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Construção, petróleo e mineração impulsionam indústria de máquinas

A ampliação de fábricas de máquinas, para atender aos setores de infraestrutura, construção, petróleo e mineração, indica que há espaço para a industrialização econômica

Redação GC 07/04/2011 às 12h00
Construção, petróleo e mineração impulsionam indústria de máquinas

Fonte: Exame

Em junho de 1970, Valentino Rizzioli acabava de chegar ao Brasil vindo da Itália. Aos 26 anos, ele fora enviado pela Fiat para colocar de pé uma fábrica de tratores para construção em Contagem, na periferia de Belo Horizonte. Rizzioli teve então o que chama de sua primeira mágoa com o Brasil: a goleada por 4 a 1 aplicada à seleção italiana pelo time comandado por Pelé, jogo que nos assegurou o tricampeonato mundial no futebol. O país depois lhe deu alegrias — aqui nasceram seus filhos, Cláudio e Fábio. Hoje, especialmente, o Brasil é fonte de um novo entusiasmo para Riz-zioli. A CNH, braço da Fiat para a produção de máquinas, presidida por ele na América Latina, está investindo 1,7 bilhão de reais na expansão de Contagem e de mais duas unidades, em Curitiba e em Piracicaba, no interior de São Paulo. Nos próximos 18 meses, a empresa deve lançar 19 novos tratores especiais para os setores de construção e infraestrutura. É o maior investimento da história da CNH no país. “Em 40 anos, é a primeira vez que vejo o Brasil ter uma perspectiva de crescimento sustentável, aquele que inclui a maior parte da população”, diz Rizzioli.

Diversas outras empresas do mesmo ramo, como as americanas Caterpillar e Terex e as britânicas Rolls-Royce e JCB, estão investindo na ampliação de suas fábricas. “O nosso negócio ganhou impulso”, afirma Luiz Carlos Calil, presidente da Caterpillar. Segundo ele, a operação brasileira tem agora a linha de produtos mais diversificada do grupo no mundo, com 40 modelos de máquinas. Além das ampliações de empresas já presentes no Brasil, a chinesa Sany e as coreanas Hyundai e Doosan anunciaram a montagem de suas primeiras fábricas aqui. Os anúncios mostram que o cenário da indústria no Brasil é heterogêneo. Há áreas em que a perda de competitividade leva à desmontagem de fábricas e à substituição de produtos nacionais por importados. Mas o país ainda oferece espaço para a industrialização. O setor de bens de consumo, empurrado pelo aumento da renda da população, é uma das fronteiras da indústria. A outra é a infraestrutura. As ampliações de fábricas de bens de capital miram a demanda criada por mais de 1,4 trilhão de reais em investimentos, estimados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o período de 2011 a 2014 em construção, infraestrutura, petróleo e mineração.

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