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GC nº 10Novembro 2010 Matéria 27 de 28
Sumário
  1. EditorialPor uma estratégia de longo prazo para o setor de energia no Brasil
  2. Jogo RápidoNew Holland 60 anos
  3. Jogo RápidoNova empresa no mercado de fôrmas de concreto e escoramento
  4. Jogo RápidoProjeto do Ferroanel deve ficar pronto em 2011
  5. Jogo RápidoOSX terá estaleiro no Porto de Açu
  6. Jogo RápidoDiferencial inaugura distribuidora da SDLG em Santa Catarina
  7. Jogo RápidoWirex abre filial no Rio de Janeiro
  8. Jogo RápidoChina terá túnel submarino sob alta pressão
  9. Jogo RápidoNova motoniveladora XCMG
  10. Jogo RápidoObra do Centro Tecnológico em Pecém usa moderno sistema de escoramento
  11. Jogo RápidoProjeto da MVC para aeroporto de Montevidéu é premiado
  12. Jogo RápidoOdebrecht vai construir metrô do Panamá
  13. EntrevistaIndústria da construção revê seus conceitos para sair da era artesanal
  14. Construção NavalLançado terceiro petroleiro do Promef
  15. Especial EnergiaBrasil tem energia para dar e vender
  16. Especial EnergiaBalanço do PAC Energia, 42% das ações concluídas
  17. Redução Dos ImpactosHidrelétricas de baixo impacto, um desafio para a Engenharia
  18. Energia TermelétricaAngra 3: obras vão gerar 9 mil empregos
  19. Energia TermonuclearAtraso dos projetos comprometem o cronograma de operação
  20. Pequenas Centrais HidrelétricasPCH perde espaço no mercado para eólicas
  21. Pequenas Centrais HidrelétricasFôrmas CSM são utilizadas na construção do parque eólico
  22. Energia EólicaA energia está no ar
  23. Green BuildingShopping “sustentável” orçado em R$ 180,8 milhões será inaugurado em 2011
  24. Métrica Industrial - TermelétricasAs Termelétricas na geração de energia no Brasil
  25. Métrica Industrial - TermelétricasA geração termelétrica por biomassa
  26. Infraestrutura MilitarBase militar terá obras de ampliação
  27. ArtigoAposta no passado compromete o futuro
  28. Agenda 2011Construction Expo
Artigo

Aposta no passado compromete o futuro

Exclusivo GC 7 de dezembro de 2010 · Edição 10

São animadoras as estimativas que acabam de ser divulgadas pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) quanto aos investimentos estrangeiros diretos (IED) na região em 2010. Seu volume deverá alcançar US$ 100 bilhões, retornando ao patamar verificado antes da grande crise mundial. O crescimento em relação ao ano passado deverá chegar a quase 50%.

A retomada é ainda mais importante se considerarmos que, no exercício anterior, verificou-se queda de 42%, conforme consta do estudo “O investimento estrangeiro direto na América Latina e Caribe 2009”, divulgado pela Cepal no início de maio. O relatório aponta que o Brasil continuou sendo o principal destino dos recursos, seguido pelo Chile, México, Colômbia e Argentina. Os Estados Unidos, Espanha e Canadá, pela ordem, seguiram como os maiores investidores.

A boa notícia contida no estudo não esconde, entretanto, duas tendências preocupantes. A primeira refere-se à queda dos aportes no setor primário, em especial nos segmentos agrícola e mineral. A segunda diz respeito ao fato de a maioria dos investimentos destinados à indústria concentrar-se em atividades de intensidade tecnológica baixa e média.

As duas vertentes, se analisadas com senso de realismo, mostram que boa parte dos investidores do mundo desenvolvido ainda entende a América Latina como provedora de matérias-primas, commodities de baixo valor agregado e semimanufaturados, em especial insumos industriais. Nem mesmo o avanço do Brasil no agronegócio, incluindo alta tecnologia agrícola e elevado volume de exportações, e em segmentos avançados da indústria, como software e aviões, parece sensibilizar algumas nações quanto às mudanças de perfil de nossa economia e nossa estrutura produtiva.

Os investimentos estrangeiros diretos visam com muita ênfase aos nossos mercados consumidores (por isso privilegiam os serviços) e nossos recursos naturais. Tal expectativa evidencia que, a despeito de todos os avanços da chamada Terceira Revolução Industrial e da nova estrutura de produção segmentada da globalização, persiste a anacrônica imagem do Hemisfério Sul exportador de produtos de baixo valor agregado e importador de bens de consumo sofisticados. Aliás, esse olhar anacrônico persistente em parte do mundo desenvolvido também é diagnosticado pelo ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema. Em recente visita à Fiesp, ele salientou que a Europa mantém uma visão antiquada da economia e que precisava prestar mais atenção no Hemisfério Sul.

O Brasil, seguido por algumas nações, como o Chile e Argentina, é a própria antítese do renitente conceito. Mantém-se, sim, como grande provedor agropecuário, mas com alta tecnologia e eficiência, conciliando a produção de alimentos com a de biocombustíveis, em especial o etanol. Ademais, o País tem segmentos industriais de ponta, é autossuficiente em petróleo e tem a maior reserva hídrica.

Ou seja, estamos prontos para a nova era da economia mundial, que será marcada pela produção mais limpa e alta valorização dos alimentos, da água e dos combustíveis renováveis. Não há dúvida de que nesses itens encontram-se as melhores oportunidades de investimentos, com retorno absolutamente garantido pela realidade de um mundo cada vez mais carente de comida, água, energia e salubridade ambiental. Assim, quem continua apostando em teses dos séculos passados pode comprometer o próprio futuro....

*João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é presidente do Grupo São Martinho e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)