli. O sistema é utilizado em obras residenciais, comerciais e industriais e a aplicação da manta de carbono é rápida e prevê uma camada de preparador de superfície, massa reparadora, epóxi saturante e, finalmente, a fibra de carbono. Os compósitos de fibra de carbono resistem a tensões de tração de até 4.500 MPa (aproximadamente dez vezes mais que o aço de construção), podem apresentar módulo de elasticidade de 230 GPa.

Preocupados com a melhoria da produção e do produto final, a empresa continuou a avaliar o projeto original e os desafios que viriam pela frente. “Nós deparamos com algumas adversidades, como algumas furações, que até então serviam para uso de instalações prediais antigas e que agora deveriam servir para as novas, mais modernas e sustentáveis. Além disso, tivemos um grande desafio na hora de executar o novo prédio, que seria interligado ao hall do prédio existente”.

Com a expertise conquistada nos outros retrofits e ampliações realizadas anteriormente, a empresa decidiu usar o Laser Scanning e a metodogia BIM para avançar com os estudos sobre o prédio. Com esse material foi possível fazer a simulação de como seria o projeto, pavimento por pavimento. Esse procedimento é importante para definir as cotas osso e a cota acabada, e possibilita a avaliação da melhor utilização por unidade. Para o cliente, o produto é avaliado laje por laje, e esse processo garante mais satisfação para o cliente na entrega da obra.

A obra demandava alguns trabalhos artesanais, como a substituição dos caixilhos alinhados externamente por caixilhos de alinhamento interno. Para isso, existiam duas alternativas: a destrutiva e a não destrutiva. “Na primeira, nos preocupamos com a integridade dos aspectos técnicos e com a qualidade”, disse o engenheiro. Uma vez que todos os caixilhos fossem retirados, os danos ao revestimento da fachada original seriam muito grandes.

Como o revestimento existente era muito espesso para os padrões previstos na legislação, sua recuperação se tornaria mais complexa. Além disso, a região compreendida no trecho do revestimento recuperado até o do antigo estaria sujeita a um alto índice de patologias futuras, sem garantias de qualidade. A segunda opção era a utilização de um sistema próprio para a retirada dos caixilhos, desenvolvido pela equipe de engenharia da empresa e validado pelos consultores.

A partir daí, decidiu-se pela não retirada dos contramarcos existentes com posterior regularização da diferença do vão em placa cimentícia e alinhamento externo do canto vivo em EPS.  “A diferença do resultado entre um sistema e outro foi claramente percebida no protótipo executado.

O sistema de ar-condicionado foi desenvolvimento em VRV, cujo processo de instalação é muito simples e gera economia de tempo e mão de obra. Também mantivemos as características arquitetônicas originais do empreendimento,  com baixo nível de ruído e de consumo elétrico, de acordo com as especificações do selo Leed.”, destacou Pulcinelli.

A compatibilização entre as instalações, a limitação do uso dos furos existentes e a restrição de espaço por conta do forro proposto fizeram com que o desenvolvimento do projeto de produção apresentasse mais restrições e exigisse um nível de detalhamento mais minucioso em relação ao projeto executivo. O uso do modelo com as informações do prédio real, dos projetos executivos e de projetos de produção foram amplamente discutidos até a conclusão da sua compatibilização, que contou com a participação da engenharia de todas as instaladoras contratadas para execução dessa obra.

Para o diretor de engenharia, um dos pontos mais críticos, no entanto, foi a fase de inserção das facilities e tecnologia nas estruturas físicas de um retrofit. ‘A face moderna foi trabalhada antes do nosso escopo, durante a fase de projeto com a gerenciadora da obra. A empresa recebeu o projeto pronto com todas as questões de sustentabilidade já definidas pela gerenciadora, e deu cota do recado’, finalizou Pulcinelli.