Uma das maiores e mais polêmicas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, obteve ontem a licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) em meio a críticas generalizadas de ONGs ambientalistas e ameaças de embargo do Ministério Público Federal no Pará.
O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, defendeu de forma veemente a autorização para o início das obras, cujo canteiro principal terá sede em Altamira (PA). "Temos segurança técnica e jurídica para dizer que é ambientalmente sustentável porque retrata o que é necessário para minimizar impactos negativos e otimizar impactos positivos", disse. O executivo foi interpelado por dirigentes de quatro ONGs presentes ao anúncio com protestos e pedidos de explicações detalhadas sobre o processo de licenciamento. E reagiu contrariado: "Estamos convencidos da higidez técnica e jurídica do processo. Se houver questionamentos judiciais, estamos preparados", disse. Sob reserva, um integrante da cúpula do Ibama admitiu ao Valor: "O Ministério Público vai vir 'babando' para cima da gente".