Na noite do último 9 de janeiro, os acionistas da Celesc, a encrencada empresa de energia de Santa Catarina, foram convidados a selar uma trégua depois de anos de briga. O cenário do encontro foi um jantar organizado pelo novo governador do Estado, João Raimundo Colombo, em sua residência oficial, um palacete em estilo colonial cercado de árvores em Florianópolis. Estavam sentados à mesa, além do próprio Colombo, que representava o governo, controlador da empresa; conselheiros ligados à Previ, maior fundo de pensão do País que detém mais de 14% do capital; Lirio Parisotto, um dos maiores investidores pessoa física no País, dono de 11%, e um executivo da gestora de recursos Tarpon, que tem outros 13%.
Durante pelo menos três anos, o grupo de minoritários bateu de frente com o governo em quase tudo que se referia à gestão da companhia. Esses acionistas já brigaram pela investigação de pagamentos considerados exagerados a uma empresa prestadora de serviços e pediram a exoneração de um diretor financeiro. Parisotto, o mais aguerrido na disputa, entrou com cinco processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) contra a gestão da companhia. Na casa do governador, porém, o clima era ameno. "É claro que, diante do longo histórico de desmandos do governo, estou sempre com o pé atrás", diz Parisotto. "Mas demos um voto de confiança ao novo comando."