O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, alerta para o aprofundamento desta escassez nos próximos anos
Com a economia se expandido em ritmo acelerado, o país tem batido recordes sucessivos na geração de empregos com carteira assinada. De janeiro a agosto, 1,95 milhão de vagas formais foram criadas e a previsão para o ano que vem, de acordo com o Ministério do Trabalho, é de três milhões de novos empregos. O ministro Carlos Lupi comemora os números com um alerta: a enorme demanda por trabalhadores deve fazer com que o Brasil sofra ainda mais com a falta de mão de obra nos próximos anos. A ‘novidade’, destaca Lupi, é que os gargalos não mais se restringirão aos profissionais do topo da pirâmide de qualificação (já escassos no país pelas conhecidas deficiências do sistema educacional). Deverá crescer a carência daqueles trabalhadores que desempenham tarefas que dispensam um elevado grau de instrução; algo que já se verifica na construção civil e alguns setores de serviços.
Na região da cidade de Ribeirão Preto, por exemplo, pólo produtor de cana de açúcar do estado de São Paulo, algumas construtoras estão contratando ex-bois frias para trabalhar como auxiliares nos canteiros de obras. “É só andar por Ribeirão Preto para perceber a quantidade de obras em execução. A mão de obra especializada, como pedreiro, encanador e eletricista, está em falta faz tempo. Estamos contratando todos que chegam com alguma experiência comprovada”, avalia Francisco Galli, técnico de segurança do trabalho da construtora Pereira Alvim, que conta com trabalhadores egressos do corte de cana em seu quadro de empregados.