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GC nº 25Abril 2012 Matéria 24 de 24
Sumário
  1. EditorialSociedade quer PPPs com fiscalização e eficiência
  2. Jogo RápidoToyota terá fábrica de empilhadeiras no Brasil
  3. Jogo RápidoGoverno de São Paulo lança PPP para habitação social
  4. Jogo RápidoAndritz Hydro Inepar entrega primeira unidade geradora para a Santo Antônio
  5. Jogo RápidoBMC amplia portfólio com mais uma opção em pás carregadeiras
  6. Jogo RápidoCase New Holland inaugura Centro de Logística em Contagem (MG)
  7. Jogo RápidoTrecho da BR-116 pronto antes do prazo
  8. Jogo RápidoEstádio do Castelão na reta final
  9. Jogo RápidoObras do PAC: Alagoas e Bahia recebem 84 retroescavadeiras
  10. Jogo RápidoObras avançam na Unidade de Destilação do Comperj
  11. Jogo RápidoFábrica da Manitowoc começa a operar no Sul
  12. Jogo RápidoCummins lança linha de geradores para locação
  13. EntrevistaUm homem com uma missão que não terá fim
  14. Copa 2014Um modelo para "Copa Verde"
  15. Copa 2014 - Mobilidade UrbanaComeçam as obras do VLT de Fortaleza
  16. M&T Expo 2012Show de máquinas e equipamentos será atração à parte no M&T Expo 2012
  17. Matéria De Capa - MinerodutoCortando o Brasil do centro ao litoral
  18. Canteiros De ObrasCanteiros de obras modernos
  19. Personalidade Da ConstruçãoO homem que adicionou sensibilidade ao concreto
  20. RetrofitMosteiro secular vira residencial de luxo no Rio
  21. Concreto HojeConcreto Autoadensável ganha corpo no Brasil
  22. Obras De ArtePonte Ferroviária em Salvador é revitalizada
  23. Métrica IndustrialAtaque duplo
  24. ArtigoEnchentes: é preciso virar a mesa
Artigo

Enchentes: é preciso virar a mesa

Vazão, diga-se de passagem, já hoje insuficiente para dar conta do gigantesco volume de águas pluviais que aportam ao rio em episódios de chuvas mais intensas na região.

Exclusivo GC 8 de maio de 2012 · Edição 25

Recentemente, o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin deu surpreendente e reveladora declaração à imprensa: a prioridade do governo no combate às enchentes estaria em construir mais dezenas de piscinões e, através de operações de desassoreamento, transformar o Tietê também em um grande “piscinão”, recuperando sua capacidade de vazão de 2005, ano da conclusão das últimas obras de ampliação da calha, 1.048 m³ por segundo nas proximidades do Cebolão.

Primeiro, uma admissão da culpa direta da administração pública pelas enchentes que ocorreram nesses últimos anos, dada a voluntária interrupção do desassoreamento do rio e seus afluentes; segundo, uma triste rendição do governo à continuada e incrivelmente equivocada estratégia de combate às enchentes que vem sendo há anos adotada pelo governo estadual e pelos governos municipais da RMSP. Estratégia a eles “vendida” por aqueles que arrogantemente e irresponsavelmente, e talvez de forma interessada, insistem em afirmar que as enchentes somente serão evitadas com grandes obras hidráulicas bilionárias e com o espalhamento dos deletérios e caríssimos piscinões por toda a metrópole. Estratégia que, por segurança, adota também o esperto costume, induzindo os governantes a também adotá-lo, de culpar a Natureza, o aquecimento global e São Pedro pelas chuvas que dizem sempre ser “anormais”.

Prezado Governador, nossas enchentes são decorrência direta e exclusiva de três fatores causais que têm marcado a história de nosso crescimento urbano: a impermeabilização generalizada da cidade, o excesso de canalização de cursos d’água e a redução da capacidade de vazão de nossas drenagens pelo volumoso assoreamento provocado pelos milhões de metros cúbicos de sedimentos que anualmente provém dos intensos processos erosivos, que ocorrem nas frentes periféricas de expansão urbana e pelo lançamento irregular de entulhos da construção civil e do lixo urbano. Desde há muito impõe-se como um imperativo da lógica técnica uma nova estratégia baseada no esforço em se reduzir o impacto desses fatores causais, revertendo a impermeabilização das cidades para que a região urbanizada recupere boa parte de sua capacidade original de reter as águas de chuva, não mais retificando e canalizando cursos d’água e, concomitantemente,  promovendo um intenso combate técnico à erosão e ao lançamento irregular de entulho e lixo, com o que se reduziria o fantástico grau de assoreamento do sistema de drenagem. Se com a adoção dessa nova estratégia algumas obras hidráulicas de maior porte eventualmente ainda se mostrarem necessárias, por certo serão de muito menor dimensão e de custos financeiros extremamente mais reduzidos. Como também serão de muito menor porte e custo as indispensáveis operações de desassoreamento.

Depois de décadas de contínua aplicação não cabem mais dúvidas, Governador, a atual estratégia de combate às enchentes fracassou fragorosamente em seus objetivos e promessas. Sendo que a incrível insistência na manutenção dessa estratégia vem custando um altíssimo preço à sociedade paulistana.

Como na medicina, caro Governador, ouvir uma segunda opinião e atacar as causas da doença. Esperamos todos que não lhe faltem a coragem e o discernimento para tal decisão, pela qual os paulistanos lhe seriam eternamente agradecidos.

 

 

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