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GC nº 38Junho 2013 Matéria 23 de 34
Sumário
  1. EditorialMobilidade urbana: o País exige soluções urgentes
  2. Jogo RápidoAnglo American poupou 3,3 milhões de t de CO2 equivalente em 2012
  3. Jogo RápidoRodeio Skid Case
  4. Jogo RápidoPetrobras patrocina 20 mil cisternas de captação no Semiárido
  5. Jogo RápidoServmar abre escritório no Rio de Janeiro
  6. Jogo RápidoAeroportos regionais serão concedidos
  7. Jogo RápidoABB moderniza sistema de energia na Grande São Paulo
  8. Jogo RápidoOSX realiza cerimônia de batismo do FPSO OSX-3
  9. Jogo RápidoSolaris adquire mais 500 plataformas
  10. Jogo RápidoCDE fecha contrato com a Mineração Lapa Vermelha
  11. Jogo RápidoCanteiro sustentável
  12. Jogo RápidoVLT do Rio de Janeiro começa a sair do papel
  13. Jogo RápidoSener adquire 48% da empresa de engenharia Setepla
  14. Jogo RápidoSDLG inicia em agosto a produção de escavadeiras no país
  15. Jogo RápidoGuindaste Terex RT100 opera no projeto Minas-Rio
  16. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Encontro retrata o vigor da cadeia da Construção no Brasil
  17. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Salões temáticos: informação com tecnologia de ponta
  18. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Um congresso para entrar para a história
  19. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Revolução sobre trilhos
  20. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Gargalos logísticos dificultam transporte da produção agropecuária
  21. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Setor de equipamentos em compasso de espera
  22. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Construção sustentável: uma mudança cultural
  23. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Habitação popular: tem espaço para a participação privada
  24. Matéria De Capa - Construction Expo 2013PPPs e a remissão do "pecado" por traz do lucro
  25. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Solo arenoso é principal desafio na Linha 4 do Metrô do Rio
  26. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Engenharia Diagnóstica e a preocupação com segurança
  27. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Construction Congresso tem curso sobre pré-fabricados de concreto
  28. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Avaliando os custos em obras públicas
  29. Matéria De Capa - Construction Expo 2013Construction Expo vista por quem é do ramo
  30. EntrevistaNova revolução da qualidade na engenharia brasileira
  31. Concreto HojeNovos aditivos otimizam o uso de concretos avançados
  32. 40 Anos Da Método EngenhariaMétodo – Uma flecha para o futuro
  33. 40 Anos Da Método EngenhariaRuy Ohtake e a Arquitetura Fraterna
  34. ArtigoDa tarifa ao Plano - A Contribuição dos Trilhos para a Mobilidade
Matéria De Capa - Construction Expo 2013

Habitação popular: tem espaço para a participação privada

Exclusivo GC 12 de julho de 2013 · Edição 38

A Parceria Público-Privada (PPP) da Casa Paulista que prevê a construção de mais de 20 mil unidades na região central da cidade, deve ser lançada para concorrência internacional em junho, e as empresas vencedoras devem ser anunciadas em outubro. Será o maior programa residencial e de qualificação já implementado no centro da cidade, e terá o mérito de incluir os moradores da região que ganham até cinco salários mínimos. O programa foi tema do seminário Política Habitacional do Estado de São Paulo, que contou com a participação de Antonio Marcio da Costa, da Casa Paulista - Agência Paulista da Habitação Social.

Ele revelou que a escolha das empresas que deverão participar do programa deve ser anunciada até outubro e os empreendimentos devem ser finalizados entre dois e seis anos. Num segundo momento, o Governo do Estado de São Paulo deve iniciar processo licitatório de PPPs para outras áreas das Regiões Metropolitanas do Estado, como a Baixada Santista.

Antonio Marcio da Costa explicou alguns dos requisitos urbanos do projeto que define o aproveitamento de edifícios e galpões abandonados no centro de São Paulo, com implantações que evitem áreas de segregação. “O objetivo é propiciar espaços mais abertos, plurais e seguros, evitando a segregação e integrando as moradias a equipamentos sociais”, diz ele. A estratégia de ação da nova PPP será a utilização de imóveis subutilizados nos bairros e nas áreas contíguas às linhas férreas, corredores de transporte e grandes avenidas centrais. A maioria dos empreendimentos deve ser viabilizada em áreas de ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social definidas no Plano Diretor da Cidade, elaborado em 2002, ainda inexploradas.

Os empreendimentos previstos pela PPP devem ser erguidos nos distritos da Sé e República, e nos bairros do entorno do Brás, Bela Vista, Belém, Bom Retiro, Cambuci, Liberdade, Mooca, Pari e Santa Cecília. O maior número de unidades habitacionais – 7.076 – deve estar concentrado nos bairros da Barra Funda, Santa Cecília, Pari e Bom Retiro. Á área formada por República e Bela Vista deve receber 2.857 novas unidades. Na Liberdade e Brás devem ser viabilizadas 2.908 novas moradias. Nos bairros do Cambuci e da Mooca, os projetos preveem a construção de 2.409 unidades habitacionais. Devem ser viabilizadas 2.594 unidades habitacionais nos bairros Bresser e Belenzinho. A região da Avenida Celso Garcia e adjacências, no Belém, deve merecer outras 2.377 unidades habitacionais.

Os investimentos preveem R$ 4,6 bilhões, sendo R$ 2,6 bilhões da iniciativa privada. A contrapartida do Governo do Estado de São Paulo, a fundo perdido, será de R$ 1,6 bilhão. Num convênio a ser firmado com o Estado, a Prefeitura de São Paulo deve apoiar o projeto com R$ 404 milhões, média de R$ 20 mil por unidade habitacional.

Qualidade da construção

A maior integração entre governos e iniciativa privada foi o ponto de partida da palestra de Maria Salette de Carvalho Weber, coordenadora geral do Programa de Qualidade e Produtividade da Habitação, do governo federal.  Maria Salette abordou o avanço do programa ao longo de sua criação e a necessidade de acelerar a produtividade, tendo em vista a expansão da construção habitacional com o programa Minha Casa Minha Vida. Salete destacou que o novo cenário econômico brasileiro, com uma redução do desemprego, o que impactou positivamente na capacidade da população de aquisição da casa própria, com reflexos na capacidade das empresas de atendimento da demanda. O programa Minha Casa Minha Vida pretende construir 2 milhões de unidades habitacionais até 2014, com investimentos totais de R$ 125,7 milhões.

Segundo ela, os novos patamares da construção habitacional estimulram as empresas a buscarem maior modernização tecnológica e adesão  ao PBQP-H. A visão governamental é de que a expansão dos investimentos possa ocorrer por meio de maior parceria entre o setor público e as empresas privadas.

Para a coordenadora, ainda há uma limitação do programa. Segundo ela, existem 17 organismos de acreditação atualmente, mas o governo trabalha para ampliar esse número e desburocratizar sua localização. “Em geral as instituições técnicas de avaliação e certificação estão concentradas na região Sudeste”. Maria Salette destacou que o sistema tem um caráter evolutivo de inclusão. Segundo ela, atualmente, já são 3.060 construtoras certificadas. O processo de certificação é contínuo, e em geral, os setores contem em torno de 10% de produtos em não conformidade. Um setor se destaca no campo da certificação, o dos tubos de PVC, em que 63% das empresas estão certificadas.  Em termos de certificação de sistemas construtivos, a coordenadora destaca que o maior volume de pedidos concentra-se nas paredes de concreto moldadas in loco, paredes de concreto pré-moldados e sistema steel frame.  Ela ainda convocou os empresários para levar sugestões de mudanças, ou propostas, para modernizar o sistema com maior velocidade. “O Estado precisa dessas sugestões”, enfatizou.

Eixos priorizam logística e infraestrutura

O Plano de Investimentos do governo federal (PAC) priorizou os principais vetores de infraestrutura como energia e transporte e acabou inserindo os investimentos do Minha Casa Minha Vida. O governo inclui agora os setores de telemática e mão de obra como eixos prioritários de investimentos. Segundo Esther Dweck, assessora econômica do Ministério do Planejamento, os investimentos em infraestrutura são importantes pela geração de empregos e renda, assim como pelo reflexo para o desenvolvimento de outras atividades econômicas.

Ela destacou alguns dos importantes empreendimentos de infraestrutura em andamento, como o Porto do Açu (RJ) e o Porto de Ilhéus (BA), e o Porto de Vila do Conde (PA). Segundo ela, o país avançou consideravelmente, desde o início do PAC: “o investimento público cresceu quatro vezes mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) – 111% em termos reais”. Com isso, a participação do investimento público no PIB aumentou 56%. A geração de emprego é outro efeito do Programa. No setor de obras de infraestrutura, o emprego formal aumentou 7,9% ao ano em média, entre 2011 e abril de 2013. “Esse resultado é mais que o dobro do crescimento do emprego formal total no Brasil, que cresceu 3,6% ao ano, em média.”

Segundo o último balanço do PAC 2, os investimentos atingiram R$ 557,4 bilhões em investimentos  de infraestrutura logística, social e urbana até junho de 2013. Esse valor corresponde a 56,3% do total previsto até 2014.  Com respeito às ações do PAC 2 concluídas até abril deste ano, o volume é de 54,9% de execução dentre as obras previstas para serem concluídas até 2014. O valor total de obras finalizadas atingiu R$ 388 bilhões. Segundo a economista, o resultado é 18,4% superior em relação ao último Balanço, quando o volume de obras concluídas era de R$ 328,2 bilhões. “O Estado liderou os investimentos em infraestrutura até agora, e esse volume deve se elevar a partir das concessões na área de petróleo, rodovias e aeroportos”. A economista destacou ainda o efeito do programa Minha Casa Minha Vida (R$ 224,4 bilhões de investimentos) para o incremento das economias regionais e ênfase das futuras ações governamentais na área logística, principalmente portos, ferrovias e aeroportos.