O comércio entre Brasil e países africanos, em sua quase totalidade, é feito por via marítima. Mesmo assim, em que pesem a proximidade física, os laços culturais e os esforços governamentais, não existem conexões diretas e regulares entre as duas regiões. A carga pesada, composta sobretudo por commodities transita em petroleiros e graneleiros contratados para esse fim, por viagem ou tempo. Os demais produtos, transportáveis em navios porta-contêineres, seguem roteiro caótico. Em geral, se o destino é a costa oeste africana, o trajeto envolve transbordo em algum porto europeu.
"É um transporte caro e demorado que trava o crescimento dos negócios entre as regiões", diz Altair Maia, pesquisador e consultor internacional. Segundo ele, a costa Leste africana é mais bem servida por navios que saem do Brasil para a Ásia e Oceania e fazem escala em países como África do Sul, Moçambique e Tanzânia. Já a costa Oeste, mais próxima do Brasil, permanece isolada. "Porta-contêineres que partem do Brasil para a Europa passam a menos de 500 milhas da costa africana mas não fazem escalas porque o volume de carga por viagem não compensa", diz.