A desvalorização cambial nos últimos meses reduziu o custo do trabalho na indústria, em dólares, deixando o setor um pouco mais competitivo no período, de acordo com cálculos da MB Associados. Embora o alívio ainda seja visto com reticência por causa do efeito adverso do real mais fraco, como o encarecimento dos insumos industriais, economistas e empresários do setor avaliam que a moeda americana mais cara tende a abrir uma janela para a recuperação da indústria, que fica menos exposta à competição de produtos importados. Nesse quadro, na tentativa de não deixar "escapar" esse ganho proporcionado pelo câmbio e em meio ao desaquecimento do mercado de trabalho, a percepção é de que os ventos nas negociações salariais, antes mais favoráveis aos trabalhadores, podem ter começado a virar a favor de empresários.
O custo unitário do trabalho em dólares, uma estimativa do crescimento real do salário acima da produtividade e que considera a variação do câmbio no período, recuou 6,1% nos doze meses encerrados em junho deste ano, de acordo com a MB Associados. Neste período, a taxa de câmbio real se desvalorizou em 9,24%.