Chegou ao fim a trégua entre os donos das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. Depois de um período de calmaria em que os executivos dos dois empreendimentos até trabalharam em conjunto, as diferenças expostas na briga histórica entre GDF Suez e Odebrecht em torno do leilão de Jirau voltaram a dar sinais fortes de que continuam existindo. Desta vez a disputa está sendo travada diretamente entre as duas concessionárias que apresentaram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projetos distintos de ampliação de capacidade e operação de reservatórios que podem garantir ou eliminar a possibilidade, para um ou para outro, de uma receita extra estimada em R$ 3 bilhões ao longo de suas concessões.
Desde setembro, a usina de Jirau pressiona a Aneel para aprovar seu projeto de expansão de capacidade. Nas obras da usina, as escavações já estão sendo feitas para abrigar no mínimo mais quatro turbinas do que o projeto original e que gerariam 245 megawatts médios a mais de energia por ano e implicam em um investimento extra de R$ 1 bilhão. Mas para isso a operação do reservatório da usina de Santo Antônio teria que ser feita no nível 70 (altitude em relação ao nível do mar). O problema é que a usina de Santo Antônio bateu à porta da Aneel com um outro projeto que se for aprovado reduz em 40% a nova potência de geração de Jirau.