A cientista social Maria Encarnación Moya Recio, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, analisou, em seu estudo de pós-doutorado, como os moradores da favela paulistana Vila Nova Jaguaré têm interagido com o processo de urbanização em curso desde 2006 na ocupação. A sua pesquisa buscou compreender, sob a perspectiva das famílias, a importância da casa na favela, bem como o impacto de melhorias que só mais recentemente foram promovidas pelo poder público, como asfalto e esgoto.
“Esta urbanização da favela vem conformando, ao mesmo tempo, um campo de oportunidades e constrangimentos. Com este processo de urbanização a casa ganha ‘mais valor’, tanto material, quanto simbólico. Isso também pode viabilizar a saída de uma situação de extrema precariedade habitacional. Mas, por outro lado, este processo pode impor novos custos associados à ‘formalização’ da moradia, como contas e parcelas a pagar. Isso pode ainda incentivar a ‘venda da chave’ nas situações de maior vulnerabilidade socioeconômica”, considera.