Ações responsáveis para o desenvolvimento sustentável
Nessa edição, Grandes Construções traz matéria sobre os investimentos em tempo, dinheiro e conhecimento realizados por grandes empresas do cenário mundial, para o desenvolvimento de tecnologias voltadas para melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades e produzir soluções para a sustentabilidade na cadeia da construção. São notícias animadoras, que renovam nossas esperanças. Quase todo mundo gosta das cidades, esses animados pólos concentradores de comércio, cultura, trabalho e lazer. De acordo com estatísticas recentes, cerca de 50% da humanidade vive hoje em cidades, nas áreas urbanas ou nas periferias. E até 2050 esta proporção será de aproximadamente 70%.
Mas esse poder de atração também gera problemas na mesma proporção do crescimento dos aglomerados urbanos. Cada cidade é única. Algumas evoluem acompanhando a passagem do tempo, se reinventando. Outras, no entanto, entram em processo colapso, com o aumento das emissões de CO2, longos congestionamentos, déficit habitacional, desemprego e perda de qualidade dos serviços públicos em geral, como educação, saneamento básico, saúde e transportes. Quanto mais desordenado o crescimento, mais agudos os problemas.
Não é exagero afirmar que o grande desafio da civilização moderna é promover o desenvolvimento sustentável nas cidades, levando em conta o futuro desta e das gerações que virão. É importante lembrar que os problemas, assim, como as soluções, não estão lá fora, no vizinho. Eles fazem parte de nossas vidas e estão dentro de nossas casas. O grande arquiteto Oscar Niemeyer disse certa vez que, “não basta fazer uma cidade moderna; é preciso mudar a sociedade”. As sociedades são constituídas pelas pessoas, mas também por empresas. E somente conseguiremos construir cidades modernas e amigáveis se conseguirmos, para isso, a adesão dos governantes, da população e das empresas que nelas atuam.
Embora muitas empresas, em todo o mundo, considerem-se socialmente responsáveis há várias décadas, a verdade é que esse tipo de comprometimento só ganhou maior destaque a partir dos anos 90, com uma maior pressão da sociedade, dos meios de comunicação e de ONG's. A partir disso, as corporações sentiram a necessidade de passar uma imagem corporativa positiva e o resultado foi uma corrida para recuperar o tempo perdido.
Considerada, por muito tempo, a grande vilã do meio ambiente, por sua capacidade de gerar grande volume de resíduos sólidos, a indústria da construção foi uma das que mais se lançou nessa corrida atrás do prejuízo. Apontado como responsável pelo consumo de 21% de toda a água tratada do planeta, esse setor da economia vem adotando atitudes simples, nos canteiros de obras, que já resultaram na redução desse consumo em 50%. Tem investindo, ainda, em ações que resultam na redução das emissões de gases de efeito estufa, no uso da madeira, promovendo a eficiência energética dos edifícios, estimulando a adoção da energia solar, a eliminação do desperdício e a correta destinação e reciclagem dos seus resíduos.
Apostar em responsabilidade social nem sempre exige grandes volumes de investimentos. Muitas vezes é só uma questão de mudança de postura, de consciência de cidadania, compromisso com a modernidade, com seus parceiros de negócios e com a sociedade, em uma estratégia que incorpore o interesse articulado de todos, em direção à sustentabilidade.
Paulo Oscar Auler Neto
Vice-presidente da Sobratema

