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GC nº 64Outubro 2015 Matéria 27 de 28
Sumário
  1. EditorialSão Paulo: Orçamento de 2016 garante execução das obras de infraestrutura
  2. Jogo RápidoESPAÇO SOBRATEMA
  3. Jogo RápidoSany retoma obras da fábrica em jacareí
  4. Jogo RápidoMudanças na gestão da petrobrás afetam trabalhadores
  5. Jogo RápidoNúcleo jovem da Sobratema: grupo de trabalho de normas define estratégias de ação
  6. Jogo RápidoFG finaliza concretagem da fundação do epic tower
  7. Jogo RápidoGrupo Saint-Gobain comemora 350 anos com 350 razões para acreditar no futuro
  8. Jogo RápidoMetrô do Rio de Janeiro: mais uma etapa concluída
  9. Jogo RápidoAeroporto executivo na região de Sorocaba/SP fica pronto em 2016
  10. Jogo RápidoToniolo Busnelo investe em tecnologia
  11. Jogo RápidoMonitoramento de obra com Drone
  12. Jogo RápidoComeçam as obras da 1ª PPP da Habitação Social
  13. Jogo RápidoSH Formas abre primeira filial fora do Brasil
  14. EntrevistaComo a mobilidade urbana pode salvar vidas
  15. Especial São Paulo - InvestimentosQualidade de vida na área metropolitana – os desafios de São Paulo para tornar-se um líder global
  16. Palavra Do GovernadorInfraestrutura e empregos contra a crise
  17. Investe SpCrescer é preciso
  18. Trilhos UrbanosLá vem o trem
  19. Porto De São SebastiãoPortal de tecnologia
  20. FerroanelProjeto estratégico ainda está sem definição
  21. AbastecimentoCalcanhar de Aquiles
  22. Momento ConstructionSobratema associa-se à Câmara Espanhola de Comércio do Brasil para a Construction Expo 2016
  23. Cúpula Dos PrefeitosNa mão dos prefeitos
  24. Indústria NavalSetor reflete crise da Petrobrás e perde 14 mil postos de trabalho
  25. Concreto HojeTecnologia nas alturas
  26. Excelência Operacional & Lean ConstructionLean Construction e os ganhos em Ergonomia e Segurança
  27. ArtigoCidades mais conectadas e mais vulneráveis aos ataques cibernéticos
  28. Agenda 2015NT Expo – 18ª Feira Negócios nos Trilhos
Artigo

Cidades mais conectadas e mais vulneráveis aos ataques cibernéticos

Exclusivo GC 13 de outubro de 2015 · Edição 64

Imagine-se retornando do trabalho para casa, dirigindo seu carro inteligente (veículo conectado ao GPS, semiautônomo, etc). Entretanto, em dado momento um hacker invade a rede do seu carro, assume o controle do veículo e trava a direção contra um poste... A colisão fatal torna-se inevitável.

Embora pareça ficção científica, esse tipo de invasão cibernética contra dispositivos inteligentes já é realidade. Ataques contra carros inteligentes foram demonstrados recentemente por cientistas que, a alguns quilômetros de distância e fazendo uso da conectividade do veículo com a Internet, assumiram remotamente o controle de um Jeep Cherokee.

Imagem smart cars

Ao extrapolar o ambiente envolvendo carros inteligentes, observa-se um panorama ainda mais crítico e vulnerável: as cidades inteligentes, com toda sua infraestrutura e serviços públicos - iluminação pública inteligente, rede semafórica inteligente, sistemas de segurança inteligentes baseados em monitoramento por câmeras de vigilância e de tráfego, fornecimento de energia, abastecimento de água, hidrômetros, medidores de energia, coleta de lixo, etc. Analisando esse enorme ambiente inteligente das cidades, percebe-se que o alto risco se dá, frequentemente, pelo fato dos proprietários de tais sistemas inteligentes negligenciarem a segurança adequada para intercomunicação cibernética.

Assim, veem-se diversos casos de ataques contra as cidades inteligentes mundo afora:

Cidade de Howrah, Bengala Ocidental, Índia: em julho de 2015 estudantes alertam a polícia local, dizendo que o web site da própria corporação policial havia sido hackeado;

Illinois, EUA: em 2011 hackers obtém acesso ao sistema de abastecimento d’água da cidade. O resultado da invasão foi a destruição de uma das bombas d’água;

Clarksville, Indiana, EUA: o sistema de tribunal da cidade é hackeado em junho 2015, comprometendo ~2.000 casos com informações confidenciais;

Cidade de Nova York, USA: em fevereiro de 2015 foi atingida por um ataque de distribuído de negação de serviço (DDoS), que interrompeu os sistemas de e-mail do governo;

Universidade de Michigan: em 2014, pesquisadores constataram a ausência de segurança para a comunicação entre sistemas de controle de tráfego e sistemas semafóricos em 100 mil cruzamentos nos EUA e Canadá. Os dispositivos podiam ser facilmente hackeados.

Estes poucos exemplos mostram tanto a gravidade dos riscos, quanto a vulnerabilidade cibernética das cidades inteligentes, crescentemente dependentes das tecnologias de Internet das Coisas (IoT).

Apenas conceituando ao leitor, IoT é uma tecnologia que conecta objetos a uma rede e/ou à Internet, permitindo a interação entre os variados dispositivos inteligentes, tais como prédios, construções e casas, carros, óculos, telefones, TVs, geladeiras, câmeras, relógios, lâmpadas, vestimentas, sensores, hidrômetros, etc.

Imagem IoT

Então, ao levar a cabo a definição de cidades inteligentes, onde os cidadãos têm, p. ex., suas casas inteligentes e os numerosos dispositivos baseados em IoT interconectados com a cidade, o panorama traçado anteriormente fica óbvio: a segurança cibernética do ambiente público da cidade inteligente é dependente da segurança cibernética praticada pelos cidadãos, coletiva e individualmente.

Para ilustrar a última assertiva, em 2014 hackers comprometeram ~100 mil “coisas” inteligentes de residências (TVs, geladeiras e outros eletrodomésticos inteligentes). Os ataques ocorreram sobretudo em razão da fragilidade dos controles de segurança implementados. Como resultado, milhões de spams maliciosos foram enviados. Outro exemplo: um vírus do Linux, chamado “Linux.Darllo”, comprometeu eletrodomésticos inteligentes (câmeras de segurança, impressoras, set-top-boxes, etc), e em seguida fez com que os dispositivos atacassem sistemas financeiros como o Bitcoin.

Portanto, neste mundo de “coisas conectadas”, há de se ponderar que convivemos com dezenas de armas cibernéticas em nossas casas. Questão intrigante: qual seria a dimensão dos danos que um grupo de hackers bem treinados causaria neste mundo de coisas conectadas?

Sem dúvida, a IoT será o próximo passo evolutivo das cidades inteligentes, e a IoT crescerá exponencialmente. Todavia, é provável que vejamos criminosos cibernéticos explorando e comprometendo tais dispositivos – principalmente os menos protegidos, devido à negligência dos proprietários (gestores públicos, iniciativa privada e cidadãos usuários finais).

Ao expor tal problema, o objetivo não é fazer a sua vida mais vulnerável... Pelo contrário, o objetivo é conscientizá-lo quanto à necessidade de conhecer e aplicar técnicas de segurança cibernética.

Num próximo artigo poderemos possivelmente abordar as aplicações, plataformas e padrões abertos que incrementam a segurança, dificultam espionagens e facilitam processos de auditoria nas cidades inteligentes.

(*) Elvis Pontes, Prof. PhD, é pesquisador cientista da Universidade de São Paulo (USP) e LSITEC (Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico)