O consumo aparente de bens de capital encolheu 13,7% no primeiro bimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O tombo da produção nacional (descontada a exportação) somada à importação no setor é o maior nessa base desde 1999, segundo cálculos do Itaú Unibanco, com exceção de 2009, ano em que a crise atingiu em cheio a demanda por máquinas e equipamentos e a absorção doméstica desses itens caiu 24% no acumulado de janeiro e fevereiro sobre o início de 2008.
A capacidade ociosa da indústria, na visão de Aurélio Bicalho, economista do Itaú que fez os cálculos a pedido do Valor, ainda está elevada e desestimula investimentos para ampliar a oferta de bens manufaturados. Como uma fatia importante do investimento é determinada pela atividade industrial, a perspectiva é de recuperação lenta, mais visível a partir do segundo semestre. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a média do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria alcançou 83,7% no primeiro trimestre do ano, acima da média do quarto trimestre de 2011, mas ainda inferior à media dos três trimestres anteriores.