Estatal definiu regras, impôs taxa de lucro e montou seu time para disputar a concessão
Sete minutos depois de dar o primeiro lance, os executivos do consórcio liderado pela Andrade Gutierrez viram uma mensagem piscar na tela do computador da sala em que foram acomodados para disputar a Hidrelétrica de Belo Monte: "Leilão encerrado. Aguarde instrução da comissão para deixar a sala". Alguns deles demoraram a entender, mas acabavam de ser derrotados por um grupo formado às pressas, com empresas de pouca expressão e sem experiência em obras desse tamanho, arregimentadas pela Eletrobrás, estatal do governo federal.
"Perdemos para o governo", afirmava, depois do pregão, um executivo do grupo que, além da Andrade, tinha a Vale, a Votorantim e a Neoenergia - favoritos na disputa. "A gente achava que eles não iam nem bidar (dar lance), que estavam ali só para fazer figuração." Essa era a opinião predominante na praça. O consórcio vencedor (Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Cetenco, Mendes Jr., Contern, Gaia e a estatal Chesf, controlado pela Eletrobrás) começou a ser formado há poucas semanas, quando o leilão teve uma baixa inesperada. Camargo Corrêa e Odebrecht, que estudavam o projeto há dez anos, desistiram da disputa afirmando que as condições definidas pelo governo são economicamente inviáveis. Foi a partir desse momento que a Eletrobrás usou seu poder para garantir "concorrência" e, ao mesmo tempo, dar uma resposta às construtoras, que pressionavam por mudanças.