Ontem de manhã, em uma sala da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, ocorreu um encontro improvável: trinta executivos de empresas como Vale, Votorantim, Camargo Corrêa, Fibria, Walmart, Odebrecht e Santander, para citar algumas, reunidos com lideranças do Greenpeace, a ONG temida e detestada pelo mundo dos negócios. Na primeira parte do evento, a plateia escutou Kumi Naidoo, o sociólogo sul-africano que em novembro se tornou o diretor-executivo do Greenpeace Internacional. A segunda parte foi ainda mais curiosa: o que executivos de bancos, empreiteiras, frigoríficos e siderúrgicas querem saber desses "ambientalistas radicais"?
Naidoo sintetizou em sua palestra. "O 'business as usual' não é mais possível", disse, lembrando a expressão cunhada no debate climático para indicar que tudo prosseguindo do mesmo jeito de sempre levará o mundo a um cenário de catástrofe. Em outro momento, ele soltou: "Mas o ativismo tem que mudar também."