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GC nº 71Julho 2016 Matéria 1 de 26
Sumário
  1. EditorialEducação como estratégia de desenvolvimento nacional
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoVotorantim inaugura fábrica em Primavera (PA)
  4. Jogo RápidoComo as cordas de uma harpa
  5. Jogo RápidoNovos terminais no Porto do Açu
  6. Jogo RápidoMacaé poderá ter terminal portuário para o setor do petróleo e gás
  7. Jogo RápidoSuperVia entrega 100º trem chinês e estação modernizada
  8. Jogo RápidoBMC-Hyundai dobra a venda de seminovos
  9. Jogo RápidoGoverno de São Paulo anuncia R$ 30,8 mi para sete municípios
  10. Jogo RápidoNovo Joá é entregue à população carioca
  11. Jogo RápidoJohn Deere nacionaliza tratores de esteira
  12. Jogo RápidoManifesto pela Retomada da Infraestrutura Nacional
  13. Jogo RápidoRobô faz a demolição, recicla e limpa área da obra
  14. EntrevistaMobilidade: a solução está nos trilhos
  15. Construction Summit 2016Cidades brasileiras dialogam com o futuro
  16. Construction Summit 2016Startups para a indústria da construção
  17. Construction Summit 2016Obsessão pela educação e pela requalificação das cidades
  18. Construction Summit 2016Sistemas construtivos industrializados
  19. Construction Summit 2016Financiamento para o Transporte Público
  20. Construction Summit 2016Sustentabilidade, um bom negócio
  21. Rodovias - Rodoanel NorteNo meio do caminho, a Mata Atlântica
  22. Rodovias - Rodoanel NorteGanho para a Logística
  23. EnergiaLinhas de transmissão pedem upgrade
  24. Concreto HojeSub-base de CCR é preferência na pavimentação das rodovias brasileiras
  25. ArtigoA Crise no mercado de locação, A Locação no mercado em crise
  26. Agenda 2016Conhecimento a serviço do saneamento
Editorial

Educação como estratégia de desenvolvimento nacional

Exclusivo GC 15 de julho de 2016 · Edição 71

Nesta edição, damos destaque especial à cobertura do Construction Summit 2016 – Desenvolvimento Urbano e Tecnologias para Construção. O evento, realizado pela Sobratema nos dias 15 e 16 de junho, em São Paulo, reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir as condições necessárias para tornar nossas cidades ambientes mais humanos, acessíveis e inteligentes. Engenheiros, arquitetos, gestores públicos, representantes da indústria da construção, organizações da sociedade civil e representantes da comunidade acadêmica, entre outros, debruçaram-se sobre temas fundamentais para a construção de um ambiente urbano mais sustentável.

Dentre tantos assuntos interessantes, polêmicos, inovadores e controversos, um chamou a atenção do grande público presente ao encontro. Não por ser uma novidade ou por dividir opiniões, mas exatamente por parecer tão óbvio ao mesmo tempo tão desprezado no processo de evolução do nosso País: a Educação.

E foi na voz de Ozires Silva, ex-ministro da Infraestrutura e presidente do Conselho de Administração do Grupo Ânima de Educação e Cultura, que o tema foi tratado como princípio ordenador das políticas de Estado e como estratégia de desenvolvimento nacional.

O engenheiro, de 85 anos, que se destacou por sua contribuição ao desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira, liderando o grupo que promoveu a criação da Embraer, demonstrou extrema lucidez ao afirmar que a educação é o nosso desafio mais importante e mais complexo. Para Ozires Silva, sem ter a educação como obsessão nacional, jamais poderemos esperar que o Brasil ingresse no seleto grupo das nações desenvolvidas, prósperas e com justiça social.

Exemplos não faltam para confirmar o que diz o velho engenheiro. E por mais que pareça surrado, repetitivo, o exemplo da Coréia do Sul se impõe sobre tantos outros.

Vale lembrar que em 1960 a Coréia do Sul tinha um PIB per capita de 900 dólares, equivalente à metade do PIB per capta brasileiro. Já na década de 1980 os dois países se igualavam, com um PIB per capita da ordem de 5 mil dólares. Hoje, o da Coreia é de 32 mil dólares e o nosso está na casa dos 11,6 mil dólares. Mas esse é o valor médio, porque em um país tão desigual como o nosso, grande parte da população brasileira vive com bem menos do que isso.

Em 1960, tínhamos, Brasil e Coreia, 35% de analfabetos. Hoje, temos 13% (não considerados os analfabetos funcionais) e eles têm zero. Apenas 18% dos jovens brasileiros estão na universidade, enquanto só 18% dos coreanos não estão. A evasão escolar ao fim do ensino médio é de mais de 60% no Brasil, enquanto na Coreia é de 3%.

Mas não foi um milagre o que fez com que o país asiático saísse da pobreza para conquistar um dos maiores PIBs do mundo em menos de um século. Para merecer essa posição, a Coréia do Sul seguiu o mesmo caminho traçado por outras nações que perceberam que educar a população com qualidade seria a única forma de mudar os índices econômicos e por um fim à pobreza de sua gente.

O PIB per capita do Brasil também perde para o de alguns dos nossos vizinhos sul-americanos, como Chile e Argentina. E se a gente comparar com uma economia desenvolvida, mas em dificuldades, como a Itália, por exemplo, nos deparamos com uma diferença ainda maior – 35 mil dólares, mais que o triplo do nosso.

E todos sabem a relação entre educação e produtividade. O trabalhador brasileiro tem um quinto da produtividade do trabalhador americano. Boa parte desta diferença se explica pela falta de preparo da mão de obra. A competitividade do Brasil no mercado globalizado depende de avanços importantes na educação. Se o Brasil quiser diminuir a diferença em relação aos países mais ricos, precisa aumentar a produtividade da força de trabalho e investir muito mais na educação do seu povo.

A educação tem que se tornar um projeto de país. Temos um longo caminho a percorrer para adequar o ensino às necessidades da nação. Quanto antes começarmos, melhor.

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema