Segundo dados do setor agronegócio, o segmento perde cerca de US$ 4 bilhões por ano por conta da ineficiência da infraestrutura e logística nacionais.
A situação enfrentada pelos produtores de soja e milho na principal região de grãos do Brasil expõe a necessidade de ampliação da malha ferroviária, ao mesmo tempo que indica que mudanças no modelo de concessão do setor poderiam beneficiar o escoamento produção agrícola. Nesta fase da safra de inverno, o Mato Grosso vive seu pico de escoamento. As limitações logísticas colocam os produtores em uma situação "preocupante", diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) e do Movimento Pró-Logística, Carlos Fávaro: a ferrovia, meio de transporte que historicamente tem preço bem inferior àquele cobrado nas estradas, passou a ter, em determinadas situações, um frete mais alto que o dos caminhões.
"Quando um produtor decide negociar o transporte de sua carga diretamente com a empresa ferroviária, e não por meio de uma 'trading', como costuma fazer, é exatamente essa a situação absurda que ele encontra", comenta Fávaro. "Como a ferrovia é um monopólio, onde as regras não são transparentes, o produtor vira simplesmente um refém dessa situação."