Dois ícones da construção civil, empresas com histórico sólido e respeitadas pelo mercado, foram alvo de críticas nas duas últimas semanas: Cyrela e MRV. A luz amarela automaticamente acendeu. Ao mesmo tempo, apesar dos excelentes resultados anuais - com crescimentos superiores a 50% - uma análise mais detalhada dos balanços mostra que praticamente todas as empresas do setor tiveram queda nas margens no fim do ano passado. Seria motivo para um "alerta vermelho"? Analistas e as próprias empresas dizem que não, embora o mercado esteja, claramente, de mau humor com o setor. Desde o início do ano, as ações caem 12% e o Ibovespa 2,22%.
Os estouros no orçamento - principalmente por conta do aumento no custo da mão de obra - saíram do discurso e viraram fato, machucando a rentabilidade das empresas. Com um reajuste de orçamento de R$ 50 milhões, a MRV foi o caso de maior repercussão - muito em função da expectativa do mercado, que não esperava pela queda de margens. Mas a Cyrela, que já vem dando sinais nessa direção e reduziu as previsões de vendas e margens, também deve refletir a questão no balanço que será divulgado hoje.