Apesar do baixo índice de coleta de esgoto, País tem sistema que não conecta ninguém
Com um índice de apenas 57% de coleta de esgoto, o Brasil vive um paradoxo no setor de saneamento: o País coleciona exemplos de obras pela metade e redes que ficaram perdidas por anos, sem conexão da população. São tubulações que não chegam a lugar nenhum e não beneficiam ninguém – resultado de um planejamento deficiente do poder público.
Teresina, capital do Piauí, é um exemplo dessa situação. A cidade do Nordeste – que ocupa o 88.º lugar no ranking de saneamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil com as 100 maiores cidades do País – tem cerca de 700 quilômetros de rede de esgoto construída. Mas quase 20% dessa malha estava – literalmente – perdida no subsolo, sem nenhuma ligação. As obras haviam sido feitas em governos passados, mas por algum motivo ficaram no meio do caminho. Os trechos mais fáceis foram construídos e aqueles, com solos pedregosos, deixados para trás. Isso criou uma rede descontínua, que impossibilitou a conexão.