Um levantamento da ONG Contas Abertas constatou que o Brasil gasta 10 vezes mais com a reconstrução após os desastres naturais do que com sua prevenção. A questão, atual nos últimos anos no país e atual especialmente neste verão de tragédias, é reveladora das causas de fenômenos que se repetem com intensidade e gravidade crescentes. As inundações de Agudo e de Três Coroas, no Rio Grande do Sul, como os dramáticos deslizamentos de Angra dos Reis, repetem fatos que ocorreram tragicamente em Santa Catarina em 2008 e 2009. No ano passado, o governo federal gastou R$ 1,3 bilhão com o programa “Resposta aos Desastres e Reconstrução” e apenas R$ 138 milhões com o de “Prevenção e Preparação para Desastres”.
A questão não é irrelevante. Um documento da Cruz Vermelha Internacional mostrou que, entre 1993 e 2003, nosso país registrou, entre as nações das Américas, o maior número de pessoas afetadas por desastres naturais. Nesse período ocorreu a morte de 2.056 brasileiros por deslizamentos, inundações e secas. É óbvio que as catástrofes naturais são imprevisíveis, no sentido de que não há como saber quando ocorrerão e a intensidade com que se abaterão sobre as cidades ou sobre as lavouras. Mas há fatores que desencadeiam os desastres ou que os tornam mais graves que podem ser objeto de políticas preventivas. Além disso, há muito se sabe que o uso desregrado do solo, a derrubada das florestas, em especial das matas ciliares, e a poluição dos rios são fatores que estão na raiz da maioria das tragédias ambientais e climáticas.