Para atingir as metas é preciso investir só nos países "emergentes" US$ 100 bilhões/ano
Durante a reunião em Marrocos da Convenção do Clima – ainda em andamento –, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas divulgou relatório que mostra os impactos que o País sofrerá com essas mudanças. Serão muitos. Mas ainda são escassos os esforços para mitigá-los. Principalmente porque entre os problemas estão a redução da potabilidade da água, mais consumo de energia, maior risco de catástrofes naturais nas cidades, aumento de doenças e problemas para os sistemas de saúde.
Até 2020 o Brasil terá 90% de sua população nas cidades. E precisará de mais energia – cujo consumo está em 70% nas cidades, onde se produzem 40% das emissões de gases do efeito estufa. Por isso será necessário um esforço ainda maior nas áreas urbanas, que precisarão adaptar-se ao clima. Mas, como lembra a cientista Suzana Kahn, presidente do Comitê Científico do Programa Brasileiro de Mudanças Climáticas, são muito poucos ainda os inventários de gases-estufa. Da mesma forma os estudos em outras áreas, como os relacionados com a potabilidade da água e o consumo de energia – projetado para aumentar 8% além do que foi previsto para 2030, ainda mais considerando que poderá ser menor a geração por hidrelétricas. Da mesma forma também, os estudos sobre danos nas cidades com inundações, desabamentos, etc. – 37,1% dos municípios brasileiros sofreram alagamentos entre 2008 e 2012, 895 foram atingidos por desabamentos. As alterações climáticas têm provocado sobrecarga nos sistemas de saúde e no trabalho do pessoal da área. Mas o que está à vista é pouco.