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GC nº 29Agosto 2012 Matéria 17 de 26
Sumário
  1. EditorialO pré-sal e o déficit do capital humano
  2. Jogo RápidoArcelor Mittal: vendas recordes no segmento eólico
  3. Jogo RápidoCSM P6000 inova na área de pavimentação
  4. Jogo RápidoR$ 100 milhões para obras do DER
  5. Jogo RápidoBons ventos no Nordeste
  6. Jogo RápidoComingersoll inaugura nova filial em São José do Rio Preto
  7. Jogo RápidoFábrica da Manitowoc em Passo Fundo (RS) entrega os primeiros guindastes
  8. Jogo RápidoConstrutora Even recebe certificação de qualidade ambiental
  9. Jogo RápidoXCMG investe no Brasil e fica entre as maiores do mundo
  10. Jogo RápidoMacaé publica edital de PPP no setor de saneamento básico
  11. Jogo RápidoFenasan 2012 debate saneamento
  12. Jogo RápidoObras do aeroporto de Viracopos já podem começar
  13. Jogo RápidoCamargo Corrêa e responsabilidade social no Maranhão
  14. EntrevistaLevando o mar para dentro do continente
  15. Matéria De Capa - Superporto De AçuSuperporto de Açu: operação começa em 2013
  16. Matéria De Capa - Superporto De AçuUCN será vizinha de toda a sua cadeia de fornecedores
  17. Construção NavalEstaleiro Enseada do Paraguaçu ressuscita a indústria naval da Bahia
  18. Construção NavalPlataforma P-59 é batizada na Bahia
  19. Construction Expo 2013Construction 2013: mais de 40% dos espaços reservados
  20. Construction Expo 2013Feira atende as expectativas do mercado
  21. TecnologiaNovidades para o tratamento de túneis
  22. Construção ImobiliáriaShoppings como o povão gosta
  23. Construção ImobiliáriaSetor investe em novos mercados fora das capitais
  24. Pac 2Governo diz que PAC 2 investiu R$ 324,3 bilhões
  25. Concreto HojeNovas alternativas para construção habitacional
  26. ArtigoPlanejamento e gestão empresarial
Construção Naval

Estaleiro Enseada do Paraguaçu ressuscita a indústria naval da Bahia

Projeto reúne pool de empresas nacionais e internacionais e aponta para nova rota de crescimento industrial brasileiro, com foco no setor naval

Exclusivo GC 3 de setembro de 2012 · Edição 29

Uma das consequências diretas da exploração do Pré-sal é o renascimento da indústria naval brasileira, que hoje conta com potencial de mercado estimado em US$ 150 bi para o período de 2011 a 2020, focada no setor de Óleo e Gás no Brasil. A estimativa é da Morgan Stanley Research, um dos maiores bancos de investimentos do mundo, em operação no Brasil desde 1997. Um exemplo do renascimento desse setor está na Bahia. Dentre diversos projetos visando à construção naval, ali está sendo construído o Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), um investimento privado de cerca de R$ 2,6 bilhões, que reúne três das principais construtoras brasileiras e um líder mundial da área naval: a Odebrecht, a UTC Engenharia, a OAS e a japonesa Kawasaki, que entrou posteriormente no consórcio.

O EEP se junta à lista de uma série de estaleiros em implantação no Brasil e que servirão, entre outras coisas, à demanda de embarcações para a Petrobras. A participação da Kawasaki garante ao empreendimento a utilização de tecnologia de ponta e a transferência desse conhecimento para engenheiros e técnicos brasileiros. O presidente do EEP, Fernando Barbosa, disse que o parceiro japonês chega com o compromisso de ajudar a construir os equipamentos mais modernos que existem na área. Para isso, a Kawasaki assinou contrato para transferência de tecnologia. “Eles vão trazer para nós toda a tecnologia na fabricação, elaboração de projetos, planejamento e treinamento de pessoas”.

As obras foram iniciadas em maio e o projeto estará em operação em 2014. Mas, em 2013, o estaleiro já terá condições de iniciar parte de suas atividades. Em plena operação, deverá processar 36 mil t de aço por ano. A previsão dos empreendedores é da criação de três mil empregos diretos durante a construção, cinco mil após a operação, além de 10 mil empregos indiretos gerados com o empreendimento.

Quando o EEP estiver pronto, o estado ganhará mais um ponto de produção de navios e plataformas de exploração de petróleo, reaquecendo a economia do recôncavo baiano. O Governo do Estado apoia o empreendimento, arcando com obras de infraestrutura rodoviária, além de auxílio na obtenção do financiamento, que é do governo federal, por meio do Fundo de Marinha Mercante. Ainda como parte dos esforços para resgatar a indústria naval, foi criada, em 2009, a Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária (Seinp), que centraliza as ações do estado voltadas à viabilização de empreendimentos na área.

De acordo com o secretário da Indústria Naval do Estado da Bahia, Carlos Costa, o novo estaleiro terá tecnologia e capacidade para atender aos mercados nacional e internacional. “O empreendimento terá condição de oferecer em tempo hábil equipamentos de ponta para todos os mercados. As empresas vão trabalhar com toda a tecnologia e atenderão não só encomendas de embarcações para a indústria naval civil, mas também para a indústria militar”. Antes mesmo de começar a operar, o estaleiro já recebeu a encomenda de seis sondas de exploração de petróleo. As unidades fazem parte de um contrato com a Sete Brasil, empresa fornecedora da Petrobras. A estimativa dos empresários é de um faturamento anual de R$ 600 milhões.

O complexo localiza-se no município de Maragogipe (BA), há 42 km de distância de Salvador, numa área de 1,6 milhão de m² dos quais 400 mil m² serão destinados à preservação ambiental. Além de possuir águas abrigadas, a grande profundidade do canal permitirá acesso de grandes embarcações e foi projetado prevendo futuras expansões. A primeira etapa dos trabalhos já foi superada, com a supressão da vegetação, resgate da fauna e flora e terraplenagem, dando início às primeiras intervenções e preparação do terreno para os demais serviços.

Dentre as obras de infraestrutura marítima que serão executadas, a principal será a construção do dique seco, um platô com dimensão de 85 m de largura por 261 m de comprimento e 14,8 m de profundidade. Outros três cais serão construídos, com 242 m, 270 m e 270 m de comprimento, respectivamente. A previsão é de que a dragagem do canal atingirá 3,5 milhões m³ com posterior aterro e serviços de terraplenagem. Solo e fundações das áreas externas serão reforçados, e receberão pavimentação com carga adequada para receber tráfego pesado a área será capaz de suportar a fabricação e movimentação dos blocos navais e estruturas offshore. Esses blocos serão fabricados em oficinas construídas com o uso de estrutura metálica, somando um volume de 15 mil toneladas de estruturas. A área construída, que inclui também os edifícios administrativos, chega a 280 mil m².

Mobilização de equipamentos

As obras empregarão um número considerável de equipamentos de elevação e transporte vertical e horizontal. Os serviços industriais eletromecânicos contarão com equipamentos de movimentação de carga pesada como o uso de dois equipamentos Goliath cranes, três Jib cranes, além de transportadores hidráulicos e pontes rolantes.

No setor naval, serão utilizados equipamentos com tecnologia Kawasaki Heavy Industries, que inclui requisitos como o pré-tratamento das chapas e perfis, máquinas de marcação e corte, linha de fabricação de painéis e linha de solda unilateral.  Serão produzidos nesse setor cabines de jateamento e pintura, sistemas e subestações elétricas, sistema de controle e segurança, centrais e redes de utilidades (água, ar comprimido, sistema de combate a incêndio, gases industriais) e tratamento de efluentes.

Desde a etapa inicial das obras estão sendo mobilizada uma central de Concreto Misturadora de 120 m³/h, além de escavadeiras hidráulicas, caminhão basculante, guindaste de Pneus de 30 t e guindaste grua. Na etapa de compactação dinâmica, serão agregados guindastes de 150 t e o tamper 20 t. Para as obras na área marítima serão empregados os guindastes de 150 t e de 100 t, além do equipamento cantitravel para fundações em alto mar, pórticos de 20 t, dollyes para movimentação de equipamentos e peças e hidrofresa para escavação de fundações.

Consórcio

Para evitar que o crescimento seja desordenado e traga impactos negativos tanto na área ambiental como social, o EEP está cercado de cuidados. Atendendo às propostas anunciadas em Audiência Publica, para promover o desenvolvimento da região do Estaleiro, a prioridade da política de contratações é a utilização da mão de obra local, que inclui as cidades de Maragogipe, Salinas da Margarida, São Roque, Nazaré, Vera Cruz, Itaparica e demais municípios do entorno do empreendimento.

O Consórcio, em parceria com o Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), implantará um programa de capacitação profissional da mão de obra não qualificada para construção civil da região. A primeira turma já foi selecionada, com 25 jovens participantes do programa.

Segundo o consórcio construtor, “a parceria visa qualificar e preparar os cidadãos das cidades do entorno para atender as demandas geradas pela obra e a ideia é promover a inclusão social produtiva da comunidade, reforçando laços e acordo de comprometimento da obra com o desenvolvimento da região, além de diminuir a migração de trabalhadores de outras regiões do País”. O Prominp será desenvolvido em parceria com o Senai, e seus módulos terão carga horária mínima de 160 horas, com aulas teóricas e práticas no canteiro de obra. Após a formação, esses profissionais estarão aptos para iniciar as atividades. Nesse período de atividades em campo serão acompanhados pela equipe de Pessoas e Organização, através de avaliações e entrevistas individuais. Os líderes da Produção também farão o acompanhamento com foco na formação e crescimento profissional desses novos profissionais.

O consórcio responsável realiza estudos e licenciamentos desde 2008, com encontros com as comunidades locais para definir ações que permitam a inclusão dessas pessoas. Além do licenciamento clássico ambiental, o programa foi licenciado também pelo patrimônio histórico, por meio do Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; pela Fundação Palmares, por situar-se dentro de uma comunidade quilombola; pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, devido a proximidades com área de proteção federal; e pelo Estado, em função da região escolhida fazer parte de uma Área de Preservação Ambiental (APA), da Baía de Todos-os-Santos.

Diversas ações estão programadas como o reflorestamento de 40 ha de floresta nativa (ombrófila densa). Os trabalhos incluem a recomposição florestal de faixas de manguezais, matas ciliares e nascentes devastadas na região. Segundo o EPP o investimento inclui um Programa de Sustentabilidade Pesqueira que envolve desde formação continuada dos pescadores e marisqueiras, com acompanhamento técnico da atividade e investimento em equipamentos e manutenção para incremento do ciclo produtivo da pesca.

O tratado ambiental é extenso, com atividades de educação ambiental e comunicação social nas escolas da região e com as comunidades do entorno. Estão previstas a pesquisa aprofundada nas 29 comunidades quilombolas do entorno do projeto; a manutenção da Casa do Samba de Santo Amaro, detentora do maior acervo de samba de roda do mundo, patrimônio tombado. O projeto inclui ações inovadoras, como a execução do 1º Inventário Nacional de Referências Culturais dos municípios do entorno do EEP. E outras ações estão previstas como a recuperação e restauração de monumentos e edificações tombadas pelo IPHAN.

O consórcio se comprometeu com a realização de diagnóstico socioeconômico da Baía do Iguape, em caráter censitário, e o Monitoramento dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, que empregarão sondas automáticas e rede de piezômetros. Haverá ainda o monitoramento mensal dos ecossistemas aquáticos (plâncton, bentos, quelônios, cetáceos, crustáceos, icitiofauna, etc). E o monitoramento periódico das características físicas da água, com dados sobre correntes, turbidez, hidrodinâmica e dinâmica de sedimentos, etc).

O programa atende a solicitações das comunidades locais, com os investimentos na infraestrutura da comunidade de Enseada do Paraguaçu, com a reforma, novos equipamentos e paisagismo na praça central da cidade. Apoio financeiro à Casa de Cultura de Saubara, e outros que visam melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. Como o licenciamento de aterro sanitário em Salinas das Margaridas a ser compartilhado com o município.

Associação de grandes empresas

A Odebrecht atua nos setores de infraestrutura, construção, química petroquímica, energia, mineração, açúcar e álcool, e hoje é a maior exportadora brasileira de serviços. A UTC Engenharia S.A. foi fundada em 1974 e é uma das principais empresas brasileiras de Engenharia Industrial, com capacidade para executar desde pequenas unidades a grandes complexos industriais. Atuando em todos os segmentos da indústria, a UTC é uma das empresas mais atuantes na área de Offshore e participa de todas as etapas de construção de plataformas marítimas. A OAS consolidou-se no setor de engenharia. A Kawasaki Heavy Industries, fundada em 1878 no Japão, como um estaleiro, expandiu-se para outros segmentos, como construção e transportes. No Brasil desde 1973, a empresa fornece equipamentos, serviços para grandes projetos industriais, energéticos, navais e aeroespaciais de grandes empresas brasileiras.

Os três grupos nacionais se reuniram em 2010, visando à criação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), voltado para construção e integração de plataformas, navios especializados e unidades de perfuração. A Kawasaki Heavy Industries (KHI) se juntou ao grupo em meados de 2012, tornando-se sócia efetiva do EEP e parceira tecnológica do empreendimento. A empresa passou a ser dona de 30% do EEP,  comprometendo-se a transferir tecnologia e capacitar os trabalhadores locais para atuar na construção de navios, plataformas de exploração e unidades de perfuração de poços de petróleo.

Ponto ideal para os estaleiros

A foz do Rio Paraguaçu, na Baía de Todos-os-Santos, é considerada um dos melhores lugares do país para a implantação de estaleiros. Com águas profundas e abrigadas, foi lá que a fabricação de navios teve início no Brasil, ainda na época do Império. A indústria local viveu seu apogeu, na década de 1970, mas caiu, posteriormente, com a falta de investimentos no setor naval brasileiro. A retomada aconteceu em 2010, com a reabertura do Estaleiro São Roque do Paraguaçu, que já finaliza a construção de duas plataformas para a Petrobras.

Ações e projetos ambientais

Plano de Monitoramento dos Ecossistemas Aquáticos: Avaliação de elementos locais (planctôns, quelônios, vegetação de manguezal e cetáceos, entre outros). Temos contratos correntes no valor total de R$3.900.000,00 para ao longo de todo o ano de 2012 com renovação automática para o ano seguinte.

Programa de Resgate de Flora e Fauna Silvestre: Iniciado em setembro de 2011, ainda está vigente. Foi construído o Centro de Triagem de Animais Silvestres em Cairu de Salinas, com veterinários de plantão e toda a logística de transporte desses animais para soltura em área protegida e com mata nativa (reserva legal do EEP). Para acondicionar todas as espécies vegetais características da região coletadas no programa, foram montados três grandes viveiros de mudas e sementes, até hoje ativos e mantidos por profissionais. Esses viveiros serão os fornecedores das mudas que estão em curso de replantio. Os investimentos nesse programa são superiores a R$3.000.000,00.

Educação Ambiental para Comunidades: Destacando projetos para as 29 comunidades quilombolas da região.

Educação Ambiental para Docentes: Nas escolas da área de influência direta do projeto.

Execução, divulgação e propagação de programas educativos de rádio: Para a difusão das informações socioambientais relevantes em parceria com a ONG Bioma Brasil.

Programa de Sustentabilidade Pesqueira contempla vários projetos:

Projeto Capacita: formação continuada de pescadores e marisqueiras da Baía do Iguape ao longo de 14 meses contínuos;

Programa de Educação Ambiental: Direcionado aos temas de preservação do ambiente da pesca, limpeza da área e extirpação do coral sol;

Museu Ambiental: Destaque na técnica dos manguezais para fins de educação ambiental na região.