Há anos, os sismólogos vêm alertando o governo japonês de que várias usinas nucleares do país estão em locais instáveis e poderiam ser danificadas por um terremoto
São Paulo — O desastre causado pelo terremoto de sexta-feira na usina nuclear Fukushima Daiichi, no Japão, inclui um dado embaraçoso para o governo japonês: os especialistas vêm alertando há anos para o risco de uma catástrofe nuclear acontecer em caso de terremoto. Não é a primeira vez que um tremor desencadeia um acidente nuclear no país. E o governo parece não ter dado muita importância aos alertas.
Com 53 reatores, o Japão é o terceiro maior gerador de energia atômica no mundo. Fica no país a maior central nuclear do planeta, a de Kashiwazaki-Kariwa, com sete grandes reatores. Perto dessa central, localizada na costa oeste do país, à beira do mar do Japão, aconteceu, em 2007, o terremoto de Chuetsu, com intensidade 6,8. A central de Kashiwazaki-Kariwa foi danificada pelo tremor e houve vazamento de radiação. Foi preciso desligar completamente a usina durante 21 meses para que fosse reparada e inspecionada. Somente em 2009, quase dois anos depois do terremoto, os reatores começaram a ser religados um a um.