A mal digerida compra da Tenda e os atrasos na entrega de imóveis levaram a construtora a despencar na bolsa e tornar-se campeã de reclamações na Justiça. Como mudar isso?
Para os adeptos da cabala e de outras crenças que misturam religião e ciência, o número oito representa prosperidade e renovação. Pode se tratar apenas de uma coincidência, mas a diretoria da construtora paulista Gafisa, cuja receita somou R$ 3,7 bilhões em 2010, escolheu exatamente o dia 8 de agosto para apresentar ao mercado financeiro seus números referentes ao segundo trimestre do ano. Trata-se de um momento especial para a direção da empresa: o encontro é visto como o marco zero da virada da companhia, que, desde dezembro do ano passado, perdera a condição de uma das queridinhas do pregão da bolsa de valores de São Paulo.
Rapidamente transformada em patinho feio do mercado, a construtora viu seus papéis desabarem 39,4%, no acumulado de 2011. Trata-se da maior queda entre as empresas do setor. Mais: a Gafisa também passou a figurar no topo da lista de ações judiciais contra as empresas do setor, movidas por clientes insatisfeitos com o atraso na entrega de seus imóveis. “O segundo semestre deverá ser melhor”, disse à DINHEIRO Alceu Duílio Calciolari, o recém-empossado presidente da Gafisa. “Tanto em relação às margens de operação, quanto na geração de caixa.” Segundo ele, essa perspectiva já foi passada aos analistas, junto com uma prévia dos números que serão anunciados no dia 8. Um deles é o crescimento de 170% nos lançamentos, de abril a junho, em relação ao primeiro trimestre, totalizando vendas de R$ 1,38 bilhão.