Com uma dívida pública crescente, sem capacidade para investir no longo prazo e por falta de credibilidade, além da necessidade de "fazer caixa", o governo recorre às concessões e às privatizações. Na concessão, o governo cede à iniciativa privada o direito de explorar a atividade por determinado tempo. Na privatização, ocorre a transferência da propriedade. O governo já se prepara para negociar a concessão de alguns aeroportos e para privatizar a Eletrobrás. Um dos grandes desafios está na estrutura das licitações, que definirá como correrão as concessões e as privatizações, além da montagem dos editais e dos textos dos contratos. Se bem desenhado e sucedido, o programa trará mais investimentos para o País e abaterá a dívida pública.
O pacote deverá vir acompanhado de um conjunto eficaz de normas elaboradas pelas agências reguladoras para fortalecer o País e evitar a prática monopolista, com abuso do poder econômico e alta de preços, combatendo a recessão de oferta. Fazer concessões e privatizações, sem agências reguladoras fortes, independentes e integradas por técnicos competentes, pode se traduzir em um risco muito grande para o País.