A transição de comando na Vale, com a saída de Roger Agnelli e a chegada de Murilo Ferreira, foi concluída na sexta-feira (20). E mostrou uma mudança clara no discurso. O executivo preocupou-se em usar no encontro com a imprensa vocabulário recheado com palavras como "diálogo", "entendimento" e "consenso". Mas não deixou de enfatizar a manutenção do programa de investimentos e demonstrou preocupação com resultados e retornos para acionistas.
Ferreira não se esquivou de comentar assuntos espinhosos, como as discussões envolvendo as discordâncias com o DNPM, órgão mineral do governo, sobre o pagamento de royalties na extração de minério de ferro. "Com relação a isso, temos que ter um diálogo franco e aberto com as autoridades", disse. "Vamos conversar muito. Sou mineiro, da terra do Tancredo", brincou. O DNPM reclama da mineradora mais de R$ 4 bilhões de royalties que não teriam sido pagos, valor que a Vale contesta.